Alimentos que brotam das gôndolas dos supermercados

Às vezes fico pensando que algumas pessoas não se lembram de onde vêm os alimentos. Uma dessas vezes aconteceu ontem quando li o texto comentado pelo Ítalo no post abaixo. Concordo em gênero, número e grau com o Ítalo e talvez nem precisasse escrever este post, pois ele já disse boa parte das coisas que eu diria. Mas faço questão.
São dois pontos. Primeiro, sobre a produção dos alimentos que consumimos e que nos mantêm vivos. A impressão que tenho é que algumas pessoas que viveram a vida inteira (ou quase) em grandes centros e que não têm nenhum contato (mesmo que indireto) com o campo, acreditam que os alimentos brotam nas gôndolas dos supermercados. É muito legal chegar no seu apartamento no fim de um dia cansativo de trabalho, abrir a geladeira e encontrar lá dentro as coisinhas que você trouxe do super ou do hipermercado, de preferência já picadinhas e embaladinhas numa bandejinha de isopor. É, porque alguns alimentos, para essas pessoas, também já brotam das gôndolas nessa forma tão prática: embalados! Você chega em casa e está tudo lá a seu dispor e você pode testar aquela maravilhosa receita que aprendeu no programa de culinária da TV a cabo.
Sem ironia, realmente acredito que algumas pessoas não se lembram (ou simplesmente não pensam a respeito) que os alimentos são produzidos na terra. Sim, na terra sujinha, na poeira! Produzidos por produtores e trabalhadores que aram a terra, semeiam, cuidam, irrigam, colhem e… em alguns casos, embalam. Na minha opinião não precisamos de mais área para cultivo de alimento ou de biocombustíveis. Precisamos sim recuperar áreas já degradadas pelo cultivo intensivo e ou prolongado e manejar de forma sustentável as áreas já incorporadas ao cultivo agrícola. Isto é sustentabilidade.
O trabalho da pesquisa agrícola é voltado para a produtividade (e não para a expansão de área agrícola) e para a sustentabilidade da produção, ou seja, para que se possa produzir hoje e no futuro – para que as pessoas possam continuar tendo alimento em suas geladeiras. Isto me remete ao segundo ponto, sobre o trabalho da Embrapa. Mas sobre este o Ítalo já discorreu com primazia. Aqui só quero dizer que a equação alimentos na mesa x conservação ambiental no nosso país é resolvida com a colaboração dos pesquisadores que dia a dia trabalham na Embrapa.

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Discussão - 6 comentários

  1. Flávia disse:

    desculpem-me pelo “farmácias” com o acento no lugar errado! é que não me dou bem com teclado de lap top…

  2. Flávia disse:

    Oi Cláudia, gostei muito mesmo. Espero que seus amigos tenham lido e se lembrado de pelo menos essa “coisinha”.

  3. Flávia disse:

    Amigo Manuel,
    (sim, já o considero meu amigo… então, nada de Doutora Flávia, tá bom?)
    Como das outras vezes fiquei muito feliz com seu comentário tão sensível. Sabe, mesmo com as casas-de-vegetação ainda precisamos da terrinha… mesmo com a hidroponia, ainda precisamos da terrinha. Até que as pilulas dos astronautas estejam nas gôndolas (dos supermercados ou das fármacias?), precisaremos da terrinha. De coração espero que nunca precisemos das pílulas dos astronautas! Há que haver sempre terra, há que haver sempre comida na mesa (para tantos não há). A esperança é ajudar no dia a dia a conservar a terrinha e a levar comida para as mesas. Gostei muito do “os homens não são anjos”. Não, mas os anjos estão por aí olhando pelos homems e permitem que eles façam besteiras que é assim que se aprende! Muito boa saúde e muita alegria no coração!

  4. manuel disse:

    Doutora Flávia
    O seu texto,como de outras vezes,por ter frentes várias,desafia a continuar,suponho ,até,que é isso que ele quer,que ele exige.
    Trata-se dos biocombustíveis. Há que estar atento aos estudos que se vão fazendo,aos preços dos “staples”,isto,claro,de uma maneira,tanto quanto possível,distanciada,livre de preconceitos,de interesses,que os há,que os homens não são anjos. Depois,há gente que vive no limiar da pobeza,senão nela instalada,para a qual um cêntimo já é muito. Depois,ainda,o ar da Terra,da nossa Terra,da única,por enquanto,que temos,tem de se manter respirável.E era isto só.
    Aproveito a oportunidade para tentar reparar um pequeno(?)desatre,que é o “corrente”,do comentário anterior,afecto a Fevereiro,que está lá por último,ou do ano corrente. E tamém para dizer que gostei muito do post da leitora Cláudia. Claro que não sabia o que era pitanga,mas,agora,penso que já sei. As ricas abelhas,o que elas fazem,sempre bem feito,dede que haja flores,que as flores tenham pólen.E nós também,o que nós fazemos,ao contrário delas nem sempre bem feito,vá-se lá saber porquê,talvez por não sermos só bichinhos,como as abelhas,o que pode ser o diabo à solta,como se está farto de ver em nós,nos outros,hoje,ontem,muito provavelmente,amanhã,pelos séculos dos séculos,se os houver. Além de gostar,sorri,o que é importante nos tempos que correm.
    E pronto,Doutora Flávia,se,acaso,aqui chegou,pois há sempre um imprevisto,ou não,um telefonema,coisas assim,para aquem trabalha, e não para quem já trabalhou,pensando que trabalhava,como eu.
    Muito boa saúde,e muito bom trabalho.

  5. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Li com muito agrado o seu texto,um texto em tom ligeiro,que agarra. Gostei do “contacto com o campo”,do “são produzidos na terra”,”na terra sujinha,na poeira”,no “aram a terra,semeiam,cuidam,irrigam,colhem”. Era quase poesia,e eu,lá nas nuvens,quase poetando,mas,de repente,venho por ali abaixo,por me vir à memória outro texto,o do Ítalo-Mudanças:cultivo protegido,de 5 de Fevereiro corrente,e do remate dum comentário que fiz-“E pronto,para repetir,o Ítalo acertou em cheio,entrando com o pé direito na agricultura novíssima,astral”.
    Não há nada a fazer,portanto,Doutora Flávia. As tais “algumas pessoas que viveram uma vida inteira(ou quase)em grandes centros” têm de começar a pensar que as suas hortaliças passarão cada vez mais a vir de casas de vegetação,com ou sem terra,e neste caso,de uma maneira pouco ou nada suja.
    O tom do que aí fica,Doutora Flávia,afinal,parece não ficar nada mal a seguir ao tom que tão habilmente usou no seu muito agradável texto.
    Os desejos de uma muito boa noite e de muitos progressos no seu trabalho.

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