Mudanças: cultivo protegido

Nestes últimos sete meses a quantidade de mudanças por que eu e minha família passamos foi impressionante: mudamos de cidade, mudei de universidade, mudamos novamente de cidade e eu de nível, deixei de ser um estudante e me tornei até que enfim um pesquisador realmente. E mudei completamente de área de pesquisa. Durante minha pós-graduação trabalhei com a interação entre o solo e a matéria orgânica, agora trabalharei com uma das áreas da horticultura que menos utilizam o solo: o cultivo protegido.

O cultivo protegido é resumidamente um conjunto de práticas de agricultura em que se modifica drasticamente o meio para se atingir o crescimento vegetal ótimo. Para se alcançar este nível de otimização, o cultivo é realizado em um ambiente protegido, em geral estufas (greenhouses). Embora às vezes o plantio seja feito diretamente no solo, o mais comum é que se utilize práticas hidropônicas ou aeropônicas em substratos inertes. Desta forma, além de se controlar o ambiente físico, monitorando temperatura e umidade, controla-se também o ambiente radicular, a disponibilidade de nutrientes, pH da solução nutritiva, temperatura da água. É de certa forma uma visão urbana e futurista da agricultura. Aliás, se a humanidade algum dia estabelecer colônias em outros planetas ou na lua, a produção de alimentos deverá ser feita em ambientes protegidos, utilizando-se a maior parte da tecnologia desenvolvida aqui mesmo.

Na Terra, no entanto, a prática do cultivo protegido visa produzir alimentos principalmente em períodos ou lugares em que as condições climáticas locais são ou estão inadequadas ao plantio a céu aberto. Em geral, esses períodos são também aqueles em que as cotações dos produtos são mais altas, exatamente pela escassez no mercado. Eis por que as hortaliças hidropônicas são comumente mais caras. A agricultura protegida, principalmente a horticultura,  pode ser praticada inclusive em locais em que há escassez de terras. Existem inclusive propostas de criação de fazendas verticais em um mundo excessivamente urbanizado. O cultivo em ambiente protegido pode além disso tornar o uso de água e nutrientes, além de outors insumos, uma prática mais racional em um mundo de recursos naturais escassos ou escasseando.

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Discussão - 6 comentários

  1. manuel disse:

    Caro Ítalo
    Não resisti,desculpe. Ao mexer nuns papéis,já muito amarelos,sabe o que é que eu encontrei? Um escrito,em que,mais uma vez,se confirma que qualquer coisa aparentada com quimiotropismo me levou a si.
    O escrito é de 1952,e reza assim.
    “A partir de 1860,ano em que Sachs e Knop conseguiram,utilizando soluções aquosas de determinados sais,obter plantas tal como nas condições de campo,foi possível iniciar a investigação da nutrição das plantas nos seus múltiplos aspectos(Stiles,W.-Trace elements in plants and animals.Cambridge University Press.1946).Ensaiando as mais diversas plantas e soluções de qualidades diferentes,conseguiu-se,de entre todos os elementos que o quadro de
    Mendelyeev apresenta,determinar alguns que mostram ser essenciais à vida normal das plantas.
    Uma prova de que os resultados são
    dignos de confiança está no revolucionário e económico processo(Ellis,C.and Swaney,M.E.-Soiless Growth of Plants. 2.nd Ed.
    Revised and Enlarged by Ton Eastwood.New-York:Reinhold Publishing Corporation.1947),pelo
    menos em certas circunstâncias,de obter varíadíssimas culturas sem que se tenha de empregar o primário e clássico meio do lavrador – a terra.”
    Está a ver? Isto cheira mesmo a quimiotropismo.
    Desculpe,mais uma vez,mas não resisti.
    Muito boa saúde,muito bom trabalho,e,mais uma vez,os meus agradecimentos pela sua amável aceitação,e também compreensão.

  2. Paula disse:

    Claro que é!
    Eu adoraria cultivar minhas próprias hortaliças (ainda mais se eu pudesse usar o composto produzido pelo minhocário que já está na ativa).
    Hoje em dia tenho problemas principalmente com excesso de vento. Muitas plantas simplesmente morrem ou ficam com as folhas tão miudinhas que dá dó.

  3. Ítalo M. R. Guedes disse:

    Ó Manuel,
    Aqui dizemos “agrônomo do asfalto”. Também creio que trabalhar com cultivo protegido nestes tempos de grandes mudanças (inclusive climáticas) e de intensa urbanização é uma oportunidade e tanto. Como sou desde pequeno fã de ficção científica, não resisti a fazer o comentário da potencial utilização da agricultura protegida em futuras colônias extraterrestres. Olhe, quanto à mobilização mínima, que acredito ser o mesmo que chamamos aqui no Brasil de cultivo mínimo ou plantio direto, acho que nem tão cedo se tornará peça de museu: a área plantada utilizando este tipo de manejo cresce muito no Brasil, principalmente nos extensos plantios de grandes culturas sobre os solos ácidos do Cerrado brasileiro. Principalmente agora, em que se dá bastante ênfase ao solo como eficiente sumidouro de carbono pela síntese de matéria orgânica do solo.
    Como sempre seus comentários são muito relevantes. Vejo que teve uma ampla experiência em diversos campos da Agronomia.
    Grande abraço.

  4. Ítalo M. R. Guedes disse:

    Uma estufa no apartamento acho que não é necessário, mas há comercialmente kits de hidroponia que podem ser montados tranquilamente em um apartamento. Por outro lado, já vi mini-estufas em alguns prédios. Sua pergunta é a sério? Se for, posso ver algumas alternativas para você.

  5. manuel disse:

    Caro Ítalo
    Em primeiro lugar,venho mostrar o meu grande agrado por o ver regressar aqui aos Geófagos,em plena forma,depois de ter estabilizado a sua vida familiar. Que tudo progrida como deseja,como sonhou,são os meus votos.
    Ora aqui temos o Ítalo feito,não agrónomo de quinto andar,como nós cá dizemos,mas um agrónomo ,por assim dizer,urbano,um agrónomo para realidades plenamente futuras. É que pelo andar da carruagem,as gentes cada vez mais se vão acantonando em grandes metrópoles,para não falar,também,como referiu,na Lua e acompanhantes.
    E como elas precisam de “verdes”,o mais possível fresquinhos,não há outra saída,senão estruturas verticais,horizontais,subterrâneas,até,que o engenho do homem é capaz de tudo,ali mesmo ao pé das bocas.
    Portanto,o Ítalo acertou em cheio.
    Ainda sou do tempo da mobilização
    míima,um outro grande avanço na agricultura clássica,que passará,
    igualmente,a ser peça de museu.
    Mas certos princípios permanecem,como alimentar qualquer ser,e,eles,até nova ordem,não mudaram.E é o azoto,o fósforo,o potássio,o cálcio,o magnésio,os micronutrientes,a água,as raízes,as folhas,para as pulverizações,se calhar os quelatos,enfim,a ciência clássica.
    É,claro,que há ainda o resto,e desse não percebo nada,embora tivesse feito alguma experimentação com vasinhos em estufa,mas de maneira artesanal,adubando e regando,com regadores,um trabalhão,não da forma sofistificada como vai operar. Mas repito,é um consolo saber,que se tem de atender ao N,ao K,etc.,etc.
    E pronto,para repetir,o Ítalo acertou em cheio,entrando com o pé direito na agricultura novíssima,astral.
    Muita saúde,muito bom trabalho,muitos progressos.

  6. Paula disse:

    Ítalo!
    Quais as chances de eu montar uma estufa de cultivo protegido no meu apartamento?

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