O que penso

Acho que cometi um erro. Há tempos, desde que comecei a formar uma consciência independente e a pensar forro, como diz Riobaldo, venho criticando a tendência subserviente dos brasileiros em imitar as mais insossas manifestações “culturais” dos americanos do norte. Não falo apenas da prostituição cultural dos moradores da Barra da Tijuca, com suas reproduções grotescas da Estátua da Liberdade, nem dos ridículos templos de futilidade e vaidade denominados “shopping centers”, anunciando “sales”, como se a substituição cultural já estivesse irremediavelmente consumada. Não é só isso.
Nos meios intelectuais, no meio acadêmico, dentro da universidade e dos centros de pesquisa, já não se busca apenas o saber. Sob direta influência do pragmatismo industrial americano há hoje entre os acadêmicos um culto quase totêmico a uma divindade chamada currículo. Implantou-se com grossas raízes a crença que a medida da competência de um profissional, de um intelectual, é o número de trabalhos publicados. De trabalhos não, de “papers”, para deixar bem clara a filiação cultural da nova classe intelectual. Os industriais pragmáticos americanos do norte, mantenedores das universidades privadas daquela nação, não tendo conhecimento para julgar o mérito de um acadêmico, de sua pesquisa, de seu trabalho científico, mediam-no pelo número de artigos ou outras peças escritas publicadas. Mediam sua “produtividade” como se o conhecimento fossem latas de tomate, pregos, rolos de papel higiênico, “toilet paper”. Paper.
A colonização cultural mais eficiente é aquela que atinge seus próprios críticos. Interessado em divulgar a pouca ciência que sei para as massas luso-parlantes, para a espécie rara que ainda fala apenas e majoritariamente o português, bastaria apenas para mim uma dessas páginas gratuitas que se encontra na internet, montar um blog sem filiação e esperar que alguém me lesse, como fiz inicialmente. Mas a vaidade, alimentada também pela eficaz máquina de colonização cultural, fez-me desejar fazer parte do melhor, ou melhor, “of the best”. Não, não foi suficiente ser um blog de ciência, era necessário ser um science blog, de preferência um ScienceBlog.
Cá estou eu, de vez em quando criticando severamente a hipocrisia dos outros enquanto eu mesmo chafurdo tranquilamente nas entranhas putrefatas de meu sepulcro caiado. Se o que eu queria e quero é divulgar algum conhecimento para aqueles cuja ignorância fala português, para que escrever em inglês, se não por pura vaidade? Para ter maior visibilidade? Meus conterrâneos da Paraíba, do Amazonas, de Goiás, de Santa Catarina encontrarão mais facilmente meus textos porque escrevo em inglês? Meus potenciais leitores portugueses, moçambicamos e angolanos compreenderão melhor meus textos se escritos em inglês? Realmente, as técnicas de persuasão e lavagem cerebral atingiram um alto grau de refinamento.
Minha culpa, minha tão grande culpa. É uma pena que não tenhamos permanecido como Lablogatórios, e o pior é que eu fui dos que mais entusiasticamente o extinguiram em favor dos ScienceBlogs. A influência não é problema, o problema é a subserviência. A subserviência de, além de escrever em uma plataforma deles, escrever também na língua deles, como eu mesmo fiz, como se disséssemos a nossos mestres “olhem para nós, somos civilizados, escrevemos em inglês”. Sinceramente, não acredito que para divulgar minha ciência isto seja necessário ou benéfico. Não pretendo ofender ninguém, apenas expor o que creio sejam contradições, contradições inclusive minhas. As minhas, pretendo sanar. Acredito que este seja meu último texto nesta plataforma.

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Discussão - 28 comentários

  1. manuel disse:

    Ainda bem que houve um desencontro virtual,pois permitiu ele que se cumprisse o “Ladies,first”,ainda bem.
    E,agora,sim,Caro Ítalo.
    No que deu o seu “O que penso”,no que deu. Uma avalanche de comentários “nunca vista”! Parece isto um passe de mágica. Do “chapéu”,o que saiu! Até flores,Ítalo,até flores.
    Se em vez de ser o Ítalo o centro de tudo isto,fosse eu,não sei onde me havia de meter.
    Não se(nos) meta mais numa numa coisa destas.
    Um abraço,Ítalo. Cá o esperamos.

  2. Olhem que curioso: começamos esses comentários (longa lista deles, diga-se de passagem) por causa da possível retirada de nosso amigo Ítalo do mundo dos blogs científicos. Estamos agora, cá na frente, falando sobre bardos. Não é que somos também bardos (o Ítalo e todos nós que aqui escrevemos e comentamos)? Divulgamos nossas histórias (de ciência) e estórias (também de ciência) aos quatro ventos (da internet), também numa forma de trova…
    Bom fim de semana a todos!

  3. manuel disse:

    Doutora Flávia,
    por mim,certamente,venham todas as flores que estiverem dispostas a perpetuar o jardim,porque as flores,sabe-o bem,têm vida curta, depressa murcham,e um jardim sem flores não tem mesmo graça nenhuma.
    Um jardim só com árvores,por muito belas e portentosas que sejam,e só com relva,por muito viçosa e densa que seja,não é bem um jardim. Falta-lhe o perfume,a graça,a fragilidade da flor,que é,de algum modo,a representação da vida,na sua fase mais promissora,a da juventude.
    As minhas saudações,Doutora,e,para a Sibele,as minhas muitas desculpas pelo infringir do “Ladies,first”,de resto,com toda a justiça, por ter sido ela a causadora de se estar aqui a “jardinar”.

  4. Sibele disse:

    Flávia, vc não está se intrometendo nada, muito pelo contrário! Nós é que somos visitas aqui, e desculpe-me se me estendi demasiado nesses meus comentários.
    Concordo com sua interpretação do bardo de Stratford-upon-Avon, e inclusive lembro que um jardim bem cuidado atrai muitas borboletas e pássaros, potencializando a polinização cruzada…
    Abraços a todos e um ótimo fds!
    E aguardo ansiosa o próximo post do Ítalo! 🙂

  5. Caros Sibele e Manuel,
    posso me intrometer nessa conversa?
    vocês me fizeram lembrar de uma bela frase de William Sheakspeare: “Decore sua alma e plante seu jardim ao invés de esperar que alguém lhe traga flores”. Alguns podem interpreta-la de forma amarga (não esperar pelo gesto de outrem), mas a minha interpretação é que as flores alheias são muito bem vindas, apenas precisamos cultivar as nossas também para não viver reclamando que elas não existem em nossa vida! Abraços fraternos aos dois e a todos!

  6. manuel disse:

    “Cuidar do nosso jardim”,Sibele. É isso,o Tal Jardim,não poético. Para o construir,temos as nossas “enxadas”,e,sobretudo,o nosso coração,e teremos o Tempo,quem sabe?.
    Muito estou eu a aprender consigo. Desta vez,destas três escassas linhas,tomei conhecimento com Pollyanas e com Cândido.Sabe,nos caminhos que percorri,só dei com uns objectos muitos estranhos,engendrados com electrões,protões,e outros que tais,e mais não sei o quê,que julgo eu ser o mais importante,mas que não sei mesmo o que é. Talvez com o Tempo…
    Desculpe,mas tem de se dar o desconto,pois a idade não perdoa,mas a Sibele perdoará.

  7. Sibele disse:

    Não por isso, Manuel! E vamos todos andar para a frente, ora pois! 🙂
    Mas não como Pollyanas amáveis e quiçá nem como Cândido, que apanhou muito antes de, finalmente, compreender que é preciso, sim, cuidar do nosso jardim. 😉

  8. manuel disse:

    Caro Ítalo,
    Já estava a ver a vida a andar para trás,como aqui se diz. Lembre-se que foi pela sua mão que aqui entrei,como já tenho referido,o que volto a agradecer. Com a sua saída,ficaria como que desamparado,ainda que me não faltasse o amparo dos seus companheiros de “route”. Agora,já estou descansado.
    Aproveito a oportunidade para agradecer à Sibele,que daqui cumprimento,os seus “links”,em especial,o de Meneghini& Packer. Ora se fosse o alemão a língua de serviço,como foi por algum tempo,pelo menos em certas áreas ? Seria um bocadão mais complicado,temos de convir. É claro,que, como agrónomo, estou grato a alguns nomes alemães,como Justus Liebig, H.Riehm,A. Mitscherlich,e outros que,agora não recordo. Mas é pena que o alemão seja tão complicado.
    Um abraço,Ítalo,e,mais uma vez,os meus agradecimentos à Sibele.

  9. Daniel Christino disse:

    Fica, Ítalo. É melhor com você do que sem você. Não lhe parece lógico?

  10. Sibele disse:

    Ítalo, fiquei feliz com sua decisão de perseverar um pouco mais! 🙂
    Com certeza, o Geófagos pode contribuir, e muito, para a discussão geral dos problemas.
    Um grande abraço!
    “Tradição científica exige tempo, e uma nação como o Brasil onde a atividade científica é recente e a pós-graduação só há pouco tempo começa a se consolidar […] se abrir mão de sua independência científica trilhando o caminho da imitação, ao invés de construir sua própria história de desenvolvimento estará condenado ao subdesenvolvimento eterno” (PINTO; ANDRADE, 1999).
    PINTO, A. C.; ANDRADE, J.B. Fator de impacto de revistas científicas: qual o significado deste parâmetro? Química Nova, v. 22, n.3, p. 448-453, 1999.. Disponível em: http://www.scielo.br.
    E mais alguns argumentos:
    MENEGHINI, R.; PACKER, A. L. Is there science beyond English? EMBO Reports, v.8, n.2, p.112-116, 2007. Disponível em: http://www.nature.com/embor/journal/v8/n2/pdf/7400906.pdf.
    VICTORA, C.G., MOREIRA, C.B. Publicações científicas e as relações Norte-Sul: racismo editorial? Revista de Saúde Pública, v.40 (No Especial), p.36-42, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br.
    GIBBS, W.W. Lost science in the third world. Scientific American, v.273, n.2, p.76–83, 1995.

  11. Luiz,
    Obrigado pelas gentis palavras. Não, sem campanha por favor. Realmente, às vezes tomo certas decisões muito extremas, como falou o Manuel, deveria ser menos impulsivo neste tipo de coisa. Ultimamente houve uma quantidade muito grande em minha vida, tive que reconsiderar uma série de coisas e me pareceu, talvez erroneamente, que o Geófagos não tivesse mais lugar. Enfim, creio que ainda devo perseverar por uns tempos, talvez o Geófagos ainda possa contribuir para a discussão geral dos problemas. Sem dúvida, não terei tanto tempo quanto antes para escrever, mas tentarei, mesmo escrevendo menos, melhorar a qualidade de meus textos, com um marca bem mais pessoal. Vamos ficando.

  12. Luiz Bento disse:

    Realmente seria uma pena.
    Não tenho muito a dizer além do que já foi dito. Concordo com o Igor quando acho que nosso público deve ser preferencialmente o brasileiro. Temos tantos problemas e tanta falta de informação de qualidade em português. Não acho errado escrever um blog em ingles com o melhor do SBB, mas acho que esse não deve ser o foco principal. Muito menos ser citado por blogs americanos.
    Como sempre falo temos muitos problemas por aqui, bem perto da gente. Resolver eles não será fácil e acho que seria nossa tarefa principal.
    Começo a campanha fica Ítalo. Precisamos de pessoas críticas para escrever sobre meio ambiente, em português.

  13. Elton Valente disse:

    Meu Irmão,
    Estive fora neste dias. Fora da área e “fora do ar” (da web). Estava cumprindo mais uma etapa de minha “peregrinação”. Parafraseando o Salmo dos Exilados (136), pois o Geófagos também é cultura, estive “cantando o cântico do Senhor em terras estranhas” (Quomodo cantabimus canticum Domini in terra aliena?). Pois é! Estive buscando um lugar onde minha experiência profissional possa valer mais que os famigerados “papers”. Acho que ainda restam alguns, poucos, desses lugares. Vamos ver!
    Você conhece este seu humilde interlocutor e é testemunha de que não tenho “ideologias” e sou um crítico ferrenho do imperialismo, do capitalismo desenfreado, do comunismo, do esquerdismo, do obscurantismo e muitos outros “ismos”. Simplesmente porque considero tudo isso deletério, quando não simplesmente bobagens. Estas coisas mais atrapalham do que ajudam na evolução da humanidade. Dito isso, faço apenas uma observação, com base em Sun Tzu. É preciso usar o inglês porque precisamos dominar o idioma do adversário. Mas concordo com tudo o que você disse.
    Você sabe que tenho Este Blog em grande conta, por inúmeras razões. Mas estou contigo! Inclusive no dia em que você for “apagar a luz do Geófagos”. Vou ficar triste, é certo, mas sabendo que tudo nessa vida é transitório. Nada é eterno. Nem mesmo os Impérios (passados, presentes e futuros).
    Um abraço fraterno!

  14. Igor Santos disse:

    Ítalo, eu concordo com você e com a modalidade Ariano-Suassuna de xenofobia, mas posso continuar concordando até o farol se apagar que não vou conseguir vencer a inércia do enorme pedregulho que já vem rolando desde sempre: ser cientista hoje em dia é saber falar inglês, escrever e publicar bem muito. O resto vem seguindo de longe, com cautela, para não se melar na torrente fecal que desce no embalo do já citado seixo.
    O meu consolo é ter ciência de que posso deixar minha posição clara em uma língua que muitos entendem.

  15. Obrigado a todos pelas palavras. Sinceramente achei que minha saída seria bem mais simples. Achei mesmo que esta mensagem passaria no máximo despercebida. É minha segunda tentativa de deixar o Geófagos de lado, pelo menos por um tempo. Compreendo os argumentos de todos, mas a que me tocou mais foi a mensagem da Sibele, que nem conheço. Bom, vamos ver, acho que um post de vez em quando não afetará demais minhas convicções nem será uma conquista considerável para o império. Não sei, vamos ver.

  16. Alexandre disse:

    Olá Ítalo,
    que belo post, carregado de sentimento, muito difícil de ser trasmitido pela escrita. Digo apenas: seja feliz!
    Abraço.

  17. Sibele disse:

    Ítalo, vc conhece Darko Macan e Tihomir Celanovic? São quadrinistas croatas, e vc deve concordar comigo que o idioma falado na Croácia é um tanto inacessível a nós, “luso-parlantes”, certo?
    Pois tive a grata oportunidade de acessar uma linda estória em 8 páginas de quadrinhos desses dois autores, graças a uma alma caridosa que traduziu para o português a versão em inglês, por sua vez traduzida do croata.
    Acesse: Todos os livros do mundo.
    Ah, mas são quadrinhos… nada a ver com ciência! Então acesse o site do Public Knowledge Project (http://pkp.sfu.ca) uma iniciativa para implementar o livre acesso às revistas científicas do mundo todo. Veja a distribuição geográfica das revistas: mundial. E veja também os idiomas: sim, o inglês está lá, mas também o português e muitas outras… até mesmo o farsi e o thai, quem diria! Os cientistas que escrevem em seu próprio idioma com certeza estão fomentando o conhecimento em seu país. Mas o que é a ciência se não for compartilhada?
    Para Darko Macan e Tihomir Celanovic, o inglês possibilitou que muito mais pessoas (como eu) se comovessem através da disseminação dos quadrinhos. E os blogs, sendo meios informais de comunicação científica, cumprem um importantíssimo papel de divulgação científica, inclusive para leigos. Somos privilegiados, pois vivemos numa época em que, diferentemente do passado, podemos escolher, e o conhecimento, estando disponível, alcança qq lugar do planeta. Mas é preciso disponibilizá-lo, espalhá-lo e facilitar ao máximo seu acesso. E vc participa desse movimento.
    Vc, com sua excepcional capacidade de argumentação e exposição (este seu post é um exemplo), mais seu conhecimento em Agronomia, Fitotecnia, Produção Vegetal, Solos e Nutrição de Plantas, Química do Solo, Manejo da Matéria Orgânica do Solo, Física do Solo e Manejo e Conservação do Solo e da Água, estabilidade da matéria orgânica no solo, formação e estabilização da estrutura do solo, manejo da matéria orgânica do solo, seqüestro de carbono por solos, pedogeomorfologia, uso da água por culturas, manejo da água na agricultura, biogeoquímica do silício, solubilidade de fitólitos, silício em plantas, compostos fenólicos no solo (uau! E tudo do seu Lattes…rs) vai sim, com certeza, fazer muuuuita falta para algum obscuro pesquisador de Dakar, no Senegal, interessado em melhorar a agricultura de seu país, e que acesse a net. Ao ler este seu post, ele vai exclamar: “Ne me quitte pas!!!” e eu faço coro: não nos deixe!!!

  18. Caro Manuel, tenho mesmo e dois deles são da época em que fiz doutorado na Holanda. Foram escolhas tomadas em conjunto e usando como critério o alcance que aquilo teria. É por isso que comentei antes que tudo depende do alcance que se quer, do que temos como objetivo. Há casos em que é necessário escrever em inglês para que se alcance pessoas da sociedade científica internacional da sua área porque aquele conhecimento será útil para a comparação de métodos e dados entre pesquisadores de países diferentes. Há casos em que é necessário que se escreva em português, que se divulgue informações úteis para determinadas realidades nacionais, para que se discuta resultados tomando por base a necessidade local. Aí cabe nosso discernimento: que público quero alcançar? A quem quero que esse trabalho chegue? A quem ele será mais útil?
    Um grande abraço e muito boa saúde também!

  19. manuel disse:

    Doutora Flávia
    A propósito de o inglês ser um “esperanto”,creio não cometer indiscrição alguma,dizendo que a Doutora tem,pelo menos,três trabalhos,em colaboração,escritos em inglês.
    Era só isto,pedindo desculpa,se,acaso,abusei.
    As minhas melhores saudações,com os desejos de muito boa saúde.

  20. manuel disse:

    Caro Ítalo
    Volto aqui novamente. Talvez não caiba mal aqui o excerto que adiante vai.
    Terça-feira, 28 de Abril de 2009
    EÇA DE QUEIRÓS E O BRASIL
    “Mas no dia ditoso em que o Brasil, por um esforço heróico, se decidir a ser brasileiro, a ser do Novo Mundo – haverá no mundo uma grande nação. Os homens têm inteligência; as mulheres têm beleza – e ambos a mais bela, a melhor das qualidades: a bondade. Ora uma nação que tem a bondade, a inteligência, a beleza (e café, nessas proporções sublimes) pode contar com um soberbo futuro histórico, desde que se convença que mais vale ser um lavrador original, do que um doutor mal traduzido do francês.”
    Excerto de http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1204
    Publicada por msg em 8:52
    Um monumento este Eça,que os dois muito prezamos. Ítalo,não seja radical. O mundo precisa de gente do meio,que é onde a virtude está,como é uso dizer-se.
    Um abraço.

  21. Caro Ítalo,
    o problema não é a plataforma… concordo a Paula nisso. E concordo com o Karl quando diz que a ESCOLHA é sua, nossa. Confesso que não gostei de ver uns posts em inglês aqui e muito menos a discussão (os “comments”) também em inglês, mas escritos por brasileiros – isto para mim foi o pior. Mas aceito que é uma plataforma internacional e que o inglês é um “esperanto”, é como a linguagem de zeros e uns que qualquer computador entende. Aceito. Se vou ou não utilizar este idioma para divulgar o que faço é, de novo, uma ESCOLHA. Qual é o alcance que você quer? E por que quer esse alcance? O que é realmente importante para você quando pensa em divulgar sua ciência? O que te move? Faça essas perguntas a você mesmo (parece que você já começou a faze-las). Tenha calma e ouça seu coração-consciência para ESCOLHER! Gde abraço!

  22. João Vieira disse:

    Caro Ítalo,
    É realmente uma pena que pense assim. Escrever em inglês não é subservência. Quer gostemos ou não, é a língua franca do mundo. Escrever em inglês é ter voz para que não só os americanos do norte, mas os indianos, os chineses, os suecos.. todos eles, possam te ouvir. Hoje, existem mais falantes em ingles não nativos que nativos. Tens a total liberdade de escolher falar somente para dominantes do portugues, e respeito sua decisão, mas não deixa de ser triste.
    Abraços e espero que tome a melhor decisão.

  23. Clarissa disse:

    Eu concordo com a maioria dos argumentos expostos pelos outros acima.
    Creio que grande parte desse sentimento de “subjugação cultural” é parte de um complexo de ex-colônia que as pessoas resistem em abandonar e que fica escondido no subconsciente coletivo da população brasileira. Com o tempo e com a maior convivência intercultural, nada mais natural que as culturas se misturam… absorvemos o que parece interessante. Publicar em periódicos estrangeiros e em inglês é em prol do maior intercâmbio entre os cientistas. E não impede que você publique textos também em português em revistas nacionais para atingir um público maior dentro do seu país. Ainda bem que existe uma língua relativamente simples como o inglês para preencher essa lacuna de “língua universal”. Eu jamais gostaria que as pessoas do mundo fossem obrigadas a aprender português, francês ou espanhol para poder se comunicarem entre si, com suas inúmeras formas de conjugação verbal e gramática complicada. Também não gostaria que a língua “oficial” fosse o alemão, com os seus casos, onde artigos, pronomes e abjetivos mudam a forma de escrever conforme seu local na frase e função gramatical. São opções que tornariam tudo muito mais difícil. O inglês acaba sendo mais acessível e ainda possui uma característica interessante: mesmo que as pessoas falem errado ou com um vocabulário pouco usual, é possível que sejam compreendidas.
    Não entendo esse dilema dos pesquisadores brasileiros… na verdade, basta que realmente façam o que acreditam e também divulguem a ciência que produzem em veículos em português… não é tão difícil exercer um papel social quanto pesquisador. Me parece que os pesquisadores mais conscientes não se satisfazem em fazer a sua parte, mas se doem por todos os colegas que não o fazem, que apenas se preocupam em publicar em inglês, em revistas internacionais.
    Como o Carlos disse, você devia pensar na intenção daqueles que pediram para que você também escrevesse em inglês – eles não querem nada mais do que participar e entender o que você tem a dizer.

  24. manuel disse:

    Caro Ítalo
    Só umas palavrinhas,guardando-me para mais algumas,se houver oportunidade.
    “Acredito que este seja meu último texto nesta plataforma”. É caso para perguntar,como aqui se diz,que “bicho lhe mordeu?” “À propos de quoi?”
    Mas Ítalo,não há sujeição nenhuma em usar o inglês,que,
    quanto sei,nasceu e se criou em Inglaterra. É afinal um “esperanto”,uma língua universal,para que todos mais facilmente se entendam.Uma língua relativamente simples,que uma criança facilmente aprende.
    Bem,já me estava a estender. Estou aqui a pensar no bicho.
    Um abraço,I will see you later.
    Ah,já me ia esquecendo. O Ítalo escreve lindamente em português. Estava inspirado. Que musa o inspirou?
    Desculpe,Ítalo,o Ítalo,que,como eu,é um admirador de Eça,o mestre do humor,mas não de um qualquer,um humor à Eça,um humor sadio.

  25. Carlos Hotta disse:

    Italo, nós lemos o que eles escrevem e eles não lêem o que escrevemos. Isso sim é unilateral e subjugador. Ao escrever alguns textos em inglês estamos criando um diálogo. Tem que sem em inglês porque é a língua franca da Ciência e da Internet!
    O engraçado desta história foi que a decisão de traduzir os posts veio depois que muitos blogueiros que escrevem em inglês pediram que traduzíssimos alguns de nossos textos.
    Eles não pediram isso no sentido: “vcs só têm valor se escreverem na nossa língua civilizada” mas sim no sentido: “parece que vcs escrevem coisas interessantes! Queremos saber o que é e queremos conversar!”.
    Vamos conversar!
    Espero que vc continue conosco.

  26. Karl disse:

    Peraí, peraí…
    Instrumento. Sabe o que isso significa? Algo que deve ser usado por alguém com um objetivo específico. Sua leitura do processo não bate com a minha, apesar de eu concordar (bastante) com a argumentação.
    Sabe como eu desconstruo sua conclusão? Não? Muito fácil. Basta dizer que você ESCOLHE escrever em inglês ou português. Eles não. Compreensão é isso. Açambarcar…
    A não-luta é a grande contradição.

  27. Paula disse:

    Uma pena, uma pena…
    Divulgar ciencia para os brasileiros não necessarimente precisa estar atrelada a uma plataforma brasileira – até porque, blogspot e wordpress não são mais brasileiras que movable type e não conheço nenhuma plataforma brasileira de fato.
    Não sei se o problema é da plataforma, nem do público, nem do ScienceBlogs ou do Lablogatórios. Sinceramente, não me sinto subserviente a ninguém além de mim. Não mudei meu foco, nem minha frequencia de postagem, nem me vendi por um trocado para escrever post pago dessa ou daquela marca.
    A plataforma muda, a url muda – se o blog muda, a responsabilidade não pode de fato ser dada a plataforma ou justificada pelo imperialismo yankee – é um problema do blogueiro.
    Pena que estar atrelado a uma marca estrangeira tenha feito voce se sentir menos brasileiro, ou tenha feito voce trair seus propósitos e seus principios. Acho que trabalhar com isso é muito melhor do que fugir disso, se esconder como se o imperialismo yankee de fato existisse e – nesse caso – não fosse uma coisa da nossa cabeça.

  28. Wendell disse:

    Hã?

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