Qualidade do Solo, áreas afins e respostas de pouca aplicabilidade

Em um texto anterior falei sobre Qualidade do Solo e as formas de abordá-la. Neste, gostaria de discutir dois aspectos – as áreas afins e as respostas de pouca aplicabilidade – que tem permeado alguns estudos, não só nesta linha de pesquisa, mas em outras da Ciência do Solo.
Estudos sobre Qualidade do Solo naturalmente forçam quem os conduz a agrupar avaliações químicas, físicas e biológicas, o que faz com que interajam pessoas que trabalham com Fertilidade, Física e Microbiologia, além de Manejo e Conservação, só para falar do básico, sem considerar especialidades. No entanto, todas essas são subáreas da Ciência do Solo, que é uma das áreas da Agronomia. Em geral, os cientistas/pesquisadores envolvidos são agrônomos com pós-graduação em Ciência do Solo. Eles estudaram o solo profundamente, debruçaram-se sobre livros de Gênese e Pedologia, Química e Mineralogia, entenderam não só o que é o sistema solo, mas também como ele funciona. Não que saibam tudo – obviamente não – mas tiveram acesso aos conhecimentos que subsidiam sua busca científica e criaram em suas mentes um verdadeiro “banco de dados” sobre o assunto. Além disso, conhecem o ciclo do solo dentro da roda da vida e sabem seu papel na manutenção do verde que se respira e do verde que se come. Mais que isso tudo, e tão importante quanto, suponho que amem o assunto. Por quê? Porque para estudar a fundo alguma coisa é preciso amá-la, é preciso considerá-la uma parte da sua busca como pessoa (que vive neste mundo) e como profissional (que pode contribuir para este mundo).
Nas universidades e instituições de pesquisa muitas pessoas de áreas afins tem se arvorado a trabalhar com solo sem sequer ouvir a opinião daqueles que verdadeiramente praticam “A” Ciência do Solo – área da Agronomia. Tenho visto e ouvido coisas assustadoras, escritas e ditas por pessoas de áreas afins. Algo que posso citar como exemplo do que me tem chocado é a falta da informação sobre a classe de solo (Isto mesmo!!!). Como é possível confiar em comparações, ou considerá-las no mínimo dignas de leitura, se sequer a classe do solo é citada? (se vocês leram o texto anterior viram que a comparação é um fundamento de trabalho em Qualidade do Solo). Como podemos afirmar que a qualidade do solo sob o manejo A é melhor do que a qualidade do solo sob o manejo B, se não sabemos sequer se a classe de solo é a mesma nas duas áreas? E o solo da área de referência, é o mesmo? Uma vez ouvi um absurdo de um desses pára-quedistas que era meu superior hierárquico e a quem eu deveria supostamente obedecer: eu disse que era preciso buscar uma nova área para a nossa referência, pois havia constatado que a classe de solo era diferente daquela onde estavam os tratamentos (os tratamentos eram sistemas de manejo e a referência era uma área de mata nativa, todos na mesma propriedade) e ouvi que isto não era necessário porque bastava que a textura fosse a mesma. Não. Não basta que a textura seja a mesma, ela é só um atributo do solo entre as dezenas que estudamos para classificá-lo. Além disso, para o trabalho em questão, outros atributos poderiam influenciar as variáveis que seriam avaliadas até muito mais que a textura. Para piorar, nem a textura havia sido avaliada, então que estória é essa de “se a textura for a mesma”? Não preciso dizer que busquei sim a nova área para a testemunha e que depois de um tempo busquei também outros ares…
Outro ponto que quero discutir é a utilidade de um Índice de Qualidade do Solo que, a meu ver, reside principalmente na possibilidade de se avaliar a sustentabilidade de determinado uso ou manejo. Não vejo utilidade prática em se dizer, por exemplo, que o cultivo do solo degradou sua qualidade quando comparado a uma área ainda sob vegetação nativa. É claro que ao se retirar a vegetação nativa um desequilíbrio é provocado no sistema e a tendência é que a qualidade do solo diminua, principalmente se a área nativa em questão for uma mata (a principal fonte de adição de matéria orgânica – a vegetação – foi retirada, a ciclagem de nutrientes não mais existe de forma efetiva, houve revolvimento, etc.). No entanto, para que serve esta informação? Ao mesmo tempo, acho utópico desejar que a qualidade do solo em uma área cultivada volte aos patamares da qualidade do solo em uma área de vegetação nativa – isto se a área em questão foi mata antes, porque caso tenha sido um campo sujo, a qualidade do solo pode até melhorar com um manejo adequado. Não estou pregando a incorporação de novas áreas sob Cerrado à agricultura! Ninguém destorça, por favor! Só estou querendo mostrar que qualidade é um conceito extremamente relativo.
Quanto mais um sistema de cultivo ou manejo respeita os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, de forma a mantê-los ou até mesmo melhorá-los, melhor será a qualidade do solo e, portanto, maior é o potencial de sustentabilidade. A agricultura orgânica, por exemplo, preconiza a qualidade do solo como um de seus pilares – se consegue ou não mantê-la ou melhorá-la é uma questão que não cabe neste post, mas que, com certeza, só pode ser respondida com estudos sérios e bem conduzidos.
Em suma, creio que é preciso avaliar a qualidade do solo em diferentes condições e diferentes sistemas, para que se possam propor soluções para seu uso sustentável. No entanto, este objetivo não será alcançado com trabalhos realizados sem o devido conhecimento sobre Ciência do Solo (e sem o devido respeito a esta Ciência). Também não acredito na realização de trabalhos que visam apenas somar “mais um” a uma literatura que acaba servindo para aumentar currículos, mas que, no fundo, não contribui como deveria para equacionar a complicada equação produção de alimentos x preservação do solo.

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Discussão - 31 comentários

  1. Ola Elton!
    Tenho todo o tempo do mundo pois estou de férias!!! Grata pela lembrança! Vc assistiu Johnny and June? Se não assistiu, vale a pena Elton. Tem a ver com esse resgate. Um grande abraço!

  2. Elton Valente disse:

    Prezada Flávia,
    Li ontem uma matéria no Yahoo e me lembrei de você. De certa forma ela aborda aquele meu “entendimento” da “visão feminina das coisas”. Se você tiver tempo, vale a pena dar uma olhada, creio que você vai gostar: (http://br.noticias.yahoo.com/s/27072009/48/entretenimento-mulheres-anjos-da-ressurreicao.html).
    Abraços fraternos.

  3. manuel disse:

    Muito boa noite,Doutora Flávia
    Voltando a ler o seu expressivo texto,atrevo-me a acrescentar mais alguma coisa que me parece pertinente,e que,de resto,está subentendido no que escreveu.
    O homem,por razões de subsistência,ao derrubar florestas,ao arrotear matos,perturbou o natural desenvolver dos solos,sob
    a tripla acção biológica,quimica e física,solos esses que são muitos,com os seus perfis típicos.
    Mais perturbou, quando largou instrumentos rudimentares e
    substituiu ajudas orgânicas por químicas,que a familia não parava de aumentar e as vaquinhas,e as ovelhas ,não chegavam para as encomendas.
    Dada a inevitabilidade de não se poder voltar atrás,é claro que o homem sente,compreende,que cada vez mais tem de cuidar dos solos de que lhe tem vindo o sustento,de modo a acautelar o futuro.
    Para isso, tem investigado,tem mudado de técnicas,tem acompanhado as alterações ,tem feito o que a sua inteligência lhe permite fazer para não estragar mais o que já estragou,tentando recuperar o mais que puder.
    E é o combate à erosão,e é o evitar perdas por lavagem,por volatilzação,e é o não salgar demasiado com a rega,e é a passagem do cultivo convencional para o no-tillage,e é adubação com conta,peso e medida,e são as rotações,e é a inclusaão de leguminosas,estando de sobreaviso,que as leguminosas acidificam,e é o deixar na terra a maior parte dos resíduos,sem que se prejudique o manejo do cultivo,…Enfim,tem-se ido adaptando,sempre alerta,que é o seu futuro,como comunidade a dilatar,não se sabe até onde,e até quando,que está em causa.
    E pronto,Doutora Flávia,mas isto,repito,estava lá tudo nas entrelinhas do que escreveu.
    Com as minhas saudações,os desejos de muito boa saúde e de muito bom trabalho,ou descanso,que não é só trabalhar.

  4. manuel disse:

    Caríssimos Doutora Flávia e Ítalo
    Cá estou eu com a segunda página.
    MAIORAL
    Ganadaria necessita de espaço. e aquela herdade fora arrendada para casa dos garraios. Ele tinha de estar,pois, sempre alerta,que o seguro morreu de velho. Para maior descanso,antes de iniciar o trabalho,dirigia-se ao “monte”, para saber onde se encontravam os bichinhos. Cortou-lhes as voltas por alguns dias,mas por fim,que a tarefa tinha de ser concluída,teve de ir ao seu encontro.
    Lé estavam eles,dispersos em pequeno vale. Ali havia boa comida,que a terra era fresca. O maioral,que estava sentado no rebordo de um poço,aproximou-se. Vinha apoiado num cajado,em forma de moca. Então,a montada? Ficara lá no “monte”,raramente a utilizava. Vira-os nascer e conheciam-se bem. Então,para que servia a moca? Eles eram novos,eram como crianças. Gostavam de brincar e por vezes excediam-se. Era nessas alturas que a moca intervinha,para os separar,para evitar que se aleijassem,o que seria uma carga de trabalhos e,talvez, grosso prejuízo. E o diabo do homem dizia isto com naturalidade,como se estivesse a falar de cães ou de gatos.
    Na sua companhia,e com a protecção do jipe,lá se deu conta do serviço,mas sempre muito amedrontado,a pensar que eles podiam perder o respeito à moca.
    Com os meus muitos agradecimentos,as minhas saudações,e os desejos de muito boa saúde,e de muito bom trabalho.

  5. manuel disse:

    Caríssimos Doutora Flávia e Ítalo
    Investido na qualidade de “colaborador”,com a autoridade do
    Ítalo,e perdida a”timidez de autor”,perfilam-se mais duas páginas,em separado,pois “burro velho” já não aprende línguas como deve ser,tendo de se contentar,com o ler,e mal,o que,ainda assim,vistas bem as coisas,é muito.
    A primeira página-
    EXCURSÃO
    De vez em quando,sabe bem ir de excursão ali e acolá,não à toa,mas de maneira planeada. E foi o que aconteceu desta vez.
    Para o arranque,visitou-se um pomar de citrinos,de centenas de hectares. Empreendimento notável,não restava dúvida. Ali andava mão de pessoa de forte ousadia e de vasto saber. A terra era um crivo de malha grossa,com o risco da água de rega se escapar com rapidez demasiada. Mas ela não se perdia,pois era recolhida,algures,para nova utilização. A zona era sujeita a geadas. Para evitar ou,pelo menos,reduzir prejuizos,havia aquecimento artificial. O empreendedor tinha vindo de paragens que não davam garantias de trabalho tranquilo. Pareceu,um pouco mais tarde,não ter ganho com a troca,mas não.
    Seguiu-se um terraceamento fabricado em xisto,segundo as curvas de nível. A erva semeada revestia patamares e taludes. Pena era que os pastores não estivessem para ir com o gado aos locais mais elevados,o que prejudicava o bom andamento do coberto. Para que se haviam de cansar, eles e companhia,se a erva era abundante em cotas mais baixas? Quem manda é quem vive lá no sítio,conceito muito antigo,às vezes ,não tido em conta.
    A terceira paragem foi também de dividendos. O mar ali era amarelo. O girassol,em plena floração,estendia-se a perder de vista. Uma consolação.Tudo quanto se mostrou indicava, claramente,que a torneira do mais que tudo estaria sempre aberta,de caudal sem restrições. O gado leiteiro,às dezenas,viera de fora,em grande parte,e os cavalos eram de raça. Até se dispunha de técnicos especializados,um luxo. Ali não se brincava em serviço. O pessoal tinha férias pagas,na praia,com a família. Com um patrão destes dava gosto trabalhar.
    O final coube a outra empresa modelo. Naquele dia,vários agricultores de ali perto tiveram a mesma lembrança. Como era muita gente,a observação dos diferentes e afastados cantos foi feita em atrelados,com bancos especiais,os clássicos fardos de palha. Alguns não mais os esqueceram,pois teriam sido os causadores de uma comichão dos diabos. Um dos companheiros,ali vizinho,põs a adega,adega de fama, à disposição. Nunca se vira tanta aranha junta. Só os copos é que estavam isentos,por razão óbvia.
    Não podia ter terminado melhor a excursão. Ficou-se,assim,com vontade de repetir.
    A segunda vai demorar um bocadinho.
    Muito boa saúde,e muito bom trabalho.

  6. Caro Manuel,
    também gostaria muito de ver seus textos publicados como “posts” no Geófagos, pois mais pessoas os acessariam. Mas, assim como o ìtalo, respeito sua “timidez de autor”.
    Um grande abraço e, como você diz, muito boa saúde!

  7. Caríssimo Manuel,
    É um enorme prazer ler seus escritos avulsos. Ainda creio que ficariam muito bem estampados no Geófagos, mas respeito seu desejo e já fico feliz mesmo estando meio escondidos aqui nos comentário. Novamente, é um grande prazer tê-lo como leitor e colaborador.

  8. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Em atenção ao Ítalo,aí vai mais uma página,esperando que ele goste também desta. Faço-o,à semelhança das outras veses,como quem se despede de uma coisa de si.
    COMO NA VIDA
    A forragem estava boa para corte. Vieram três homens de uma aldeia próxima. A tarde ia a meio e o calor apertara. Protegida a nuca com lenços,os jornaleiros ceifavam o trevo,bem desenvolvido e basto.
    Algumas vacas já estariam com água na boca,antegozando o festim. Tinham de ter paciência,que, antes disso, ia-se assistir a um espectáculo digno de registo.
    É que um dos ceifeiros encontrou um ninho com vários ovos. Mas que coisa boa,manifestaram-se eles exuberantemente. Vêm mesmo a jeito,pois já estávamos a precisar. Sem cerimónias,após justa divisão,trincaram-nos e enguliram-nos,inteirinhos.
    Mas estavam com sorte,pois,pouco tempo volvido,apareceu outro ninho. Desta vez,rejeitaram a casca,depois de os meterem na boca.
    E a sorte continuou. Já quase saciados,com vagares,partiram os ovos. Mas a sorte não findara. Esse ninho foi poupado.
    Afinal,como na vida. Uns são sacrificados,outros conseguem escapar-se. Vá-se lá saber porquê.
    E as pobres mães? Tinham sido iludidas. A elevada densidade do trevo não lhes salvara os filhotes a haver.
    Muito boa saúde,Doutora Flávia.

  9. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Desculpe,mas não resisti.
    Identificador: 25152
    Tipo: FL
    Classificação: FOL7419
    Autoria: MENDES, I. de C.; REIS JUNIOR, F. B. dos.
    Título: Microrganismos e disponibilidade de fósforo (P) nos solos: uma análise crítica.
    Ano Publicação: 2003
    Fonte: Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2003.
    Páginas: 26 p.
    Série: (Embrapa Cerrados. Documentos, 85).
    Idioma: PRT
    Conteúdo: ABSTRACT: Cerrado soils are extremely old, highly weathered and depleted in essential nutrients, especially P. For this reason, the addition of P fertilizers is mandatory in order to obtain economical yields of annual crops. Soil microorganisms play a key role in the P cycle. The P immobilized in the soil microbial biomass acts as reservoir of this element. Soil microorganisms also produce enzymes that act in the P mineralization, participate in the solubilization of inorganic phosphorus and are able to form symbiosis with plants, denominated mycorrizha, enhancing the uptake of this element. In this review we discuss the results of several studies evaluating the use of soil microorganisms to increase P availability in soils, some of the difficulties related to field inoculation and the perspectives for future research.
    Palavras-Chaves: Microbiologia do solo; Fósforo; Solubilização; Mineralização; Inoculação; Microrganismo; Soil; Microbiology; Phosphorus; Solubilization; Mineralization; Inoculation methods; Microorganisms.
    Obs: CRI6392 ECOSOL180; ECOSOL150. DOC 150. BasCerr
    Exemplares: FL – CRI6392 – DIS
    Não se preocupe,que a seara é rica. Muito boa saúde.

  10. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Desculpe o abuso,mas era para ser a página que se segue.
    ALTOS RISCOS
    As uvas estavam prestes a serem colhidas,de maneira que um estranho apanhado entre as videiras não seria bem visto. Mais ainda,se trouxesse sacos de plástico,embora transparentes,
    arriscava-se a que o maltratassem. Não chegaram a tanto,mas do epíteto de ladrão não se livrou,uma e mais vezes.
    Aconteceu isto,nesta tão arriscada altura,porque um jovem estava cheio de pressa para fazer um certo trabalho. Para tal,tinha de colher folhas e terra numa vasta zona. Se acaso deixasse passar aquela oportunidade,teria de esperar pelo ano seguinte. Seria como estar a marcar passo por longos meses,e isso é que não. Necessidade,a quanto obrigas.
    Das folhas,obteve fotografias que mostravam,claramente,sintomas de uma doença. Tinham,pois,para o jovem,um grande valor,sobretudo porque a elas estavam associados altos riscos. Tinham-lhe custado,pode dizer-se,suor e quase sangue. Cometeria uma injustiça quem dele duvidasse.
    Pois foi o que sucedeu. Um ilustre senhor,ao vê-las,nã se conteve. De que livro as surripiou?
    Mais desculpas,e mais desejos de muito boa saúde,Doutora Flávia.

  11. manuel disse:

    Dutora Flávia
    Mais uma página do caderno,para ir entretendo.
    MAUS TRILHOS
    Chovera muito naquele mês de Novembro e a ribeira ia caudalosa. A noite aproximava-se e era altura de regressar. O jipe já pensara nisso,pois não se estava sentindo nada bem. Precisava de cuidados que só lá na vila encontraria. Ainda se fez ao caminho,mas chegara ao limite das suas fracas forças. Acudam-me.
    E agora? Ao longe,via-se um “monte”. Podia ser que lá houvesse remédio. Vieram logo com um tractor. Lá o trataram como puderam. Ficou a andar,mas muito mal e incapaz de ver na escuridão,que,entretanto,se fizera.
    E agora? Haviam de chegar a casa. Devagar se vai ao longe. E foi o que fizeram. O jipe,muito colado ao guia,às vezes a tocarem-se,lá avançava penosamente,mas muito amedrontado,pois o fragor da ribeira,mesmo ali ao lado,era medonho. Valeu o caminho ter sido aberto em granito esbranquiçado.
    O jipe esteve um dia a recompor-se,mas disseram que não iria durar muito. Mas aquilo era gente sem coração e não descansaram enquanto não o puseram a calcorrear os maus trilhos do costume.
    Cá estou à espera do combinado,mas compreendo muito bem a espera,pois passei pelo mesmo,anos e anos,quase sem tempo para espirar. Posso estar assim,à espera,o tempo que entender.
    Muito boa saúde,e muito bom trabalho.

  12. Elton Valente disse:

    Prezada Flávia,
    Sobre os nossos queridos solos tropicais, postei dois textos no “Tateando Amarras” (http://tateandoamarras.blogspot.com/) tratando das relações entre o solo e a vegetação. Talvez eles lhe interessem, dê uma olhada lá. Um deles eu já havia postado aqui no Geófagos, faz um tempo, mas ele faz um bom “gancho” para o outro, inédito.
    Abraços!

  13. manuel disse:

    Doutora Flávia
    O trabalho de Paulo S.L.e Silva,Kathia,M.B.e Silva,
    Paulo,I.B.e Silva e Gustavo P.Duda,que vem na Revista Ceres 56(1),de 2009,e cujo resumo vai adiante,é ,claramente, do domínio da Agricultura Orgânica. Tomei,por isso,a liberdade de o incluir aqui.
    Modos de aplicação de doses de esterco bovino nos rendimentos de
    espigas verdes e de grãos do milho
    O esterco bovino aplicado a lanço aumenta os rendimentos de espigas verdes, de grãos e de forragem do milho, mas
    somente em doses elevadas; isto é, de 40 a 60 t ha-1. A procura por esse fertilizante é muito grande, e o preço tende a se
    elevar. Além disso, as doses consideradas econômicas são relativamente baixas, em torno de 8 t ha-1. É possível que
    métodos de aplicação mais eficientes possam reduzir a quantidade requerida. O objetivo deste trabalho foi avaliar os
    efeitos do modo de aplicação (a lanço ou no sulco de plantio) de doses (0, 2, 4, 6, 8 e 10 t ha-1) de esterco bovino sobre
    os rendimentos de espigas verdes (em um experimento) e de grãos (em outro experimento) do cultivar de milho AG 1051.
    Os experimentos (fatoriais) foram realizados no delineamento de blocos ao acaso, com oito repetições. As doses e o
    modo de aplicação do esterco não influenciaram as alturas da planta e de inserção da espiga e o rendimento de espigas
    verdes. As doses de esterco também não influenciaram o rendimento de grãos e seus componentes, mas a aplicação a
    lanço determinou maior rendimento de grãos que a aplicação em sulcos; que resultou, principalmente, do seu efeito
    positivo sobre o peso de 100 grãos.
    Palavras chave: Zea mays L., qualidade de espigas de milho verde, adubação orgânica.
    Recebido para publicação em março de 2007 e aprovado em janeiro de 2009
    Com as minhas saudações,os desejos de muito boa saúde,e de muito bom trabalho.

  14. manuel disse:

    Muito bom dia,Doutora Flávia
    A propósito de fixação de N2 atmosférico por via bacteriana,de que tive o gosto de incluir uma valiosa contribuição da EMBRAPA,em relação à cana do açúcar,num
    comentário ao seu compreensivo texto “Qualidade do Solo”,tomo a liberdade de apresentar,agora,uma meia dúzia de linhas que andavam por aí perdidas,em papel um tanto amarelado pelo tempo,esse incontornável intemperizador,como vocês dizem.
    “A subida de preços dos adubos azotados,bem como a elevada energia para os sintetizar,apontam cada vez mais para o
    aproveitamento crescente do azoto por via bacteriana. Nesta perspectiva,está-se intensificando o seu estudo.
    Importa acima de tudo maximizar a fixação do azoto. Para isso há necessidade de conhecer as estirpes de bactérias envolvidas,a sua capacidade fixadora,os factores intervenientes,bióticos ou não,as relações entre bactérias e hospedeiros. Dos factores intervenientes,têm merecido
    aprofundada atenção a acidez do solo e os diversos nutrientes,particularmente o fósforo,o enxofre,o cálcio,o magnésio,o boro e o molibdénio. Porque a relação bactéria/
    hospedeiro é biunívoca,o estudo da influência dos nutrientes tem de respeitar os dois componentes do simbionte. Qualquer acção que tenda a incrementar o fotossintato determinará um maior rendimento de fixação do N2.
    A fixação do azoto atmosférico inicia-se por uma redução do N2,formando-se NH3,que posteriormente é convertido em compostos orgânicos azotados de complexidade variável. Para ser reutilizado,o azoto dos resíduos das plantas tem de ser mineralizado,à semelhança do azoto da restante matéria orgânica do solo. Da taxa de decomposição do azoto orgânico depende o grau de fertilização azotada a efectuar. Daí a
    importância de um adequado método laboratorial de determinação da disponibilidade do azoto orgânico. A escolha dum método não é facil. Com efeito,a taxa de mineralização depende de diversos factores,estando também
    influenciada pelo fenómeno inverso,a imobilização de azoto por via microbiana”.
    Escusado será dizer que tudo quanto ficou tem o seu suporte bibliográfico. Não há nada de geração espontânea,é tudo uma questão de forma,como já lá dizia Lavoisier.
    E pronto,Doutora Flávia,mais uma vez,as minhas muitas desculpas pelo tempo que lhe tiro,pois tem muito mais que fazer,pela paciência,que se gasta,mas é tudo por bem.
    As minhas saudações,e os desejos de muito boa saúde,e de muito bom trabalho,como,alás,sempre.

  15. manuel disse:

    Caro Ítalo
    Muito gosto em o ler. Por coincidência,estava-me preparando para,com a vossa permissão, incluir mais um achado das minhas incursões por uma das vossas revistas,a Scientia Agricola. Isto,para lembrar,pois são muitas as contribuições,pelo que não será exagerado,ou intromissão,gestos destes.
    Quanto ao que lembra,pela sua rica saúde,Ítalo,agradeço muito,mas deixe-me estar,aqui,muito sossegadinho no vosso cantinho(cantinho,na perspectiva do Brasil Imenso).Fiquemos só no “gostei muito dos seus textos”,que já é muito,muito.Fica,portanto,Ítalo,este caso arrumado.
    Quanto aoachado,ele aí vai. Se achar redundante,corte,faça desaparecer,que o Ítalo tem “a faca e o queijo na mão”.
    Search on : FIXACAO [Subject]
    References found : 11 [refine]
    Miyauchi, Marina Yumi Horta et al. Interactions between diazotrophic bacteria and mycorrhizal fungus in maize genotypes. Sci. agric. (Piracicaba, Braz.), 2008, vol.65, no.5, p.525-531. ISSN 0103-9016
    · abstract in english | portuguese · text in english
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    · abstract in english | portuguese · text in english
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    Corrêa, Rossini Mattos et al. Gafsa rock phosphate and triple superphosphate for dry matter production and P uptake by corn. Sci. agric. (Piracicaba, Braz.), Apr 2005, vol.62, no.2, p.159-164. ISSN 0103-9016
    · abstract in english | portuguese · text in english
    Ricci, Marta dos Santos Freire et al. Growth rate and nutritional status of an organic coffee cropping system. Sci. agric. (Piracicaba, Braz.), Apr 2005, vol.62, no.2, p.138-144. ISSN 0103-9016
    · abstract in english | portuguese · text in english
    Oliveira, Wladecir Salles de et al. Alfalfa yield and quality as function of nitrogen fertilization and symbiosis with Sinorhizobium meliloti. Sci. agric. (Piracicaba, Braz.), 2004, vol.61, no.4, p.433-438. ISSN 0103-9016
    · abstract in english | portuguese · text in english
    Ferreira, Alessandro Nunes et al. Estirpes de Rhizobium tropici na inoculação do feijoeiro. Sci. agric., Set 2000, vol.57, no.3, p.507-512. ISSN 0103-9016
    · abstract in portuguese | english · text in portuguese
    Caires, Eduardo Fávero and Rosolem, Ciro Antonio Nodulação e absorção de nitrogênio pelo amendoim em resposta à calagem, cobalto e molibdênio. Sci. agric., Jun 2000, vol.57, no.2, p.337-341. ISSN 0103-9016
    · abstract in portuguese | english · text in portuguese
    Tudo isto,como sabe tão bem como eu,ou muito melhor,que eu estou olhando para o passado,e o Ítalo para o futuro,para se aproveitaro melhor que se puder a especialidade de certas bactérias para captar o muito azoto que anda por aí por essa atmosfera que nos envolve,e da qual dependemos.
    Mais uma vez,muito obrigado,e já sabe,tem ” a faca…”. Mas foi por bem. Um grande abraço,Ítalo,e muito boa saúde,e muito bom trabalho pela EMBRAPA,de que,a cada “clic”,tropeço
    com uma realização.

  16. Caríssimo Manuel,
    Gostei muito de seus textos e gostaria de lhe fazer um convite. Por que não publicar alguns deles, com sua experiência de agrônomo português, conhecedor do Portugal profundo, por estas páginas de agricultura brasileira? Não há nenhuma obrigação, veja bem, é um convite. Teria no entanto muito gosto se aceitasse. Se quiser, pode entrar em contato comigo pelo e-mail:
    [email protected]
    Grande abraço.

  17. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Desculpe,é só mais esta,por agora,a não ser que me mande dar uma grande volta.
    CAPAZ DE SE AFOGAR
    Ouvia-se-lhe a voz,mas não se conseguia vê-lo. Ainda se tentou encontrá-lo ,para uma justificação,mas escondia-se. Coisas de rapazes. Do ladrão,ladrão,é que ele não desistia. Tudo isto,porque se lhe invadira os domínios e houvera a ousadia de pôr num saco meia dúzia de quilos da sua terra,muito negra e muito encharcada. O milho,já alto,era capaz de se afogar.
    Aconteceu isto nas imediações de Póvoa do Lanhoso,há uns bons trinta anos. Sabia-se que fora por ali que eclodira uma “confusa rebelião popular usualmente conhecida de revolução de Maria da Fonte”. Dera-se ela em tempos muito recuados,mas aquele moço podia ser descendente de um revolucionário. Era capaz de ir tocar a rebate.
    O mais acertado era sair dali,para pôr a recato o precioso saco e sabe-se lá mais o quê. Noutros locais,já os tinham olhado com olhos desconfiados. Que andarão estes por aqui a fazer? Boa coisa não será.
    Se o moço tivesse visto o jipe,um tanto afastado,o que é que ele iria pensar? Querem ver que me vão levar a terra toda? Então é que iria mesmo pedir socorro.
    Mais uma vez,desculpe. O caderno agradece. Muito boa saúde e muito bom trabalho.

  18. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Combinado. Na espera,se mo permite,mais uma historiazinha do meu caderno de agrónomo.
    NÃO SE PERDERA TUDO
    Estava a ouvir os carros a passar na rua com o chão molhado de chuva a acair. Fora assim que há muitos anos ele acordara de madrugada,algures numa pensão alentejana. Parecia ter-se gorado o trabalho da noite a preparar as coisas para uma sementeira de trevo da Pérsia. O tempo acabou por se recompor e lá foi à procura de auxílio.
    Apareceu na forma de um velhote muito magro,com barba de dias. Era dono de uma parelha de muares tão velhas como ele. Mas os três sabiam do seu ofício,que a aprendizagem começara cedo e em excelente escola.
    A água deixara de vir do céu,mas havia mais prometida. As mulazinhas não podiam mandriar,bem como o seu condutor. A obra ficou perfeita. Todos não cabiam de contentes,sobretudo o trio assalariado. Ainda se haviam lembrado deles,graças a Deus. Tinham estado um largo tempo parados,mas não há mal que sempre dure. O par teve naquele dia rancho melhorado e o velhote,para além do que fora estabelecido,banqueteou-se com ceia lauta no café do lugar.
    A previsão confirmou-se. A chuva voltou,de mãos largas,fazendo das suas. As sementes boiavam. Tinham sido esforços baldados. Feitas as contas,restara a alegria dada ao trio assalariado. Não se perdera tudo.
    Com as minhas saudações,muito boa saúde e muito bom trabalho.

  19. Caro Manuel,
    esse seu decálogo dá muito pano para manga… tenho opinião sobre tudo isso, mas te prometo que escrevo um post sobre o tema. São muitas vertentes, seria até leviano de minha parte tratar de todas num simples comentário! Te prometo uma resposta em forma de post, combinado?!
    Grande abraço e saúde!

  20. Caro Elton,
    gostei de “ouvir” essa confissão e entendi bem o que você quer dizer quando fala na “Visão Feminina das Coisas”. Confesso que tive receio de que houvesse um disfarce de machismo por aí (não leve a mal a franqueza)… traumas de quem teve que provar um cadinho a mais de eficiência que os outros. Agora que sei de onde vem essa opinião, me sinto bem para concordar com ela. Há mesmo uma visão diferente, nem pior nem melhor, apenas diferente. O ideal é que ambos, mulheres e homens, juntem o melhor de suas “visões” na direção de uma vida mais equilibrada e um mundo mais tranquilo, não é mesmo? Abraços!

  21. manuel disse:

    Doutora Flávia
    A propósito de Agricultura Orgânica, parece-me ter aqui cabimento o “Decálogo” que adiante lhe apresento,encimado de uma longa peergunta.
    Como alimentar o Mundo com a Agricultura Orgânica ou que lugar tem a Agricultura Orgânica perante certas realidades e pretensões?
    1.Crescente população mundial,a aproximar-se dos 7 mil milhões.
    2.Eliminação de fertilizantes químicos,pesticidas e herbicidas.
    3.Cerca de metade da população tendo por base do seu sustento o arroz.
    4.Grande parte dos solos degradados,pobres em MO e nutrientes essenciais.
    5.Não uso de transgénicos resistentes a pragas e doenças.
    6.Doenças e pragas não controladas biologicamente.
    7.Necessidades actuais em alimentos satisfeitas,em parte considerável,com recurso a adubos químicos,pelo menos,que permitem altas produções.
    8.Prática crescente do “no-tillage”.
    9.Necessidade de remoção de resíduos das culturas por não poderem ser enterrados,o que dificulta ou impede o manejo do cultivo,com reflexos no teor da MO dos solos.
    10.Necessidade de produzir barato,face à triste realidade da pobreza,da miséria mesmo,com cara de alastrarem.
    Pedindo muitas desculpas pelo abuso do espaço,as minhas saudações,e os desejos muito boa saúde e de muito bom trabalho.

  22. Elton Valente disse:

    Prezado Manuel,
    Já que você gostou da imagem, vou preparar uma pequena coleção de imagens da Serra para você (e todos), por via do blog. Prometo! Será o próximo post!
    Muita saúde para você também!

  23. manuel disse:

    Caro Elton
    Acabei de visitar o blog “Tateando Amarras”,e de ler o seu texto. O Elton gosta mesmo da Serra do Cipó,e compreende-se muito bem porquê. Que elucidativo texto,e que bela imagem,para o agrónomo que eu sou. Se tivesse sido eu que por lá tivesse andado,as amostras de terra que colheria,correndo,depois,para o laboratório para as analisar,para,mais tarde,se possível,fazer alguma coisa que os dados sugerissem. Fiz isso vezes sem conta,tendo-me interessado,tinha de ser, por solos brasileiros,e por outros,que o mundo é vasto,e vário. Também andei por Angola,aí cartografando solos,e colhendo amostras,fugindo
    de pacaças,giboias,crocodilos,e mosquitos,sobretudo mosquitos,de que me livrei,mercê dum líquido que cheirava muito bem,mas de que os mosquitos não gostavam,fugindo dele a sete asas.De resto,cartografar e colher amostras,já tinha tido a minha conta,durante dois suados anos,pelo Alentejo profundo.
    Muito obrigado,Elton,pelo convite,não sendo a honra para aqui precisa,está bem de ver.
    Muito boa saúde, Elton.

  24. Elton Valente disse:

    Prezado Manuel,
    Sou um admirador incondicional de Fernando Pessoa, e tantas outras gentes de sua terra, a começar por Camões e Pero Vaz de Caminha e seguem-se Florbela Espanca, Eça de Queiróz, João Apolinário, José Saramago…
    Quanto ao Cerrado, Prezado Manuel, “descobriram-no” para o agronegócio lá pelos anos 70. Agora temos de lutar pela preservação do que resta dele. É um bioma peculiar, muito interessante, com diversas fitofisionomias – vale a pena uma visita ao Brasil só para conhecê-lo. A Serra do Cipó, onde realizei os trabalhos de campo de minha tese de doutorado, corresponde a um ecótono entre o Cerrado e a Mata Atlântica. A Serra é outra jóia rara. Falando nisso, acabei de postar um texto sobre a Serra do Cipó no blog “Tateando Amarras” (http://tateandoamarras.blogspot.com/). Dê-nos a honra de sua visita lá!
    Enfim, fico muito feliz, creio que em nome de muitos brasileiros, por seu interesse nas coisas de cá!
    Um fraterno abraço!

  25. manuel disse:

    Olá,Elton
    Cá estamos,Elton. Vou começar com o seu “creio que você e o Manuel vão gostar muito disso”.
    Quanto a mim,Elton,gostei,obviamente,por lembrar Pessoa,e agradeço. Quanto a filosofia,..,olhe,é melhor ficar por aqui,que não valia a pena,que o mundo já está cheio,a transbordar,de filosofias. Fica para quem gosta de filosofar,que é o que não falta para aí.
    Antes de me pôr aqui a escrevinhar,lembrei-me de consultar o Google,via Cerrado. O que vai para ali sobre os solos do Cerrado. Veja lá que gostei muito também. Ali não encontrei filosofias,mas sim muita coisa para investigar,como o que a seguir encontrei na Scientia Agricola-Comparação entre as propriedades químicas dos solos da região da floresta amazónica e do Cerrado do Brasil Central.
    Que vastidão a do Cerrado,o segundo maior bioma brasileiro,
    mais de 2 milhões de Km2,chuva de 1200 a 18oo mm,solos intemperizados,alta lixiviação,pH de 4,3 a 6,2,alto teor de Al,baixos teores de P,Ca,Mg,K,OM,argíla caulínica,óxidos de ferro hidratados,boa drenagem,abundante cama para as raízes,estrutura degradada. Ah,Elton,tanto desafio,a fazer esquecer filosofias.
    E pronto,Elton. Mais uma vez muito obrigado por ter trazido Pessoa. Um abraço,Elton.

  26. Elton Valente disse:

    Prezada Flávia,
    Que boa conversa nos traz aqui! E veja que você começou “a por em palavras” o que considero “A Visão Feminina das Coisas”. Vou lhe confessar de onde vem isso – você merece essa confissão – comecei a perceber essa diferença ainda garoto, observando a abordagem de meu pai e de minha mãe sobre um mesmo assunto. Havia uma diferença ali. Ao longo da vida, fui reconhecendo e admirando isso cada vez mais. Observe que está tudo aí, em suas próprias palavras:
    “Já que estamos falando de amor, também acredito que não é possível saber o que são as coisas em si, mas que é possível senti-las (e isso todos nós sabemos de sabido, não de ensinado). Mesmo na vida profissional nem sempre a razão é a melhor conselheira. De que adianta um conhecimento acadêmico insípido, incolor e inodoro, estéril e preso em si mesmo? De que adianta usar o conhecimento apenas para garantir o salário da sobrevivência?”
    Reitero os abraços!

  27. Caro Elton,
    grata por suas palavras!
    Não é a primeira vez que você fala na Visão Feminina das coisas e confesso que isso muito me intriga, tanto que nem consigo pôr em palavras a intriga que me causa… quem sabe um dia.
    Já que estamos falando de amor, também acredito que não é possível saber o que são as coisas em si, mas que é possível senti-las (e isso todos nós sabemos de sabido, não de ensinado).
    Mesmo na vida profissional nem sempre a razão é a melhor conselheira. De que adianta um conhecimento acadêmico insípido, incolor e inodoro, estéril e preso em si mesmo? De que adianta usar o conhecimento apenas para garantir o salário da sobrevivência?
    Um fraterno abraço e até mais!

  28. Elton Valente disse:

    Corrigindo…
    Creio que Você e Manuel vão GOSTAR muito disso.
    Reitero os abraços!

  29. Elton Valente disse:

    Prezada Flávia,
    Já lhe disse certa vez que tenho muito respeito e admiração pela visão feminina do mundo. Portanto, de seu longo e rico texto, como já expressou muito bem o nosso Amigo Manuel, quero ater-me, por ora, a uma sentença sua:
    “Porque para estudar a fundo alguma coisa é preciso amá-la, é preciso considerá-la uma parte da sua busca como pessoa (que vive neste mundo) e como profissional (que pode contribuir para este mundo).”
    Coincidentemente, postei recentemente no blog “Tateando Amarras” (http://tateandoamarras.blogspot.com/) um texto intitulado “sobre a natureza dos blogs”. Finalizo-o dizendo o seguinte:
    Porque, já dizia Alberto Caeiro, pela voz e pela pena de Fernando Pessoa: “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos… / Se falo da natureza não é porque saiba o que ela é. / Mas porque a amo, e amo-a por isso, / Porque quem ama nunca sabe o que ama / Nem por que ama, nem o que é amar…”
    Creio que Você e Manuel vão gostam muito disso.
    Abraços fraternos e parabéns pelo texto!

  30. Caro Manuel,
    são vários pontos para comentar em seu comentário… escolherei alguns.
    – Amor: sem ele não se faz nada bem. Gostei de você ter contado o que seu professor de letra grande lhe disse um dia. Percebo que lhe fez bem pois você guardou as palavras. Tão importante gostar das coisas!
    – Vegetação retirada: sou contra a abertura de novas áreas (seja Amazônia, seja Cerrado) para a produção de alimentos, fibras ou seja lá o que for. Não há necessidade. É preciso sim manejar de forma adequada as áreas já incorporadas ao processo agrícola.
    – Agricultura orgânica: esta dá pano para manga. Os produtos ainda são caros para a grande maioria da população. No entanto, não se pode negar o respeito ao solo que esse tipo de agricultura preconiza. Me preocupo apenas com sua transformação em um “business” desenfreado… isto é assunto que dá outro post.
    – seus textos: reconheci de cara o autor!
    Um grande abraço, muita saúde e paz de espírito!

  31. manuel disse:

    Doutora Flávia
    Muito interessante o seu longo e abrangente texto. São vários e importantes os pontos que aborda. Infelizmente,o meu percurso no domínio do solo não me permite abordar o texto como ele merece. De resto,não sou daí,estou longe dos problemas que aí se colocam. Mas isso não impede que possa tocar nalguns pontos,os que estão ao meu alcance.
    1 – O verde que se respira. Bonito. Temos de agradecer à clorofila. Ainda bem que ela anda também pelos oceanos,outra fonte de O2,de resto,a maior.
    2 – Amem o solo. Bonito. Sem amor,nada feito,ou melhor,não se faz tão bem. Faz-me lembrar o que há muitos anos ouvi de um professor com letra grande- Olhe,não entendi quase nada do que disse,mas uma coisa lhe posso dizer,você gosta disso.
    3 – Textura. Só? Mas o que é isso? Então,e o resto? Olhem que sem o resto,nada feito. Aqui,é que é mesmo nada. Então,e as diversas unidades-solo?,que tantas são,cada uma requerendo um adequado tratamento,eleito por investigação.
    4 – Vegetação retirada. Aquela Amazónia,meu Deus,o que ali vai de manta morta,de micorrizas. Retirada a floresta,lá se vai a riqueza de séculos(?). Bem,mas é melhor sair daqui,pois estou a entrar em casa alheia.
    5 – Agricultura orgânica. Não percebo nada. Quer-me parecer que é agricultura para ricos,a não ser que se esteja a pensar em rotações com leguminosas,enterramento de resíduos.
    E pronto,Doutora,é o que me ocorre,em traços gerais.
    Muito obrigado pelo seu texto,que já estava a ver a vida a andar para trás,pois tinham-me habituado mal.
    Muito boa saúde,e muito bom trabalho.
    Ah,já me ia esquecendo. O Era a Rosa,e Um fio de Água saíram da minha pena. Já lhes perdi o conto. Tem de se ir fazendo alguma coisa,podendo,fazer do que se gosta,com amor.

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