Qualidade do solo

Por Flávia A. de Alcântara
O que é qualidade?
Para sabermos se algo é bom, precisamos fazer comparações. Os humanos e suas comparações: bom ou ruim, quente ou frio, preto ou branco. Vocês já pararam para pensar que é assim, fazendo comparações, que aprendemos, que sabemos? Reparem no modo como elaboram seus raciocínios e verão quão forte é a presença da comparação.
Qualidade requer padrão. Outro conceito complicado. Vejam que comparação e padrão estão fortemente interligados. Padrão de qualidade, em geral, é definido com base em critérios. Mais um conceito…
Bom, vamos chegar já ao solo. Já há tempos em que ouvimos falar muito sobre qualidade da água, seja ela água de beber ou de usar em casa, na irrigação, entre outros tantos fins que este recurso precioso tem em nossas vidas. Sabemos, por exemplo, que existem limites para a presença de coliformes fecais na água. Também já sabemos algo sobre qualidade do ar (basta que haja um fumante na mesa ao lado!). Felizmente conhecemos os limites de gases contaminantes presentes no ar que respiramos e, assim, podemos conhecer sua qualidade.
No caso do solo, apesar do conceito “qualidade do solo” já não ser tão novo, creio que a sociedade em geral, por algum motivo que tento compreender, ainda não o apreendeu como algo importante. Preocupação dos agrônomos (infelizmente não posso dizer que de todos); dos pesquisadores e cientistas (infelizmente também não posso dizer que de todos); dos produtores, sejam eles pequenos, médios ou grandes (idem classes anteriores); enfim, preocupação de quem? Com certeza do pessoal da Ciência do Solo, ou seja, dos cientistas do solo, classe em que me incluo com muito orgulho.
Para conhecer a qualidade do solo precisamos avaliar seus atributos químicos, físicos e biológicos, pois só o estudo do conjunto desses três aspectos da qualidade do solo é que pode defini-la. No entanto, é preciso deixar claro que definir qualidade para um determinado solo é uma tarefa mais complexa que definir a qualidade da água de uma represa ou do ar de uma cidade. Os solos são classificados em vários tipos diferentes (classes de solo) e a qualidade pode variar para cada um deles. Mesmo dentro de uma mesma classe, o solo pode ter uso diferente ou ser trabalhado (manejado) de forma diferente.
Muitos estudos comparam o mesmo solo (mesma classe) na mesma região, sob usos ou manejos distintos, e estabelecem como referência uma área com o mesmo solo sob vegetação nativa. Assume-se, portanto, que o estado do solo sob a vegetação nativa seja a referência de qualidade. Caso esta vegetação nativa seja uma mata, essa abordagem funciona relativamente bem, pois vegetação e solo estão intimamente ligados – uma vegetação exuberante indica um solo de boa qualidade. Este seria o padrão de qualidade, estabelecido com base nos atributos do solo (critérios) sob a vegetação nativa. No entanto, a vegetação nativa em questão pode ser um campo cerrado. Neste caso as condições do solo, principalmente químicas, podem ser bem diferentes de uma mata exuberante. Poderíamos tomar essa área como referência de qualidade? Depende. Se não houvesse qualidade ali, aquelas plantas não existiriam. O campo cerrado está bem sim senhor aonde está. Mas, para uma área agrícola, essa qualidade bastaria?
Outra abordagem é definir valores para os atributos. Por exemplo: o pH ideal para a maioria das culturas agrícolas está situado entre 5,5 e 6,5. Este é um critério de qualidade. Mas, ainda assim, não é tarefa fácil definir esses critérios, posto que eles podem variar de uma espécie cultivada para outra. E, além disso, como dito anteriormente, podem variar entre as classes de solo. Exemplo: uma densidade x de solo pode ser inadequada para a cultura agrícola y no solo w, mas pode ser adequada para a mesma cultura y no solo z. Isto ocorre porque há uma interação entre os atributos do solo.
Talvez seja por toda essa dificuldade que o conceito de qualidade do solo não esteja ainda bem disseminado na comunidade científica (fora da Ciência do Solo) e muito menos na sociedade em geral. No entanto, o que considero mais importante é deixar aqui a idéia de que o solo é um recurso natural precioso e que se desgasta em maior ou menor grau dependendo do uso e do manejo a que é submetido. Dentro de cada uso e manejo existem possibilidades de sustentabilidade, que devem ser a meta dos pesquisadores da área.
É importante que se busquem critérios e que se definam padrões, mesmo que pontuais – para um determinado solo de uma determinada região submetido a um determinado uso – mas é igualmente importante entender a aplicação disso, que é a busca pela sustentabilidade do uso do solo como recurso. Para finalizar, deixo aqui a definição de qualidade do solo de Doran e Parkin, que expressa de forma muito clara a amplitude desse conceito. Optei por mantê-la no idioma original para não correr o risco de fugir da idéia dos autores: “Soil quality is the capacity of a given soil to function within ecosystem boundaries to (a) sustain biological production, (b) maintain environmental quality, and (c) promote plant and animal health.” Referência: Doran, J.W.; Parkin, T.B. Defining and assessing soil quality. In: Doran, J.W.; Coleman, D.C.; Bezdicek, D.F.; Stewart, B.A., ed. Defining soil quality for a sustainable environment. Madison: SSSA, 1994. p.107-124. (Special Publication number, 35).

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Discussão - 21 comentários

  1. Rodrigo disse:

    Oi, parabéns pelo texto. Estou buscando entender melhor qualidade do solo para o meu projeto de visualização de variáveis ambientais. Foi um ponto de partida esclarecedor. Abraços!

  2. Flávia Alcântara disse:

    Olá Carolina!
    Obrigada por seu comentário. Vou ler a revisão que você indicou. Caso você queira ler outro texto que publicamos aqui sobre o tema, acesse: http://scienceblogs.com.br/geofagos/2009/07/qualidade_do_solo_areas_afins.php
    Volte sempre!

  3. Carolina Malala disse:

    Dra. Flávia, parabéns pelo texto.
    É de suma importância o comprometimento que os cientistas do solo devem direcionar para a qualidade do solo.
    Neste último volume da RBCS foi publicada uma revisão brilhante sobre este tema (Vezzani & Mielniczuk)que conclui basicamente que, mais importante que encontrar atributos indicadores de qualidade do solo, deve-se é procurar fazer um planejamento dos agrossistemas de forma que o manejo do solo leve a uma maior diversificação no cultivo de plantas.

  4. Flávia Alcântara disse:

    Caro Manuel, grata pelos textos da Rosa e da Água. O primeiro me deu a impressão de ter sido escrito por voce. Acertei?
    Grande abraço!
    Flávia.

  5. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Já agora,mais uma historiazinha,fruto da minha curta passagem pelo Posto de Cultuas Regadas de Alvalade,concelho de Santiago do Cacém,distrito de Setúbal,Portugal,à beira do Rio Sado.
    UM FIO DE ÁGUA
    As cigarras emudeceram e os pássaros esconderam-se nos ramos das azinheiras. É que se aproximava o medonho estrondo de um comboio de viaturas. Nunca se vira por ali uma coisa assim. O que estaria para acontecer?
    Bem depressa veio o esclarecimento quando os carros pararam. Deles saiu um mar de gente que se apressou a bisbilhotar o vasto milharal que se estendia ao longo do rio.
    Pobre rio,que naquela altura era uma pobre sombra do que fora.Um fio de água,se podia dizer,que mal dava para a meia dúzia de famílias de rãs que por ali faziam pela vida,quanto mais para matar a sede daquela ilha verde.
    Pois fora esta pobreza que trouxera ali toda aquela gente. Estavam muito preocupados,e com razão. É que aquele milharal estava a ser um comedor de dinheiro. Não bastara a renda da terra,as sementes,as alfaias,os químicos,os amanhos,as jornas,para há uns tempos ter havido necessidade de recrutar pessoal para escavar o leito do rio,na esperança de algum milagre.
    E o milagre dera-se,como se estava a ver. É que as maçarocas já despertavam os apetites de bandos de pássaros. Alguma coisa de jeito eles sabiam que nelas encontrariam.
    Aquele pessoal tinha sido o milagreiro. Escavando dia e noite o velho leito do rio,desencantou veios de caudal capaz de dar vida àquele milharal. Mereciam eles um prémio que se visse. Os pássaros também tinham obrigação de contribuir.
    E pronto,Doutora Flávia,tenho a impressão de que a não importunarei mais,que a Doutora tem muito mais que fazer,sobretudo,
    trabalhar,e não opinar,que para isso,não faltam “opinion
    makers”,que é essa a sua vida,o seu estar,e ninguém tem nada com isso,era o que faltava.
    Publicada por msg em 9:11
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  6. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Desulpe vir incomodá-la. É para lhe deixar uma hitoriazinha,fruto da minha passagem,por escassos sete meses,no Posto de Culturas Regadas de Alvalade,em interior mais ou menos profundo.
    ERA A ROSA
    Fizera uma boa escolha a cegonha para instalar a família,lá mesmo na torre da igreja. De lá,ela podia ver bem o que se passava no local que mais apreciaria,um minúsculo rectângulo verde,
    perdido na imensidão amarela dos restolhos do vale.
    Levantava-se cedo. Despertaria com o início da faina naquele oásis. Gostava da companhia já conhecida de outros anos e bem depressa se lhes juntava. Consideravam-na já da casa,pelo que tinha,assim,duas,e puseram-lhe o nome de Rosa.
    Nenhum ruído dos habituais a amedrontava,nem mesmo o do tractor. Era o mesmo que nada. Nem levantava a cabeça do fundo dos regos em que procurava matar a fome que trouxera doutras paragens. As minhocas,lembrando enguias,só ali as encontraria. Pudera,não faltava água,que vinha do rio,mesmo ali ao lado,nem estrume de muitas vacas que ali se criavam,muito bem criadas,que comida era quanta elas queriam,uma fartura nunca vista. Sonharia com elas,as minhocas,e também com as vaquinhas,que bem se conheciam,pois muitas vezes se cruzavam à mesa.
    Apenas dele a Rosa fugia. E isso entristecia-o muito. As tentativas que ele fez para a cativar,
    usando de muitas artimanhas,mas foi tudo em vão. De nada valiam outras presenças. Mal ele se aproximava,sempre de bons modos,ah asas para que vos quero.
    E aconteceu o que era de esperar. Ele,não suportando mais aquele repúdio,aquele desprezo,com ares de virem para ficar,abandonou aquele lugar para não mais volver. Ela,não. Por muitos anos ali voltou,sempre tranquila,pois sabia muito bem que o não iria lá encontrar.
    Desculpe,mais uma vez. A Doutora perguntará,mas o que é que eu tenho a ver com a Rosa? Olhe,para lhe dizer a verdade,eu também não sei.
    Muito boa saúde.

  7. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Muito agradecido pela sua amável respota. É mais que pertinente a sua observação,pois não se podem esquecer os outos dois componentes da qualidade do solo. Só que um só dá pano para muitas mangas,e então aí nesse Brasil Imenso. Quer dizer,que é necessário um batalhão de gente para dar conta do recado como deve ser. Entretanto,vai-se fazendo o que se pode,a mais não se deve ser obrigado.
    E a propósito do lado físico da questão,e já que estou com a mão na massa,e com a sua amável permissão,uma palavrinha sobre os sais das águas de rega.
    Como sabe, tão bem,ou melhor do que eu,a implantação de um regadio pode trazer efeitos desagradáveis,como tem sucedido
    por ali,por acolá,e isto por via,sobretudo,dos sais que as águas levam. Cada caso,porém,é um caso,como sabe,uma vez que é variável a circunstância do solo,nos seus diversos aspectos.
    Mostra-se de todo o interesse,pois, ir acompanhando a sua evolução,para se poder intervir quando for caso disso. Teve essa finalidade o trabalho em que estive envolvido,já lá vão uns bons anos.
    Tratava-se de acompanhar a vida de dois luzernais ao longo de quatro anos,em particular,algumas características do solo,um aluviossolo não calcário de textura mediana. Em relação ao sódio de troca(incluindo solúvel),o seu teor subiu com as regas,baixando,depois,para níveis à roda dos iniciais,com a lavagem operada pela chuva. Quanto ao pH,esse até desceu ligeiramente.
    E pronto,Doutora Flávia. Mais uma vez muito grato pela sua
    amável resposta,desejo-lhe muito boa saúde,e muito bom trabalho.

  8. Caro Manuel,
    todas as suas observações são muito pertinentes e só tenho a lhe agradecer, não só por elas, como também pelas dicas de artigos que me envia. Com certeza há muito o que falar sobre Qualidade do Solo no que diz respeito aos atributos químicos (fertilidade), só não podemos nos esquecer de avaliar também os físicos e biológicos, porque é o todo que nos dá um quadro geral da saúde do solo. Manuel, meu amigo, espero postar algo em breve. É que o serviço anda muito por aqui… como se diz na minha terra “o trem tá feio”.
    Um grande abraço e muito bom saúde!

  9. manuel disse:

    Doutora Flávia,muito bom dia
    Voltando ao meu primeiro emprego,parece ser de interesse dizer mais alguma coisa sobre a matéria de que ele trata,a salinidade nalguns solos,matéria que também aí desperta interesse,pelo que se lê nas vossas revistas.
    Estava eu,um jovem acabado de deixar “os cuidados da mamã”,quer dizer, da Escola onde tinha aprendido umas coisas,a dar os primeiros passos num Posto de Culturas Regadas,num canto de interior profundo,quando o Director desse Posto quer que eu dê a minha contribuição num Curso Intensivo de Regadio,para dezenas de agrónomos da linha da frente.É claro que eu dei luta,dizendo que eu estava ali para aprender e não para ensinar. De nada me valeu a argumentação,e tive mesmo de fazer das tripas coração. Pensei,pensei,e agarrei-me a uma grande ajuda,nada mais,nada menos, o Laboratório Nacional de Salinidade de Riverside,Califórnia.
    E saiu um escrito,que li,pudera não,que de cor,só mais tarde,com os “calos”. E lá escapei,não sem umas ferroadas,estilo “o colega falou aí de catiões de troca,explique lá o que é isso,que já me esqueci”. Para fazer figura fui ao quadro,já sem papel,e pus lá duas setazinhas entre dois termos de uma reacção,que a Doutora Flávia conhece muito bem.
    Para concluir,dizer que o sal que por lá aparecia,em solos,em parte apreciável,para arroz,tinha duas proveniências,uma geológica,de um antigo braço de mar no período miocénico,e outro da água de rega. Via-se,aqui,e ali,em plenos canteiros de arroz,manchas mortas por subida de sal geológico. Quanto ao da água,se mo permirtir,dará para uma outra conversazinha.
    Mais uma vez,apresento as minhas muitas desculpas por este “massacre”,de que o grande culpado é a ausência de novos posts.
    Muito boa saúde,e muito bom trabalho,com as minhas saudações,para si,e para todos.

  10. manuel disse:

    Doutora Flávia,muito boa noite
    Cá estou eu,novamente. É isto efeito de estar à boa vida,por falta de posts vossos,a que me tinham habituado.Nas minhas andanças pelas coisas dos solos,em particular pela sua QUALIDADE,face às culturas,e pelo meu particular interesse pelo potássio,cruzava-me,a cada passo,com o magnésio. Um e outro aparecem também ,com frequência,nas vossas revistas Ceres,Bragantia,Scientia Agricola.
    Logo de início, fui despertado pela Grass Tetany,que,como sabe,pode afectar gado bovino e lanígero. Ora o magnésio é, aqui,o mau da fita,por não estar no soro do sangue no teor devido. Como sabe,isto pode ser produzido por uma série de causas,sendo uma delas potássio a mais no pasto,ou por que já havia no solo,ou porque exageraram no fertilizante,ou por o solo ser pobre em magnésio, ou por terem exagerado no azoto,enfim, o complexo que é o nosso mister. Podíamos ter arranjado outro emprego. Do que li,quando por aqui passei,as leguminosas estavam mais defendidas,por causa da sua apetência para o magnésio,e o cálcio,ao contrário das gramíneas,que apreciam mais o potássio e o sódio,e isto,por sua vez,como sabe,ligado à capacidade de troca radicular,uma coisa lá dos fisiologistas.
    Por causa disto,vi-me envolvido num grande sarilho,em público,porque um senhor que estava ligado à venda de adubos potássicos não gostou. O que me valeu foi uma inespersdo aliado,um velhinho professor,que se interpôs,dizendo que eu não estava a atacar o potássio,antes
    pelo contrário,estava era a atacar quem deixara ir o magnésio tão abaixo,ou desconhecia que ele baixo estava,o que era grande falta de cuidado.
    Pronto,Doutora,espero que não esteja a abusar,e espero que apereçam mais posts para eu ir descansar.
    Muito boa saúde.

  11. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Esta minha insistência é por bem. Desta vez,é o enxofre o escolhido,um dos macronutrientes. Como sabe tão bem,ou melhor do que eu,as necessidades de enxofre das plantas dependem,entre mais factores,dos níveis doutros nutrientes,em especial do azoto.E a relação
    N total/S total tem sido usada para avaliar o estado nutritivo do enxofre nas plantas. Valores de 16 e 20,consoante a planta,têm sido apontados como críticos.
    Não é de admirar,pois,o que vem escrito em trabalho brasileiro,que adiante vai-
    Quando existe limitação no suprimento de S, a aplicação de doses elevadas dos demais nutrientes, principalmente N, P e K, pode não resultar em aumento de produtividade, devido ao desequilíbrio nas relações N/S e P/S na planta. Elevada relação N/S pode acarretar acúmulo de N na forma não-protéica, principalmente N-NO3- e N orgânico solúvel (STEWART e PORTER, 1969; HAQ e CARLSON, 1993), enquanto a elevação da relação P/S pode ocasionar redução na síntese de óleos (KUMAR e SINGH, 1980), reduzindo o crescimento da planta. Estudos de nutrição de plantas demonstraram efeito positivo do fornecimento de S na produtividade de várias culturas, destacando-se o feijão (VITTI et al., 1982; FURTINI NETO et al., 2000), a soja e o milho (VILELA et al., 1995).
    Isto vem em “Aplicação de enxofre em cobertura no feijoeiro em sistema de plantio direto” Cruciol,C.A.C. et al.
    Bragantia 65(3):459-465. 2006
    Com as minhas saudações,muito boa saúde e muito bom trabalho,para si,e para todos.

  12. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Aproveitando esta pausa,cabe,agora,a vez,ao boro,que,aí,com o zinco,são,segundo li no texto,cujo Abstract vem indicado adiante,os micronutrientes que mais casos de deficiência geram,devido,certamente,à acidez de muitos solos.
    Aqui,tive ocasião de acompanhar,no inicio,um caso de carência de boro,que deu brado por se tratar de vinhas das quais resulta o famoso vinho do Porto. Tratava-se da Maromba do Douro,uma doença de séculos. Depois de vários estudos,foi encarada a possibilidade de se tratar de um desiquilíbrio nutritivo. E o agrónomo que disso se encarregou,acertou em cheio. Onde,numa experiência com vários sais,aplicara boro,as videiras “cantaram de alegria”
    Um sucesso,dos grandes.
    Segue-se o Abstract anunciado.
    Scientia Agricola
    Print version ISSN 0103-9016
    Abstract
    MARIANO, Eduardo Dol’ava et al. Boro em solos de várzea do sul de Minas Gerais e a cultura do feijoeiro. Sci. agric. [online]. 1999, vol.56, n.4, suppl., pp. 1051-1058. ISSN 0103-9016. doi: 10.1590/S0103-90161999000500006.
    Com o objetivo de avaliar a resposta do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) à aplicação de B em solos de várzea, conduziu-se um experimento em casa de vegetação com quatro solos (0-20cm), Glei Pouco Húmico (GP), Aluvial (A), Glei Húmico (GH) e Orgânico (O), este último artificialmente drenado, coletados no município de Lavras (MG). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro repetições, arranjado num esquema fatorial 4×7, consistindo dos 4 solos e de 7 doses de B (0,0; 0,25; 0,5; 1,5; 3,0; 6,0 e 10,0 mg dm-3 de solo). Os solos receberam calcário dolomítico, macro e micronutrientes e as respectivas doses de B, e foram incubados por 24 dias. Antes da semeadura, os solos foram amostrados e analisados para B (água quente). Foram cultivadas duas plantas por vaso de três dm3, colhidas na maturação de grãos, avaliando-se a matéria seca de grãos, o número de vagens por planta e o número de grãos por vagem. Os resultados mostraram respostas significativas do feijoeiro à aplicação de B nos solos estudados. As doses de B para atingir 90% da produção máxima variaram de 1,04 a 1,25 mg dm-3. Para a produção máxima, as doses variaram de 2,50 a 2,83 mg dm-3, enquanto que para causar redução de 10% na produção, devido a toxidez, a variação na dose de boro foi de 4,54 a 5,33 mg dm-3. O potencial produtivo dos solos para 90% da produção máxima, em ordem decrescente, foi a seguinte: Glei Húmico > Aluvial = Orgânico > Glei Pouco Húmico.
    Keywords : Phaseolus vulgaris; feijão; boro; solo de várzea.
    · abstract in english · text in portuguese · pdf in portuguese
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    Tel.: +55 19 3429-4401 / 3429-4486
    Fax: +55 19 3429-4401
    E pronto,Doutora Flávia,contando não estar a abusar,muito boa saúde,e muito bom trabalho.

  13. manuel disse:

    Muito boa tarde,Doutora Flávia
    Cá estou eu,mais uma vez,até nova ordem. Desta,pelo manganés. Muito ao contrário do que me parece acontecer por aí,calhou-me,em tempos,um caso de deficiência neste micronutriente. Tratava-de de vinhas ao longo de uma estrada,que,no passado,tinha sido de macadame calcário. Os ventos dominantes tinham-se encarregado de levar as poeiras dessa estrada para um dos lados,fazendo subir o pH dos solos,de areia,pouco tamponizados,a valores´favoráveis à insolubilização do manganés,que as vinhas acusavam.
    Um Abstract que adiante se mostra incide,ao contrário,na situação de um excesso de manganés.
    Scientia Agricola
    Print version ISSN 0103-9016
    Abstract
    VELOSO, C.A.C.; MURAOKA, T.; MALAVOLTA, E. and CARVALHO, J.G. de. Influência do manganês sobre a nutrição mineral e crescimento da pimenteira do reino (Piper nigrum, L.). Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) [online]. 1995, vol.52, n.2, pp. 376-383. ISSN 0103-9016. doi: 10.1590/S0103-90161995000200028.
    A pimenteira do reino (Piper nigrum, L.) vem sendo cultivada em sua maior parte em solos com acidez elevada e balia saturação por bases. O manganês em condições de alta acidez pode provocar toxidez às plantas. Visando estudar os efeitos do manganês nessa cultura foi conduzido um experimento com a cultivar Guajarina em solução nutritiva, O manganês foi fornecido nas concentrações de 0; 10; 20; 30; 40 e 50 mg/L. Na ausência do elemento foram observados sintomas de deficiência e redução no crescimento. O excesso de manganês (30 mg/L) na solução nutritiva reduziu o desenvolvimento das plantas e a absorção de P, K, Ca, Mg, Cu, Fe e ZN. Observaram-se sintomas de toxidez de manganês a partir da concentração de 20 mg/L, caracterizados por cloróse e pontos necróticos nas folhas.
    Keywords : pimenteira do reino; nutrição mineral; solução nutritiva; toxidez de manganês.
    · abstract in english · text in portuguese · pdf in portuguese
    Esperando não estragar a sua “porta” com tanto bater,queira aceitar as minhas saudações e os desejos de muito boa saúde e de muito bom trabalho.

  14. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Fez-me lembrar o meu primeiro emprego o Abstract que aí fica. Lavrava por lá uma grande preocupação com a estrutura do solo,por via de sódio a mais.Também se vinha usando gesso para a melhorar. A terra ficara mais “macia”,como por lá se dizia. Creio que não estou abusando do seu espaço.
    Scientia Agricola
    Print version ISSN 0103-9016
    Abstract
    SILVEIRA, Karien Rodrigues da et al. Água saturada com gesso na recuperação de solos aluviais salino-sódicos e sódicos. Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) [online]. 2008, vol.65, n.1, pp. 69-76. ISSN 0103-9016. doi: 10.1590/S0103-90162008000100010.
    O manejo inadequado do solo e da água de irrigação contribui para a degradação dos solos, particularmente nas áreas aluviais do Nordeste do Brasil, onde a salinidade e a sodicidade são características comumente observadas. Avaliaram-se os efeitos da adição do gesso na água de irrigação, sobre as propriedades físicas e químicas de solos com diferentes níveis de salinidade e sodicidade. Foram utilizadas amostras de solos provenientes do perímetro irrigado de Custódia, em Pernambuco, coletadas em uma área de solos aluviais. Foram feitos testes de lixiviação com água de composição semelhante à do açude de Custódia, classificada como C3S1, e com água saturada com gesso, em colunas de solo de 20 e 50 cm de profundidade. A lixiviação do solo com água saturada com gesso (T2) aumentou os teores de cálcio e potássio do solo e reduziu o pH em relação ao solo original (T0), diferindo do tratamento de lixiviação com água (T1). Houve redução da condutividade elétrica, do teor de sódio trocável e da percentagem de sódio trocável do solo nos dois tratamentos (T1 e T2), sendo que o tratamento T2 mostrou-se mais eficiente quanto à remoção do sódio. Os valores de condutividade elétrica, cálcio e pH não diferiram nas duas profundidades, mas a camada de 20 – 50 cm apresentou maiores teores de magnésio, sódio e percentagem de sódio trocável. A água saturada com gesso aumentou a condutividade hidráulica do solo em todo o perfil estudado. O uso do gesso na água de irrigação promoveu uma melhoria das condições físicas e químicas dos solos, podendo ser uma alternativa no processo de recuperação de solos salino-sódicos e sódicos no Nordeste do Brasil.
    Keywords : solos afetados por sais; irrigação; correção; manejo.
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    Com as minhas saudações,os desejos de muito boa saúde.

  15. Caro Manuel, muito grata pelas suas contribuições, sempre pertinentes e bem-vindas! Lerei com calma as duas! Grande abraço. PS: estou escrevendo o Qualidade do Solo PArte II. Abraços e saúde!

  16. manuel disse:

    Muito bom dia,Doutora Flávia
    Ainda dentro da qualidade do solo,parece-me de interesse colocar aqui o que adiante se mostra,com o risco de que o que se mostra ser coisa já muito sabida. Mas fica a boa intenção,valho-me isso.
    As minhas melhores saudações.
    http://www.embrapa.br/embrapa/imprensa/noticias/2008/maio/1a-semana/produto-inedito-reduz-e-fertilizantes-na-producao-de-cana-de-acucar

  17. manuel disse:

    Muito boa noite,Doutora Flávia
    Transcrevo do seu compreensivo texto o seguinte – “Para conhecer a qualidade do solo precisamos avaliar seus atributos químicos,físicos e biológicos,pois só o estudo conjunto desses três aspectos da qualidade do solo é que pode defini-la”.
    Ora,como se sabe,o fósforo,um nutriente essencial, encontra nos solos condições propícias à sua não disponibilidade imediata,e tudo quanto se faça para contrariar essa disposição é bem-vindo. Cabem nesta acção as micorrizas,incluídas nos atributos biológicos. Chegado aqui,é altura de fazer entrar um estudo brasileiro nesse sentido-
    Scientia Agricola
    Print version ISSN 0103-9016
    Abstract
    SILVEIRA, Adriana Parada Dias da and CARDOSO, Elke Jurandy Bran Nogueira. Micorriza arbuscular e os parâmetros cinéticos de absorção de fósforo pelo feijoeiro. Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) [online]. 2004, vol.61, n.2, pp. 203-209. ISSN 0103-9016. doi: 10.1590/S0103-90162004000200013.
    Os mecanismos envolvidos na maior absorção de P pela planta micorrizada ainda não estão totalmente esclarecidos, atribuindo-se, em parte, ao aumento no número de sítios de absorção promovido pela hifa e/ou maior afinidade dos carregadores da hifa ou da raiz colonizada ao P. Avaliou-se o efeito da micorriza formada por Glomus etunicatum nos parâmetros cinéticos da absorção radicular de P e no influxo de P em feijoeiro, cultivar IAC-Carioca, em duas épocas do ciclo da planta, início do florescimento e enchimento das vagens (35 e 50 dias após semeadura, respectivamente). Empregou-se como substrato areia e sílica (9:1) irrigado com solução nutritiva. O ensaio de cinética foi realizado pelo método do esgotamento do 32P da solução (curva de depleção), empregando-se a planta inteira. A micorrização promoveu maior crescimento e absorção de P pelas plantas, principalmente na fase de enchimento das vagens. As plantas micorrizadas que se encontravam no estádio de florescimento tiveram maior velocidade máxima de absorção (Vmax) e influxo líquido de P. Menores valores de concentração mínima de P na solução (Cmin) e da constante de Michaelis-Menten (Km) foram constatados nas plantas micorrizadas, na fase de enchimento das vagens. As plantas micorrizadas também apresentaram maior influxo líquido de P por planta, em ambas as fases. A Cmin foi o parâmetro que mais se relacionou com a absorção de P, ocorrendo correlação significativa entre este e o teor e acúmulo de P na parte aérea do feijoeiro.
    Keywords : Phaseolus vulgaris; fungo micorrízico arbuscular; cinética de absorção; influxo de fósforo; feijão.
    · abstract in english · text in english · pdf in english
    © 2009 Scientia Agricola
    Av. Pádua Dias, 11
    Caixa
    É esta,pois,uma muito boa contribuição nesta tão importante matéria.
    Sem mais,com as minhas saudações,vão os votos de uma muito boa saúde,e de um muito bom trabalho.

  18. Flávia disse:

    Caro Locatelli,
    Fiquei feliz em saber que não escrevo “rabujentamente”…
    na verdade, ri sozinha quando li.
    Espero que os colegas homens não fiquem “rabujentos” com seu comentário.
    Um abraço e até o próximo post!
    Flávia.

  19. Flávia disse:

    Caro Manuel,
    Primeiramente agradeço pelas boas vindas e, em segundo lugar, pelo comentário sobre o post “Qualidade do Solo”. Fico feliz que o assunto tenha lhe trazido recordações boas sobre solos. E, sim, você tem razão em seus pontos, principalmente quando diz que a exuberância da vegetação pode ser enganosa. Foi por isso que eu escrevi que solo e vegetação estão intimamente ligados. Quando tiramos a primeira, o segundo é modificado. Pode-se perceber que qualidade não é um assunto fácil (seja ela do que for) e que suscita muitas dúvidas. Vamos falar mais disso adiante! Abraços e muita paz!

  20. locatelli disse:

    nada pessoal contra os outros integrantes do Geófagos (cuecas de plantão!), mas ler um post sobre divulgação científica escrito por uma mulher cientista é outra coisa!!!! Não tem aquele jeito rabujento que nós temos (risos, tem um Q de mais agradável, não só pelo excelente conteúdo como deste que comento.
    Estou ansioso pelos próximos!!!!
    saúde!!!!!

  21. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Em primeiro lugar,os meus agradecimentos pelo seu compeensivo texto. Fez-me recordar muita coisa. Vou tocar apenas em quatro pontos.
    1- O da disseminação do conceito de qualidade,que não será tido em conta nalguns casos.É o caso da escolha,num projecto de rega,de um local por ser plano,esquecendo-se de que essa qualidade pode esconder uma ruindade,que é a de os solos serem mal drenados.
    2- O da exuberância da vegetação. Pode ela ser enganosa,
    como,suponho eu,aí,o da Floresta Amazónica.Muita dessa exuberância está ligada a micorrizas.Feito o desmate,as surpresas que se irão ter.
    3- Interacção de factores. Além das espécies,com as suas próprias exigências,há as cultivares. Estou-me a lembrar do caso da toxicidade do alumínio.
    4- O remate é integral. Produção,sim,que bem precisa é,que as bocas multiplcam-se,mas não a todo o transe,que lá estão
    a qualidade do ambiente, físico e humano.
    Mais uma vez muito obrigado por me ter racordado tanta coisa. Muito boa saúde e muitos progressos no seu trabalho.

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