Minas e Austrália: mais um incentivo à pesquisa

Encerra-se hoje na cidade de Belo Horizonte, MG, o INOVATEC. O que seria mais uma daquelas feiras de inovações tecnológicas, onde ciência e tecnologia são resumidas a exibição de máquinas agrícolas monstruosas e companhias telefônicas tentando empurrar “exóticos” modelos de celulares e planos nos participantes, este evento foi salvo, a meu ver, pela oficialização do Termo de Cooperação Científica entre os estados de Minas Gerais e Queensland, Austrália. Estiveram presentes no evento o governador de Minas e uma comitiva Australiana, composta de secretários de meio ambiente, pró-reitores e professores da Universidade de Queensland.
Após a oficialização deste termo, soube em conversas extra-oficiais que a Universidade de Queensland, por meio de sua administração, pretende não apenas incentivar, mas facilitar o intercâmbio de estudantes das universidades mineiras e, consequentemente, aumentar a rede de parcerias com as instituições de ensino superior do estado. Em contrapartida, o governo de Minas irá repassar 1% da receita liquida do estado para a FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais). Para o próximo ano, as cifras podem chegar à casa de R$ 300 milhões. Especula-se que num futuro próximo possa haver um edital conjunto, para pesquisa científica, entre os dois estados (Minas Gerais e Queensland), onde os recursos financeiros possam ser utilizados bilateralmente. Ou seja, que os recursos aprovados neste edital possam ser utilizados para o custeio da pesquisa em ambos os paises.
Tal iniciativa, se concretizada, abrirá grande precedente para acabar com grande “inconveniente” das parcerias internacionais, que é o famoso quem irá pagar a conta. O que acontece hoje é o seguinte: pesquisadores ou estudantes brasileiros, mesmo com projetos aprovados, não podem utilizar recursos concedidos pelas agências brasileiras de fomento à pesquisa (CNPq, CAPES, FAPEMIG, etc.) para custear as despesas de suas análises no exterior. Tal fato, gera grande desconforto quando se iniciam os contatos com as instituições internacionais ou pesquisadores porque eles querem ter uma estimativa dos custos das análises e também querem saber quem irá pagar a conta. Como os gastos são geralmente substanciais muitos recebem um não na cara quando informam sobre a impossibilidade de uma contrapartida da instituição do pretendente.
Assim, torçamos para que tal proposta não fique no papel. E, para aqueles que se estão inseridos em atividades de pesquisa no estado de Minas, fiquem de olho nos próximos editais da Fapemig. Pode ser que haja grande oportunidade de ‘atar’ parcerias com pesquisadores da terra dos Cangurus.
Juscimar da Silva

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