A vida humana na Terra como numa placa de Petri.

Por Leonardus Vergütz,
Esse post que escrevo agora começou a surgir após um comentário que fiz no post anterior do amigo Pacheco: “O desenvolvimento sustentável realmente existe?”
Será que o desenvolvimento da sociedade humana pode realmente ser sustentável? Digo isso pois, nesse momento de crise, todos, sem exceção, querem que as coisas voltem ao “normal” o mais rápido possível. Isso porque, caso tudo volte ao “normal”, o passo do desenvolvimento é novamente acelerado ao máximo. Criaremos máquinas cada vez mais fantásticas, o número de pessoas na Terra irá aumentar cada vez mais (nesse ponto o controle de natalidade até que tem sido satisfatório em países desenvolvidos), iremos explorar cada vez mais nossas fontes (finitas, diga-se de passagem) de minérios, petróleo, adubo, etc. Então surge uma nova e intrigante pergunta: Será que todo esse desenvolvimento é realmente “possível”? Essa é a palavra, tudo isso é “possível”?
Quando penso em tudo isso me lembro da época em que estagiei no Departamento de Fitopatologia, durante minha graduação. Nesta época o que eu mais fazia era “cultivar” fungos e bactérias em meios de cultura. Quando “cultivamos” esses microrganismos em placas de Petri com meio de cultura, eles têm um padrão determinado de crescimento. Num primeiro momento ocorre a fase de adaptação (ou fase “lag”), onde o crescimento da cultura é mínimo. Depois vem a fase “log”, de crescimento exponencial da cultura onde não há nenhuma restrição. Posteriormente vem a fase estacionária, onde a cultura já não cresce mais. Isso ocorre porque já começa haver escassez de nutrientes, aumento da competição e porque os microrganismos produzem resíduos (lixo) que são tóxicos à própria cultura. Por último há a fase de declínio e morte da cultura.
Para que essa cultura possa ter o seu crescimento continuado, deve haver uma reposição ou troca de substrato e/ou um controle da divisão (natalidade) dessas células.
Fazendo uma analogia, pense na nossa querida “Terra” como sendo uma grande placa de Petri, onde alguém (Deus, Ala, ETs, ou o que bem entenderem) “semeou” alguns organismos chamados “seres humanos”. Esses organismos se adaptaram bem ao ambiente (fase “lag”) e já chegaram à fase de crescimento exponencial (Se alguém tem alguma dúvida disso assista a esse vídeo. A pergunta que fica é: em que lugar da curva de crescimento esses organismos (seres humanos) se encontram agora? A escassez de alimento e água já é um problema para esses organismos? A competição entre eles já é grande? O lixo que eles próprios produzem já está se tornando um problema?
Será que o nosso destino será atingir a fase de declínio também? Iremos acabar com todo o substrato existente em nosso meio de cultura (Terra) e enchê-lo de lixo? Conseguiremos realmente dar continuidade ao tão desejado desenvolvimento sem que esgotemos todas as nossas fontes de recursos? Será que não é hora de aproveitarmos essa crise para repensarmos como queremos nos desenvolver?
Alguns podem achar que tudo isso não passa de uma grande besteira, ou de devaneios de um simples doutorando. Mas pense bem! O termo “controle de natalidade” soa estranho para você? E as expedições espaciais que sempre procuram por água e minério na Lua ou em Marte? Será que estão querendo renovar o substrato da Terra? Ou quem sabe estão querendo mudar de placa de Petri?

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Discussão - 5 comentários

  1. manuel disse:

    Boa tarde
    Em primeiro lugar,obrigado por me ter recordado as placas de Petri e algumas coisas que elas sugerem.
    Depois,sublinhar as suas várias interrogações,na parte final do post. Foi bom que as fizesse. São como que sinais de alarme.
    Finalmente,lembrar(não sei como isto me ocorreu),uma belo conto de Fernando Sabino(não conheço mais nada dele)- O MENINO NO ESPELHO.
    “Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz o resto de sua vida?… Pense nos outros…”
    Saúde e continue a “ler” as placas de Petri.
    Ah,e desculpe a intromissão.

  2. João Carlos disse:

    A segunda opção (“trocar de placa de Petri”) é a mais provável… principalmente porque — mesmo que ainda dure uns cinco a seis bilhões de anos — nosso Sol tem “prazo de validade”.
    Então, mesmo que a sociedade consiga uma solução “sustentável” (que — salvo melhor juízo — implica em não haver “crescimento”), é inevitável que (caso não pereça antes) a raça humana tenha que mudar de endereço no Cosmo.

  3. Leonardus, reflexão interessante. Me lembro do meu professor de Biologia Educacional falando sobre a diferença de sustentável e sustentabilidade.
    Mas será que depois do declínio de uma cultura, não surge outro organismo que é capaz de viver nesta placa?

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