Caatinga no litoral brasileiro

Caros leitores,
Em recente viagem ao litoral fluminense fui apresentado a uma relíquia biológica. Uma região de Caatinga (típica de climas semi-áridos) em pleno litoral brasileiro. Acho então interessante discutirmos alguns aspectos relacionados à formação desse ecossistema. Esses aspectos foram melhor discutidos pelo professor Carlos Schaefer em diversos trabalhos, o que será apresentado aqui é apenas uma síntese dos mesmos. Durante o último período glacial um clima mais seco se instalou no que hoje viria ser o Brasil. Essa maior restrição pluviométrica permitiu que vegetação típica de caatinga se implantasse desde o que, hoje é denominado sertão nordestino, até o litoral do sudeste brasileiro. Após a glaciação uma nova era, úmida, se instalou. Isso fez com que a caatinga sucumbisse, ficando restrita ao semi-árido nordestino e localmente entre os municípios de Araruama e Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro. Em ambos casos, a semi-aridez é provocada pela presença de barreiras orográficas (cadeias de montanhas que impedem a chegada de nuvens carregadas ao continente). Isso é didaticamente observado na Ilha de Cabo Frio, aonde uma das faces recebe constantemente chuvas orográficas e apresenta Mata Atlântica como vegetação nativa, enquanto que, na outra face, incoberta pela anteriormente citada, o impedimento orográfico provoca a semi-aridez, formando um ecossistema típico de caatinga. A presença de tal barreira em tal região fluminense permitiu que um “pedaço do litoral sudeste” mantivesse o clima semi-árido e consequentemente a caatinga foi preservada ao longo do tempo, sobre solos típicos de tais regiões, como Luvissolos, Argissolos e Latossolos eutróficos, entre outros. Assim, a caatinga presente no litoral fluminense trata-se de uma paleocaatinga, refletindo aspectos passados que por condições específicas de restrições climáticas se preservou ao longo do tempo geológico.

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Discussão - 4 comentários

  1. christian disse:

    Olha eu discordo a face da ilha de cabo frio voltada para o alto mar recebe rajadas de até 90 kmh na temporada dos ventos ” inverno ” qualquer coisa que não seja pequenos arbustos tipicos da caatinga, não resistiria a força dos ventos a faca da ilha voltada para o continente está protegida. Não é questão de chuva e sim do intenso vento nordeste.

  2. Parabéns! Espaços virtuais que abordem a tematica ecológica brasileira são sempre bem-vindos!
    Achei interessante esta resenha do Ítalo, deconhecia essa caatinga no litoral brasileiro, região sudeste. Como o blog é acessado por leigos e eruditos, sugiro divulgarem fotos relacionadas ao tema apresentado, como neste caso, por exemplo. Abraços.

  3. Marcus disse:

    É interessante ver um processo de expansão e redução da flora. Sou aqui do Cerrado e o mesmo ocorre na amazônia com as “ilhas de Cerrado”. Mudanças climáticas resultam numa readaptação da flora.

  4. a caatinga disse:

    achei legal???????????????????????????????????????????????????????????
    thau thau thau

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