Essa semana a ciência brasileira sofreu um duro golpe. Nada mais, nada menos que 18 % do orçamento elaborado pela União foram "foiçados" pelo congresso Nacional. Ainda não sentiu o drama? Isso equivale a cerca de 1,2 bilhões de reais. Isso mesmo, 1,2 bilhões de reais (comparado a países desnvolvidos isso é pouco, mas para a ciência brasileira...)! Esse valor é 10 % maior que toda a receita a agência financiadora estadual mais bem provida financeiramente do país, a Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa de São Paulo), segundo publicou a Folha Online em sua edição do dia 22/01/2009.
O estapafúrdio ato foi elaborado pelo senador petista Delcídio Amaral (MS), aquele mesmo presidente da CPMI dos correios. Alguém poderia, por obséquio, avisar o senhor relator que, só os benefícios que ele pode receber mensalmente, pagam algo em torno de 5 bolsas de doutorado (cerca de R$ 1800,00). Se multiplicarmos os benefícios (veja que não estou falando de salários e sim de benefícios) de "vossas excelências" (que podem chegar a cerca de R$ 10000,00) pelo número de Deputados Federais e Senadores (513+27 = 540) chega-se à quantia de R$ 5400000,00. Dividindo isso pelos citados R$ 1800,00, chegaríamos a cerca de 3000 bolsas de doutorado mensais. Se cortes têm realmente que serem feitos, por que não começar com as mordomias de "nossos representantes"?
Acho que é desnecessário tecer comentários a respeito da relação custo-benefício de pagar-se bolsas de doutorado (ou mestrado) quando comparadas aos "mimos" pagos à vossas-excelências, né? Além disso, o Brasil segue no rumo oposto das grandes economias mundiais. Enquanto eles investem em ciência e tecnologia para sair da difícil situação, aqui corta-se verbas dessa mesma área.
Essa notícia me fez lembrar a "dark age" do intelectual sociólogo e de seu discípulo, ministro da educação Paulo Renato de Souza. Quem não se lembra da política de "arrochamento" adotada para com as Instituições Federais de Ensino? Bolsistas da época sabem bem do que estou falando, afinal de contas foram 8 anos de congelamento.
Ademais, será que teremos que voltar à era de peregrinação aos laboratórios em busca de reagentes e equimpamentos, a boa e velha "saga em busca do ácido clorídrico"? E os recém aprovados Institutos Nacionais de Tecnologia, como ficam? Será que, como disse o próprio ministro Sérgio Rezende, bolsistas realmente serão "demitidos"? São perguntas ainda sem resposta e que, dependem sobretudo, da força política do presidente Lula. Afinal, não é ele o ícone petista?
Espero, sinceramente, que as melhorias advindas da política para com a educação federal do atual governo e praticadas desde 2002 não sejam jogadas ralo abaixo agora. Pro-Unis, Reunis, reajustes salariais e de bolsas de nada adiantam sem verbas, infra-estrutura, equipamentos e matéria prima suficientes para condução dos trabalhos. O momento EXIGE pesado investimento em tecnologia. É hora do presidente honrar o seu discurso na WEC 2008 (World Engineers Convention), realizada em Brasília. "Esta crise internaciolnal obriga a todos nós, de forma profunda, a desenvolver uma capacidade imensa de melhor aproveitar os recursos e propor soluções. É momento da retomada do desenvolvimento", foram as palavras de Lula. Em suma, o governo pretende investir em tecnologia e, para tal, deve articular-se politicamente para revogar a infeliz decisão do Congresso Nacional.
Carlos Pacheco

Comments (4)
Lembro dos 8 anos de congelamento.
Lembro também de que na época em que já estava 8 anos sem aumento eu vi um adesivo velho em uma parede de uma biblioteca, no qual estava escrito, "quatro anos sem aumento, eu não aguento!" :-) Já passava 8 anos e estava aguentando. :-)
Posted by: massacritica | janeiro 26, 2009 8:05 AM