Luz + Água + Solo = Vida Abundante

(Tocando em frente…)
A vida, como nós a conhecemos, embora detentora de princípios e processos complexos, muitos deles ainda pouco conhecidos, manifesta-se sob uma lógica muito simples, como a expressada pela “equação” título deste texto: Luz + Água + Solo = Vida Abundante.
Nascemos “pisando o solo”. Talvez por isso a humanidade o negligencie tanto. Em uma das muitas e impagáveis canções metafóricas do saudoso Raul Seixas há uma frase em que ele denuncia o que muita gente pensa: “… o chão é o lugar de cuspir” (está na canção “De Cabeça-Pra-Baixo”).
A humanidade tem “cuspido” bastante sobre o solo. No sentido estrito e no sentido lato. O solo e as coleções de água viraram nossos depositários escatológicos.
Como já disse, nascemos “pisando” o solo. A água foi, e ainda é, o primeiro e mais eficiente veículo que encontramos para “levar para longe de nós” os nossos dejetos e coisas indesejáveis, ou que perderam o valor.
A Ciência do Solo, talvez por herança, também padece desse “preconceito”. Há um texto no Geófagos tratando deste assunto. Se não o melhor, pelo menos um dos melhores textos já publicados aqui. É de autoria de nosso Guru Ítalo Rocha. O texto é este: Ciência… do solo? Não deixem de ler!
Voltando à “equação”:
1) Luz: (a) é a energia motriz da fotossíntese, nossa “fábrica de alimentos”; (b) mantém o planeta aquecido em temperaturas amenas, com grande quantidade de água líquida superficial.
2) Água: no estado líquido é o veículo fundamental da vida. É usada em todos os processos, reações e mecanismos de construção e desconstrução dos seres vivos.
3) Solo: (a) todos os seres vivos dependem do solo, direta- ou indiretamente; (b) permitiu que a vida alcançasse a sua maior variabilidade possível em todos os continentes e ecossistemas.
Vejam que, garantidas estas três coisas, luz, água e solo, temos tudo o que necessitamos para sobreviver, como espécime e como espécie. O resto é conforto, ganância e ilusão. Não necessariamente nesta ordem.
A humanidade e a civilização tiveram grandes saltos evolutivos, que possibilitaram a ocupação de todo o Globo Terrestre. Como resultado disso, podemos dizer que “hoje” temos uma vida boa, como nunca havíamos experimentado antes.
Mas, ao longo desse caminho nós nos perdemos, de forma imperdoável, acumulando “riquezas”, explorando a natureza de forma predatória e nos distraindo “buscando” entidades religiosas, místicas e mitológicas que não nos acrescentaram nada de pragmático. Tudo isso de forma irracional. O Sol, pelo menos, já teve seus dias de Divindade. A Terra também, nas culturas Celta e Grega. Mas só teremos, realmente, o direito de nos considerarmos civilizados, no dia em que todo ser humano entender e respeitar o Sol, a Água e o Solo como se estes fossem uma espécie de Santíssima Trindade, genitora dos filhos de Gaia, Geófagos por excelência.
Evidentemente, e por razões óbvias, não estou pregando aqui que essa Trindade se torne objeto de culto e adoração religiosa. É claro que não, ora pois, pois! Quero lembrar apenas que a vida é modesta em suas exigências. O quanto o Sol, a Água e o Solo merecem ser reconhecidos e respeitados por sua importância nesse processo. E o chão, enfim, deixe de ser um lugar de cuspir.

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Discussão - 6 comentários

  1. gilnei disse:

    Olá!
    Escritores anteriores…
    Assim de onde vim…por donde vou… se da terra vim… e para ela retorno… me são riquezas contíguas, com porosidades preenchidas por espaços de baixa saturação que irão subtrair do corpo de nos outros restando apenas os ossos que não digeridos pelo caozinho! e esses mesmos ossos servirão para medirem a idade pelo c14. Cá estou a ver se ouvo algo de quem nos cedeu a materia…álias.. ouvo não!… ousso… Ahhh!!!… ovo, osso…. tudo vem da galinha mesmo!… e a terra não reclama nada de volta ..mas aceita tudo que lhe for devolvido…

  2. manuel disse:

    Estou aqui,agora,contando com a benévola permissão,não só do autor do texto,como do autor do “não gostei….”.
    Ia a passar,e não resisti,que o “não gostei…”,e não só, é irresistível.”Não tem nada a ver com o solo”? Com,novamente,a permissão benévola do autor do “não gostei…”,e também da(o)professora(o),atrevo-me a dizer que isso é que tem.
    É que para além do “nascemos pisando o solo”,somos um produto dele,da “terra mãe”. Do pó viemos viemos, ao pó regressaremos. O que aqui vai para se fazer um “trabalho”.
    De resto,o que aqui,agora,fica,é uma opinião,como opinião não deixa de ser o “não gostei…”,e não só,e são opiniões que o Geófagos também contempla,como vem no Manifesto.
    E pronto,voltando a contar com a dupla permissão benévola,daqui cumprimento,respeitador,os três,o autor do texto, o autor do “não gostei..”,e a(o) professora(o).

  3. vshahkdjhj disse:

    não gostei nem um pouquinho…
    eu fiz essa pesquisa e quando cheguei na escola para entregar o trabalho a (o) professora(o) disse que não tinha nada a ver com o solo…

  4. manuel disse:

    Caro Elton,
    ainda tive tempo,e cá estou. Para começar,tanta coisa que eu não sei,Elton,tanta coisa,sobretudo das coisas,que das pessoas sabê-lo-ão elas. Chega a doer,tanta ignorância,e de tanta pergunta sem resposta,chega a doer.
    “Nascemos a “pisar o solo”,cuspimos nele,servimo-nos dele. Dele e dos outros dois termos da sua equação. Os nossos servos,estes,e outros,que estamos cá para nos servirmos. Encontrámos a “mesa posta”,e vá de nos sentarmos. Pena é que muitos só migalhas consigam,quando conseguem.
    Depois,para além do solo(terra),luz,sol,o que por aí vai. A tristeza que é a de se ficar na soleira,e muitas vezes nem isso,por não se ter dado com a porta do pressentido. Tanto desconhecimento. Ainda há pouco,esbarrei com os siderósporos. Eu sabia lá da sua existência. O que alguns microorganismos conseguem elaborar! Quem os esnsinou? Talvez a luta pela vida. Outros que não conseguiram sobreviver em meios pobres em ferro,tiveram de ir tratar doutra vida,ou ir desta para melhor,lá para as trevas.
    Desculpe,Elton,mas hoje estou “tenebroso”.
    “E o chão,enfim,deixe de ser um lugar de cuspir”. E isto,o Elton saberá melhor do que eu,porque aqui chegados,sinal é que se respeitarão outros “lugares”.
    Um abraço,Elton,que a vida lhe corra como deseja.

  5. Elton Valente disse:

    Prezado Manuel,
    Você tem muita razão quando questiona a “vida boa”. As injustiças sempre existiram e parece que sempre existirão.
    Quando falo da “vida boa que temos hoje” refiro-me, de forma genérica, aos muitos avanços científicos e tecnológicos que a humanidade conquistou. Por exemplo, possibilitando a cura rápida de muitas doenças, a resolução rápida de muitos problemas, o socorro humanitário rápido a um povo do outro lado do mundo que tenha sofrido uma catástrofe, a agricultura produzindo recordes de safras, a fartura de alimentos que o mundo produz hoje, e etc.
    É claro que reconheço que estas coisas, infelizmente, AINDA não estão disponíveis para todos, indistintamente, como gostaríamos que fosse. Mas quem sabe um dia assim será? Um dia em que, também, o chão deixar de ser um lugar de cuspir.
    Um abraço fraterno e obrigado por sua atenção.

  6. manuel disse:

    Caro Elton,
    Vamos por partes,e por tempos,que o seu texto é sério,muito,e de muitas saídas,muitas,das quais só duas ou três posso trilhar,e mesmo essas,Deus me acuda. O do Ítalo tem de esperar,se houver tempo ainda,que nunca se sabe.
    Olhe,para já,desculpe,o Elton apanhou-me a pensar num cãozinho à volta do seu ossito,a olhar à sua volta,com medo que lho tirassem… Mas deixemos o cãozinho,coitado,do qual tenho muita pena,coitado.
    Depois,o Elton é dos muitos que me obriga a ir ao dicionário,eu,que cada vez mais me dá para fugir de termos de Domingo.
    Mas vamos à primeira parte. “Temos uma vida boa…” Quem? Melhor do que o cãozinho,coitado,olho à minha volta,maior do que a dele,e não vejo essa vida boa em tantos,em tantos,que não dá para contá-los. Estou-me a lembrar de alguém,que ,há dois ou três dias,encontrei,a fazer horas para uma sopinha dos pobres,mas que não parecia,que ele até fazia letras de fado. E de outros,e de muitos outros. Olhe,dos “shipbreakers”,enterrados em lama,a escorrer metais pesados.
    “Evidentemente,…não estou pregando…” E porque não? Não seria o primeiro. Mas,agora,consigo,podia ser racionalmente,que bem se está precisando de racionalidade,que deve ter sido para isso,que a evolução,com DEUS ou sem ELE,foi criada. Mas de uma maneira tal,que não nos desse para estar,constantemente,a olhar à roda,para o “osso”que calhou ao vizinho do lado,e a qûerê-lo,achado ele melhor.
    Enfim,é tempo de acabar,que daqui,de meia dúzia de palavras,não sai nada de essencial,que é o pão para todos,um pão que encha a barriga,sem ter que se agradecer.
    Um abraço,com os desejos de muito boa saúde,para si,e para os seus.

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