Sobre a natureza do Geófagos

Senhores,
Concordo plenamente que o cientista ou os que tratam de ciência, seja por qual meio for, não se devem isolar na torre de marfim, lugar comum batidíssimo e por certo um sítio incômodo em que se viver. Nada disto se sugere. No entanto, quando se idealizou o Geófagos, tinha-se em mente exatamente o fato de que os blogs de ciência de então discutiam muito mais política e outros assuntos do que ciência propriamente.
A proposta inicial e atual, razoavelmente bem entendida e aceita pelo leitor típico e majoritário do Geófagos, é a de um blog com explicações de fatos científicos relativos principalmente às Ciências Agrárias, aliás muito pouco divulgadas na blogosfera. Tenho a incômoda impressão de que as opiniões políticas se aproximam muito mais das crenças religiosas do que das opiniões científicas e um dos nossos objetivos iniciais era também divulgar o método científico e as formas de se pensar daí decorrentes.
Siceramente, de forma alienada ou não, não desejaria que o Geófagos fosse visto como um espaço de discussão política. Parece-me claro que alguns blogs que inicialmente se propuseram a ser de ciência são hoje muito mais procurados pelas discussões de cunho político do que pela divulgação científica. Não tenho nada contra, mas não creio que o Geófagos seja necessário nesta contenda.
Blogs políticos há muitos, bons e profissionais, não acho que emissão de opiniões amadorísticas acrescente muito ao que está sendo feito por aí. Da mesma forma, geralmente não vejo com muito agrado as bobagens que são ditas sobre ciência em espaços dedicados a outros assuntos por profissionais de outras áreas. Nesta internet de opiniões bidimensionais, em que todos se julgam aptos a se pronunciar sobre todo e qualquer assunto, alguns portos de tridimensionalidade parecem ser necessários.

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Discussão - 2 comentários

  1. manuel disse:

    Caro Ítalo
    O gosto que eu tive de o ler. Não se esqueça de que foi pela sua mão que entrei para o vosso convivio,o que já lhe agradeci mais de uma vez,agradecendo,neste passo,uma outra.
    E faço minhas as suas palavras. Mais ainda,se o figurino fosse,no início,aquele que tem vindo, ultimamente, a desfilar,teria dito passem por cá muito bem,pois não estou para me incomodar,por não ter já idade,nem paciência para isso. Se o homem é aquilo que é,não há nada a fazer,a não ser esperar um milagre. Talvez o genial Darwin nos desse uma palavrinha de esperança,talvez ele vislumbrasse qualquer coisa,ainda que indefinida,uma luzinha ténue,a apontar para uma aurora de entendimento universal,e não de entendimento com o vizinho do lado,que não estava lá muito bem,mas ele,Darwin,já cá não mora.
    E pronto,Ítalo,mais uma vez os meus agradecimentos por estes já sete longos meses de direi eu,direi tu,sem azedumes,nem crispações,que assim é que é bonito. Deixar lá esses azedumes,essas crispações,para os sítios que nós sabemos,é assim,também não há nada a fazer.
    Um grande abraço,Ítalo. Lembre-se,também,que nos cruzámos através do “isto é uma choldra”, do nosso muito saudoso Eça.

  2. manuel disse:

    Caro Eton
    “É sobre virtudes. Sobre a importância de respeitar as pessoas e de se colocar no lugar delas, solidarizar-se, compreendê-las para tentar entender um pouco de seu sofrimento, seus medos, suas angústias, suas carências, suas dores ou suas alegrias.”
    São suas estas palavras. Escusava de ter escrito mais.
    Está aqui tudo. Pode-nos dizer em que passo da longa história do homem isso aconteceu?,mas não em experiência-piloto,com vistas largas,à escala do mundo,que não deve haver filhos e enteados.
    Tem-se falado muito,tem havido muita retórica,tem-se abusado dos dons da palavra escrita,da palavra dita. Muitas pessoas inebriam-se com as suas palavras,para mostrarem que são muito inteligentes. Querem a reverência dos outros,querem vassalagem. Algumas delas estão-se nas tintas para ou outros,sobretudo para os que padecem penúria de pão para a boca,de roupa para se vestir…
    Não me quero contradizer,por isso termino,que não são precisas palavras,a bem dizer,para endireitar o mundo,mas sim aquilo que apontou,que é o termos pena do outro,ajudá-lo,…
    Mas não tenhamos ilusões ,Elton. Só lhe vou lembrar o que Rosalia de Castro parece ter dito um dia – Não emigreis. Depois,Elton,a conta bancária,depois,Elton,o que “eu passei não o desejaria ao maior inimigo,e vou fazer tudo para não mais lá voltar,tudo”. Depois,Elton,não estamos só no mundo,pois não?´Depois,para terminar mesmo,não se esqueça Elton,há os Senhores,os Grandes Senhore,o EU e o TU,sendo,num exemplo,o EU,o Elton,e o TU,um outro,que quer ser tão importante como o Elton.
    Desculpe,Elton,mas o Elton escreve muito,e eu também.
    Tire umas feriazinhas,Elton,ia-lhe fazer muito bem.Um abraço.

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