A esperança, a ilusão e os atrasos da humanidade

Por Elton Luiz Valente

Nota: O título destas linhas poderia muito bem ser Um Pouco de Semântica (o que diz respeito ao significado dos signos, das palavras), ou Para Falar de Semântica e Advérbios (de que, segundo Reinaldo Azevedo, Umberto Eco tanto gostava em O Nome da Rosa), mas eu prefiro este título que foi usado porque ele é imperativo. Alguém pode observar que esperança e ilusão não são advérbios, muito pelo contrário, são substantivos. Correto! Mas são palavras muito ligadas “ao modo” como a humanidade conduz as coisas. E o modo é a seara dos advérbios. Por isso, talvez, Umberto Eco gostasse tanto deles. É na subjetividade (adverbial) que se desvenda a essência da humanidade.

Enfim! Existem algumas coisas da essência humana que tornam este mundo pior. Eu as considero como subprodutos, ou efeitos colaterais da inteligência humana. Um exemplo? A ilusão! Ilusão somada à esperança é então um veneno. A ilusão de que existe vida após a morte e um paraíso a ser conquistado, e regido por Deus, já rendeu muitas epopéias homéricas, a grande maioria delas sanguinárias, com guerras, destruições, martírios, caça às bruxas, execuções sumárias e genocídios.

A esperança, sozinha, é muitas vezes benéfica. Exemplos? Para ficar apenas naqueles assistidos por minha geração: tínhamos a esperança de ver o Muro de Berlim ruir. Ruiu! Ou seja, na queda o Comunismo (histórico) foi junto. Não tínhamos a ilusão de que o mundo seria maravilhoso depois da queda do muro, não! O mundo, por assim dizer, apenas voltaria à sua “pulsação” normal, à sua “velocidade de cruzeiro”. O muro era apenas um obstáculo (sobretudo simbólico, adverbial), um efeito retardador.

Antes disso, muitos acreditaram (olha aí a ilusão) que o Comunismo pudesse deixar o mundo mais justo e igualitário. Inclusive combatiam as religiões, tratando-as como “ilusões burguesas” (no Brasil produziu-se uma excrescência híbrida chamada Teologia da Libertação). Enfim! Na seqüência surgiram ditadores comunistas iguais ou muito piores do que os outros. Para explicar de outro modo, observem um detalhe: a esperança quando acaba se dá, geralmente, sob um processo brando, às vezes nostálgico. A ilusão quando acaba, é em razão de um processo traumático, ou desencadeia um processo traumático. Pois a esperança não é definitiva, ao contrário, é diplomática, maleável. A ilusão é definitiva, e tem efeito psicotrópico, opiáceo. A esperança pode ser praticada sozinha, sem ser “assaltada” pela ilusão. O verbo acreditar, usado no início deste parágrafo, é o oposto, está a um passo da ilusão, principalmente quando conjugado no presente do indicativo, aí a receita é quase infalível. Por isso Tomé, o apóstolo, precisa ser respeitado, porque era um sábio e não um incrédulo simplesmente.

Outro exemplo, mais contemporâneo ainda: muitos acreditaram (a ilusão de novo) que o Partido dos Trabalhadores (PT) fosse resgatar a Ética e a Moralidade “como nunca antes na história desse país“. O que se viu foi um escárnio despudorado, público e notório, como nunca antes na história deste país, inclusive com lances absurdos, inacreditáveis, de uma promiscuidade nojenta e autofágica entre os Três Poderes da República. Leiam A Revolução dos Bichos, de George Orwell, está tudo lá! E olha que o original do livro foi publicado na Inglaterra em 1945.

Uma questão de hoje: Os EUA, e o mundo, tinham a esperança (I have a dream, M. L. King, 1963), de ver um negro na Casa Branca. Ele chegou! O problema é que junto dessa esperança vem a ilusão de que tudo vá mudar para melhor. Ilusão!

Outra esperança umbilicalmente unida e ungida na ilusão é a de que um dia haverá paz no Oriente Médio. Para se vislumbrar uma remotíssima possibilidade (o que é uma utopia das grandes) seria preciso de início restaurar o mapa do Oriente Médio, restaurar as fronteiras anteriores ao domínio franco-britânico do acordo Sykes-Picot (1916), ou seja, o mapa do Império Otomano. Fazer com que judeus e palestinos esqueçam essa bobagem de cada um ter um país próprio, assim como o povo do sul do Brasil esqueceu a República dos Pampas, e convivam, numa adversidade branda e respeitosa, como paulistas e sulistas. Sabe a probabilidade de acontecer isso? É nula! O porquê eu já disse no início deste parágrafo. A esperança ungida na ilusão!

Quero dizer, com essa história toda, que a humanidade é refém de suas próprias crenças e ilusões. Dando pouco valor à lucidez e à racionalidade (ferramentas da ciência). E estas, podem sim, fazer par com a esperança em alguns momentos. E são elas, a lucidez e a racionalidade, que poderiam nos tirar da Caverna (de Platão). Poderiam, mas não podem! Não podem porque a ilusão não deixa!

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Discussão - 17 comentários

  1. clau disse:

    Elton,
    Vou ser breve em meu comentário. Gostaria de parabeniza-lo pelo texto, pois a forma como usou as palavras nos leva de um mundo real, repleto de complicações, ilusões e desilusões a um mundo literário, um mundo de esperanças através da musicalidade das palavras.
    Enquanto professora de letras, li o seu texto com “olhos de poesia” e o que me levou a admirá-lo, visto que, muitas vezes a vida é vista e levada muito a sério, esquecemos que devemos viver e não apenas sobreviver.
    Quanto a alguns comentário que li, gostaria de salientar que a ideologia é, como sabemos, uma característica do ser humano, portanto cada texto é interpretado de acordo com nossa historicidade enquanto ser ideológico.Isso quer dizer que em um texto, cada indivíduo que o le, tem uma interpretação singular sem necessidade de afrontos.
    Abraços.

  2. Você é um burro disse:

    nunca li algo que voce escreveu
    mas nao estava fazendo nada nesta terça feira a noite
    entao procurei na internet alguma ligação com a igualdade social e o tedio q ela iria trazer pra sociedade
    e acabei lendo isso que voce disse
    e tenho q te dizer uma coisa
    a ilusão nao existe no momento em que a pessoa constroi sua ideia
    mas sim com o passar do tempo em que pode-se constatar se a pessoa defendia uma ideia q se tornou realidade ou que apenas foi uma discussao de um assunto q poderia ser diferente
    o que estou querendo dizer pode ficar melhor entendido se voce pensasse no muro de berlim
    se ele exisitisse ainda hoje
    a ideia da queda do mundo de berlim seria uma ilusao
    mas como a queda se realisou
    passa a ser uma verdade
    e a ideia passa a ser uma esperança que as pessoas tinham antes da queda
    logo
    a ilusao nao se passa de um titulo q nos damos as ideias nao concretisadas e que acabaram sendo frustradas por falta de defensores ou por nao surgir um pode maior a favor da ideia que o poder que a reprimi
    voce é um burro q tem um otimo portugues pra se espressar
    queria saber esta lingua como voce sabe
    assim poderia juntar bons pensamentos com um bom vocabulario
    nao um bom vocabulario com pensamentos fracos

  3. manuel disse:

    Caro Elton
    Agradeço a sua disposição a meu respeito e vou aproveitá-la já,pois posso já não estar cá amanhã,o que era uma pena. E aí lhe deixo umas pedras de tropeço que recolhi por aí,nalgumas vias,mas ainda ficaram lá muitas.
    Produção de armas. Produção de drogas. Compra de umas e outras. Paraísos fiscais. Nacionalismos exacerbados. Tráfico de crianças. Abuso de crianças.´Tráfico ilegal de órgãos. Cobiças. Invejas. Ciúmes. Despeitos. Vaidades. Raças. Etnias. Tradicionalismos doentios. A galinha da minha vizinha é melhor do que a minha. Dantes é que era bom,que saudades. Eu cá nunca erro,que ideia. Eu cá não sou desses. Proteccionismos. Nepotismos. Tráfico de influências. Passagens por favor. Tráfico de mulheres. Coisas do passado que nunca esquecem. A Velha Europa. As guerras por tudo e por nada. Nunca irei eaquecer o que me fizeram,a mim e à minha família. Traições.Enganos. Explorações. Ofensas de bradar aos céus. O que eu passei nem ao meu maior inimigo o desejo. Fomes disto e daquilo. Miséria. Carências de coisas fundamentais. Consumismo desenfreado. Oh mãe,eu quero,e pronto. As modas soberanas,muitas sem jeito nenhum,para alguns,claro,haja respeito. Intolerâncias. Absolutismos.Medos. Ameaças. Chantagens. Faz de conta. Fronteiras. Eu cá é que sei. Mentiras descaradas,e sem o ser. Hipocrisia,que bicha esta. Descrença.E Deus que não há meio de aparecer,ali bem à frente,a dar uns valentes puxões de orelha a gente que perdeu a vergonha,sabe-se lá porquê. Ele tem havido tantas invasões,tantos cruzamentos,eu sei lá de quem são os genes que em mim moram. A sorte que eu tive de não ser isto ou aquilo,uma variedade de caras e de pareceres. De uma só cara e de um só parecer,parece haver muito poucos,também vá-se lá saber porquê. A sorte que eles tiveram,ou não,sabe-se lá. Se calhar,tramaram-se,é o mais certo. Mas isso que importa?,como dizia alguém de muito mérito,pois há-de se abrir uma porta onde me ponham um pratinho de sopa à porta,que eu não quero incomodar.
    Com pavimentos assim,com vias assim,ruas,avenidas,travessas,becos mesmo,como se vai lá chegar? Não vai,está-se mesmo a ver. São muitas as pedras de tropeço. Atapetam os pavimentos,atafulham as vias. Não se pode lá chegar,onde se devia ir.
    Não são os Nietzches,não são os Platões e outros da mesma envergadura que nos podem valer. De resto,estão mortos. E DEUS ninguém O viu assim,morto. Vivo também não,é certo.Mas há uma esperança. Só ELE nos pode valer,a chegar lá,onde homens e mulheres de boa vontade queriam ir,ainda que não saibam lá muito bem onde. LÀ.
    As minhas muitas desculpas,Elton,e a renovação dos meus agradecimentos pela sua boa disposição em me aturar.

  4. Manuel,
    Sinta-se sempre à vontade para expressar suas opiniões aqui no Geófagos, quantas vezes achar necessárias.
    Sobre Nietzsche, eu também não conheço toda a obra dele, mas o que li me agradou muito.

  5. Obrigado manuel, mais uma vez!
    É como você disse, e aqui no Brasil não é diferente, aliás é muito comum: em nome dos desprotegidos essa gente chega ao poder e, uma vez no poder, revelam verdadeiramente à que vieram.

  6. Prezado Luiz,
    Suas contribuições são sempre muito oportunas aqui no Geófagos, pelo que lhe somos gratos. Gosto muitíssimo da filosofia de Nietzsche, embora ele seja o autor mais difícil de ler que eu já encontrei.
    Quanto aos meus comentários políticos, é só um discurso um pouco mais incisivo de quem se decepcionou bastante com essa gente e, inspirado em Nietzsche, às vezes perco a paciência com os hipócritas. Mas, enfim! Se na vida tivermos tempo para rever pelo menos a maior parte dos nossos erros, já terá valido a pena.
    Peço desculpas por algum ponto mais incisivo, talvez pouco ético, dos meus textos e comentários.
    Mais uma vez, obrigado por sua atenção!

  7. manuel disse:

    Caro Elton
    Outra vez? Outra vez,para uma provocação,ou não,sabe
    -se lá?
    Li o comentário de Luiz Bento-Nietzch(Nietzch,de quem,apenas,tenho ouvido falar,para minha grande vergonha; não se pode saber de tudo,ainda que pela rama,não é?,seja isso descontado nos meus grandes pecados).
    Einstein,de quem sei também muito pouco(mas que refinadíssimo
    ignorante!),parece ter dito que “The religion of the future will be a cosmic religion. It should transcend personal God and avoid dogma and theology”.
    Se ele tivesse afirmado isto e tivesse acertado,como o fez para outras coisas,que eu não sei(sabendo mesmo)quais são. Já é descaramento a mais.
    Olhe,Elton,tem de desculpar,mas,às vezes,dá-me para isto.

  8. Luiz Bento disse:

    Fala Elton,
    Discordo bastante do seu comentário político, mas concordo com o discurso sobre a “esperança”. Não só eu, mas Nietzsche também. Olha só um trecho do “Anticristo” em que ele fala sobre a esperança:
    “No seu íntimo o cristianismo possui várias sutilezas que pertencem ao Oriente. Em primeiro lugar, sabe que é de pouca relevância se uma coisa é verdadeira ou não, desde que se acredite que é verdadeira. Verdade e fé: aqui temos dois mundos de idéias inteiramente distintas, praticamente dois mundos diametralmente opostos – os seus caminhos distam milhas um do outro. Entender esse fato a fundo – isso é quase o suficiente, no Oriente, para fazer de alguém um sábio. Os brâmanes sabiam disso, Platão sabia disso, todo estudante de esoterismo sabe disso. Quando, por exemplo, um homem sente qualquer prazer através da idéia de que foi redimido do pecado, não é necessário que seja realmente pecador, mas que simplesmente sinta-se pecador. Mas quando a fé é exaltada acima de tudo, disso segue-se necessariamente o descrédito à razão, ao conhecimento e à investigação meticulosa: o caminho que leva à verdade torna-se proibido. – A esperança, em suas formas mais vigorosas, é um estimulante muito mais poderoso à vida que qualquer espécie de felicidade efetiva. Para o homem resistir ao sofrimento deve possuir uma esperança tão elevada que nenhum conflito com a realidade possa destruí-la – de fato, tão elevada que nenhuma conquista possa satisfazê-la: uma esperança que alcança além deste mundo (precisamente por causa do poder que a esperança tem de fazer os sofredores persistirem, os gregos a consideravam o mal entre os males, como o mais maligno de todos males; permaneceu no fundo da fonte de todo o mal(1)). – Para que o amor seja possível, Deus deve tornar-se uma pessoa; para que os instintos mais baixos tenham seu espaço, Deus precisa ser jovem. Para satisfazer o ardor das mulheres, um santo formoso deve aparecer na cena; para satisfazer o dos homens, deve haver uma virgem. Tais coisas são necessárias se o cristianismo quiser assumir controle sobre um solo no qual o culto de Afrodite ou de Adônis já tenha estabelecido a noção de como uma adoração deve ser. Insistir na castidade aumenta grandemente a veemência e a subjetividade do instinto religioso – torna o culto mais fervoroso, mais entusiástico, mais espirituoso. – O amor é o estado no qual o homem vê as coisas quase totalmente como não são. A força da ilusão alcança seu ápice aqui, assim como a capacidade para a suavização e para a transfiguração. Quando um homem está apaixonado sua tolerância atinge ao máximo; tolera-se qualquer coisa. O problema consistia em inventar uma religião na qual se pudesse amar: através disso o pior que a vida tem a oferecer é superado – tais coisas sequer serão notadas. – Tudo isso se alcança com as três virtudes cristãs: fé, esperança e caridade: as denomino as três habilidades cristãs.”
    http://www.culturabrasil.pro.br/oanticristo.html

  9. manuel disse:

    Caro Elton
    Cá estou eu,de novo,ainda não sei bem porquê e para quê. Ao porquê,dou um jeito. Como se diz por aqui,não há duas,sem três. Quanto ao para quê,não sei bem,repito. Olhe,é o quesair,não tenho culpa.
    Para já,quase uma coincidência,notável,mesmo.É o que estou cá longe, fez-me lembrar o Chico Buarque. A si, foi o Caetano Veloso.
    Mas passemos adiante. Olhe,estava muito longe de ler o que disse daqueles nomes. A mim pareceu-me,daqui,cá de longe,que o seu estar,deles, era um comprometimento sério a favor dos desprotegidos,que os há tantos,não só aí. Não lhes acenar apenas com o paraíso,lá no outro
    mundo,enquanto se vão aprecatando com o cá de baixo .São os sem voz,hoje,ontem,anteontem,e,talvez,
    no futuro,se o houver.
    Eu bem sei que os sem voz,uma vez tendo-a,pelas mais diversas vias,se irão comportar como os demais. São homens,ou mulheres. Com excepções,certamente,as pessoas la se vão acantonando de acordo com o seu pé de meia. Estou-me a recordar,a propósito,do apelo da poetisa Rosalia de Castro aos seus irmãos galegos- Não emigreis.
    Somos assim,o que se há-de fazer?
    De maneira,que resta sonhar,como o Elton faz.
    É o sonho que comanda a vida,do poeta António Gedeão. É pelo sonho é que vamos,de outo poeta,o Sebastião da Gama. I have a dream,do L.M. King. E tantos outros sonhos,um nunca mais acabar,uns,amplos,a abarcar o mundo,outros onde cabe apenas um homem ou uma mulher. Mas ai,se,um dia,se deixar de sonhar,sobretudo,utopias. Será o fim,como dizia Júlio Dinis,um escritor da língua portuguesa.
    Agora,indo ao ínício do seu post.
    A semântica,a subjectividade.A subjectividade,o todo-poderoso Eu,e o Outro,o TU,todo-podeoso,também. De arripiar. Só quando Eu eTu forem UM SÓ. Caim matou Abel,é o que têm feito tantos Cains ao longo de milénios.
    UM SÒ. Pobre ComunismoHistórico,ou sem o ser. Pobre outro qualquer Ismo. Espera-o lá,numa esquina,o Homem,ou a Mulher. E é o fim. Olhe,às vezes,penso ser um grande milagre,isto ainda mexer.
    Olhe,é melhor parar por aqui,que eu já nem sei onde é que vou.
    Ah,só mais uma. Não se esqueça do
    TERRITÓRIO,o sagrado território. Para cá é tudo MEU. Não repararam na tabuleta? E um dia,tendo arranjado um escopeta melhor,certamentema melhor do mundo e arredores,muda a tabuleta os metros que entender,e estão com sorte o serem só aqueles.
    Pronto,tem de ser. Tudo tem um fim.
    Muitas,e muitas desculpas,se chegou aqui,pedindo perdão,porque ele não sabe o que diz.

  10. P.S.
    Jorge,
    Penso que é preciso fazer um exercício hercúleo de humildade, aceitação e conformismo, um esforço sobre-humano, para não ter preconceitos contra Lulistas, Petistas, Comunistas, e etc.
    Contra PMDB-istas, PFL-istas e os outros, já tínhamos preconceitos porque também era impossível não tê-los. Dizem que Pero Vaz de Caminha escreveu a sua famosa Carta de Achamento do Brasil em um papel timbrado do PFL (hoje DEM).
    O mesmo.

  11. Prezado Jorge,
    Com suas palavras você reaviva minha esperança, que até então eu trazia com carinho no meu velho baú das quimeras e das inspirações perdidas.
    Se a “etapa posterior” for a consubstanciação, a realização do Anarquismo Histórico e Romântico, como você sugere, eu só posso dizer que é tudo o que eu poderia esperar, mesmo que não seja pra mim, mas pelo menos para nossos filhos e filhas.
    Mas para isso, ainda falta “enforcar o último governante nas tripas do último bispo”.
    Não tenha dúvidas, nós estaremos lá, nem que seja como dizia o saudoso Raulzito (que talvez tenha sido o último Anarquista): “porque eu continuarei neste homem, nos meus filhos…”
    Até lá!
    E.T. Devo lembrá-lo, creio que você sabe disso, Marx e Engels NUNCA FORAM COMUNISTAS! Esta é uma confusão muito comum entre estudantes e desavisados.

  12. Jorge Oliveira disse:

    Já que escorregamos para opiniões pessoais e impressões culturais a partir de um texto contaminado por substantivos etéreos – como ilusão e esperança – permitindo variantes ideológicas e preconceitos, gostaria apenas de lembrar aos cientistas de plantão que o regime político rcional, equilibrado e justo para todos e todas ainda é resultante dos estudos de Marx e Engels. E pasmem, incrédulos, se acham improvável um regime de pleno comunismo baseado na democracia direta de conselhos assembleísticos, ameaço-vos com a etapa posterior, que será a plena liberdade e realização dos indivíduos em uma coletividade mundial anarquista. Ou seja, sem a mínima ierarquia, tão ao gosto de elitistas atrazados e vigilante da esperança.
    E a esperança repousa nas gerações futuras. Você pode até não gostar, mas sua filha gosta !

  13. Prezado Manuel,
    Você me ajudou muito com sua afirmação “má interpretação minha, que estou cá longe”. Em uma canção de Caetano Veloso tem a expressão: “de perto ninguém é normal”.
    Fazendo uma releitura de Caetano, eu digo que essas pessoas “de longe parecem normais”. A Teologia da Libertação foi desacreditada por duas razões principais: a primeira é mérito do atual Papa, Ratzinger, enquanto “Ministro”, ou melhor, Prefeito, de João Paulo II, que acabou com “a farra” dessa gente, excomungando-os sumariamente. A segunda razão foi a queda do Comunismo (histórico), que era uma das bases dessa ideologia.
    A Teologia da Libertação é uma excrescência ideológico-político-esquerdista-comunista-marxista-religiosa-latinoamericana, canhestra e hipócrita.
    Tive a oportunidade (um desprazer, diga-se) de assistir a uma palestra do tal Leonardo Boff: é uma patacoada, além de entediante.
    Enfim! Essa gente, ligada ao petismo (PT), ao lulismo (Lula), ao comunismo, ao obscurantismo e muitos outros ismos, não é de confiança. É uma turma que não perde a oportunidade de atacar instituições nobres e necessárias nas democracias como a liberdade de imprensa, a ciência, a educação laica sem viés ideológico ou religioso, entre outras coisas.
    Espero tê-lo ajudado, ou pelo menos explicado minhas colocações lá no texto principal.

  14. manuel disse:

    Caro Elton
    Muito obrigado,pelo seu acolhimento.
    E aqui estou eu,mais uma vez,numa intervenção ainda mais breve,para defesa minha,que estou cá longe.
    Referiu-se à Teologia de Libertação. Ao passar por aqui,vieram-me logo à memória uma série de nomes,e que nomes,mais ou menos ligadas à ela.
    Pedro Casaldáliga,Leonardo Boff,Frey Betto, Helder Câmara,Jon Sobrino,Juan José Tamayo,e,dalgum modo,Psulo Freire
    Certamente por má interpretação minha,que estou cá longe,parecia-me que estes nomes não ficariam nada mal na tal esperança.
    E pronto,cheguei ao fim.Era só isto,mas que isto.
    Boa noite,e mais uma vez,nunca é demais,os meus muitos agradecimentos.

  15. Prezado Manuel,
    Antes, lhe agradeço muito o elogio.
    Como você muito bem colocou em seu comentário, “estamos na vida, mas não estamos preparados para ela”.
    Vejo, com alguma tristeza que, embora saibamos que a vida “não é um mar de rosas”, como você afirmou com muita propriedade, o homem comete pequenos erros, pequenos equívocos, alguns até por “subjetividade adverbial” que, no fim, no somatório final, dificultam muito essa nossa saga, enquanto seres pensantes, e essa nossa trajetória, enquanto animais viventes.
    Mas é preciso ter alguma esperança, e muita lucidez e racionalidade. Talvez, um dia, a civilização se torne um pouco menos complicada, menos autodestrutiva, pois a Terra é um bom lugar de se viver (e é o único que temos à nossa disposição).

  16. manuel disse:

    Caro Elton
    Vou ser breve,para me poupar a mim,e,talvez,a mais alguém.
    Depois de ler a sua crónica(de um bom colunista,ou cronista,como queira),fiquei como o Elton. A ilusão não deixa.
    Olhe,Elton,do que se sabe da história antiga,e da que nos coube,apetece dizer que estamos na vida,mas não estamos preparados para ela,isto na suposição de que ela devia ser um mar de rosas,o paraíso, digamos.E todos sabemos que não é,mas sim,antes, um inferno.
    Aparentemente,há uns que escaparam,e escapam. Mas sabe-se lá o que lhes ia,ou vai, lá por dentro.
    Mas,apsar de tudo,a esperança não morre,não deve morrer.Pode ser que venha um tempo,um tempo novo,em que tenha fim a floresta de enganos,já de muitos,muitos anos,as sucessivas ilusões da vida.
    Que Deus,ou a racionalidade e a lucidez,criações de Deus,triunfem um dia. Haja ESPERANÇA.
    Que venham mais crónicas. Muita saúde e muito bom trabalho.

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