Criacionismo no governo brasileiro

Há alguns dias escrevi este post sobre a inexistência de efeitos maléficos de culturas transgênicas sobre insetos polinizadores. Há lá um trecho que expressa bem minhas idéias sobre uma parte considerável da “intelectualidade” de esquerda brasileira, cito-me: “Assim, revivendo a tradição inquisitorial, uma porção da população brasileira que gosto de chamar de dogmáticos verdes não só se opõe ao plantio de espécies transgênicas, como se opõe mesmo à pesquisa com organismos transgênicos, como se nosso depauperado país pudesse se dar ao luxo de deixar de produzir conhecimento científico (é óbvio que este temor e aversão à ciência é típica de fundamentalistas religiosos)”. Uma das grandes opositoras à pesquisa com organismos geneticamente modificados no Brasil tem sido a ministra do meio-ambiente, Sra. Marina Silva. Agora, desgostoso mas de forma alguma surpreso descubro, através dos blogs Ciência em Dia e Idéias antigas, que a Senhora Ministra é uma ardente defensora da superstição conhecida como criacionismo e da idéia de que esta idiotice seja ensinada nas escolas já que, segundo sua gabaritada opinião, a seleção natural não é competente para explicar a natureza. Fica bem claro quem são e o que pensam os dogmáticos verdes, são dogmáticos mesmo, fundamentalistas para os quais de nada importam dados científicos e por isso mesmo são até contra a pesquisa científica. E há quem se surpreenda pela qualidade da educação brasileira. Já disse e repito: o Brasil e o mundo necessitam desesperadamente de cientistas, não de políticos.  

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Discussão - 2 comentários

  1. Italo M. R. Guedes disse:

    Caro Dr. Pivomar,
    Para ver quem toma decisões por nós e forma as opiniões por aí andantes. Muito oportuna sua citação de Dawkins. Obrigado pelo comentário e pela atualização.
    Grande abraço,
    Ítalo

  2. Igor Pivomar disse:

    Olá Ítalo, fiquei estupefato com esta notícia! Só espero que a pífia discussão sobre criacionismo não ganhe a mídia novamente, seria o mesmo que agitar uma caixa de marimbondos (crentes no caso).
    “Posso muito bem parecer apaixonado quando defendo a evolução diante do criacionismo fundamentalista, mas isso não acontece por causa de meu próprio fundamentalismo rival. Acontece porque as evidências da evolução são fortíssimas e fico apaixonadamente perturbado com o fato de meu oponente não conseguir enxergar isso — ou, o mais comum, recusar-se até a pensar nisso, porque contradiz seu livro sagrado. Minha paixão aumenta quando penso em tudo que os pobres fundamentalistas, e aqueles que eles influenciam, estão perdendo. As verdades da evolução, junto com muitas outras verdades científicas, são tão fascinantes e belas que é realmente trágico morrer tendo perdido tudo isso! É claro que isso me inflama. Como não inflamaria? Mas minha crença na evolução não é fundamentalismo, e não é fé, porque sei o que seria necessário para mudar de idéia, e mudaria satisfeito se fossem apresentadas as evidências necessárias.” (Richard Dawkins em Deus, um Delírio – Cap. 8)
    Também penso assim!
    A propósito já atualizei seu endereço.
    Abraço Pivo!!!

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