Guiana vende serviços ambientais e conserva floresta

Há poucos dias o Jornal da Ciência publicou esta notícia anunciando a venda pelo governo da Guiana de serviços ambientais a um fundo de capitais britânico. Que serviços ambientais? Basicamente, os benefícios ao meio ambiente de uma floresta mantida intacta. Em dezembro publiquei aqui no Geófagos o post Como pagar ao meio ambiente?, infelizmente muito pouco lido, introduzindo aos leitores como seria a prestação de serviços ambientais e sua valoração. Vê-se agora um país vendendo os serviços de 405000 hectares de mata, entre os quais “regulação de chuvas, armazenagem de carbono e regulação do clima”. Os que não conhecem a realidade da pequena agricultura brasileira descapitalizada, criticam, a partir de seus escritórios com ar condicionado, a derrubada de matas para fazer carvão por agricultores ignorantes e de pequena visão. Mas a visão tem que ser pequena e de curto prazo: de que adianta salvar as florestas para o futuro e morrer de fome hoje? É inútil tentar-se salvar o mundo apelando para as consciências, principalmente quando estas estão famintas. O agricultor em geral não derruba matas por maldade, mas por necessidade. A forma mais eficaz de se evitar isto é pagando de forma justa para que eles mantenham a vegetação de pé, pagando os serviços ambientais prestado pelas matas intocadas. E não só das matas, o solo acumula muito mais carbono que a vegetação e isto é um grande e potencialmente caro serviço, deveria também ser pago. Aliás, isto seria uma alternativa interessante para auxiliar a conservação da caatinga e do cerrado, a primeira ameaçada pela completa ausência de fonte de renda de agricultores do semi-árido, o segundo pela voracidade entomológica de sojicultores et allii. Há regiões de difícil agricultura que poderiam ser usadas extensivamente para isso. A Zona da Mata mineira, por exemplo, é uma região extremamente montanhosa e de solos nutricionalmente pobres. As áreas mais produtivas são os terraços nos vales. Mesmo assim, os morros estão quase completamente desmatados para a formação de pastagens, aliás muito degradadas, e a madeira restante é em geral usada para fazer carvão. Os topos dos morros se prestam à regeneração das matas e prestariam um serviço ambiental essencial para a região: a captura e manutenção da água que alimenta as nascentes de rios da região. É necessário buscar-se alternativas ousadas para a resolução dos grandes problemas ambientais de nosso tempo e usar o realismo monetarista como aliado, revertendo o papel do dinheiro como grande causador das tragédias mundiais modernas.

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Discussão - 3 comentários

  1. Jeean Kleber disse:

    Ola..
    Até que ponto realmente as pessoas tem verdadeiro interesse em fazer algo para contribuir para o combate ao aquecimento global e seus efeitos devastadores.
    Se você se preoculpa mesmo com a aquecimento global, convido você a conhecer e praticar de forma simples e economica, como contribuir para preservar o nosso GRANDE LAR e nossa saúde.
    Saiba mais no meu blog, e vamos divulgar para os amigos e familiares:
    http://poluamenos.blogspot.com
    http://timebrasil.wordpress.com/ffi
    Grato pela atenção
    Jeean Kleber
    [email protected]

  2. Italo M. R. Guedes disse:

    Cara Laura,
    Penso que qualquer um poderia pagar. Acredito que este tipo de negociação poderia ser feita através de empresas privadas com este objetivo e a negociação com o agricultor seria feita por meio de contratos. A fiscalização desta forma ficaria por conta da empresa vendedora dos serviços. Talvez fosse interessante a participação de ONGs nesse tipo de negócio. No caso do Brasil, creio que o ideal seria deixar de fora qualquer agência federal, principalmente no que diz respeito à fiscalização: seria uma excelente via de infecção corruptora, como outros casos. Enfim, é uma idéia a ser considerada. A equipe do Geófagos está considerando as possibilidades de criar um negócio ou uma ONG para trabalhar com isto, mas por enquanto estamos apenas no plano das idéias.

  3. Laura disse:

    Muito interessante essa idéia.Mas a partir daí podem surgir problemas.Quem paga?Quem fiscaliza?Quem sai realmente beneficiado?Seria essa conservação uma conservação monitorada ou apenas a delimitação das terras?
    A idéia não vai à frente porque o beneficiado imediato é o agricultor ou dono das terras. E ninguém quer ter o trabalho de criar um novo conceito e evoluí-lo para não ver resultados imediatos.

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