Cosmogonia Sertaneja

Arde o Sol de meu Sangue acaboclado
Sobre a áspera Rocha do meu ser,
Astro escuro tentando se esconder
Sob a Luz do Sertão esbraseado,
Onde o Rio de meu Sangue derramado
Rega o Solo de um mundo endurecido
E ilumina este Abismo adormecido,
Despertando Demônios e Poetas
Que, gritando suas Palavras secretas,
Dão ao Caos deste Mundo algum sentido.
Sobre o chão pedregoso Sertanejo,
Furioso e brilhando Aurivermelho,
Paira o Astro terrível que é o espelho
Do Sangue derramado e malfazejo
De um Poeta infernal, cujo bafejo
Deu alento a uma Raça piolhosa
Que, gerada na vil massa Argilosa,
Quis alçar-se à Divina posição.
Anoitece nas terras do Sertão,
Sonha a Raça divina, silenciosa.

Conservação do solo no Paraná

Notícia publicada pela Agência Estadual de Notícias, do Paraná:
‘Uma normativa para o uso de solos em todo o Estado foi lançada pelo governador Orlando Pessuti nesta sexta-feira (3) em Campo Mourão. O evento fez parte de um seminário estadual sobre o manejo e a conservação das terras agrícolas paranaenses. Entre os objetivos da resolução está diminuir as perdas com a erosão e dar suporte para os técnicos que fiscalizam o plantio poderem cobrar e multar quem não segue os preceitos da normativa.
O encontro contou com a presença do secretário da Agricultura e Abastecimento, Erikson Camargo Chandoha, representantes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), engenheiros agrônomos e chefias de todos os Núcleos Regionais da Seab.
O governador Orlando Pessuti disse que a luta deve ser de todos. “Fico indignado quando vejo processos erosivos devido ao manejo inadequado. Eu que nasci e cresci na roça; sei o que é perder o solo e contaminar os rios. O agricultor tem um compromisso com a vida, ele cuida do que é essencial da água, do alimento e da qualidade do ar”, destacou.
O secretario Chandoha explicou que agora essa é uma prioridade. “Quando assumi, disse que não criaria novos programas, pois o que temos é muito bom. Mas teríamos a retomada das boas práticas. O que buscamos principalmente é a excelência do plantio direto.”
O evento serviu de alerta sobre a qualidade do solo e a importância do manejo correto do mesmo. O engenheiro agrônomo da Emater, coordenador do programa de gestão ambiental em microbacias, Oromar João Bertol, a erosão hoje está voltando a ser um problema no estado.
“Estamos enfrentando a perda de solos, água e as lavouras também perdem com isso. Isso aumenta o custo e diminui a produção do trecho que sofre com a erosão. Mas o problema vai além de apenas perdas econômicas para o produtor. O assoreamento é uma das consequências desse descaso. A água é um recurso importante para toda a sociedade”, ressalta Bertol.
Um dos organizadores do seminário, Erich Schaitza, secretário executivo do Programa de Gestão Ambiental Integrada em Microbacias, explicou que essa medida não é algo novo, é uma retomada das boas práticas que foram deixadas de lado ao longo do tempo.
“O Paraná já foi referência na qualidade e conservação dos solos, mas mudou. Mudaram os maquinários, o sistema de plantio e a sociedade não renovaram as boas práticas. Quando tivemos a troca de secretaria, uma das prioridades foi a volta da discussão em torno do manejo. O bom é que a visão de que é preciso mudar o que se tem hoje vem de vários setores, tanto públicos como privados”, diz.
Segundo ele, a região foi referência no correto manejo e tem grande importância ainda hoje. “Não há como negar o potencial da região de Campo Mourão. Até por isso, esse evento está sendo realizado aqui”, explica Schaitza. Ele lembrou que agora com a normativa o Estado vai poder cobrar as boas técnicas de manejo.
“O produtor pode se recusar a seguir o que determina a normativa, mas agora temos a base técnica para cobrar e multar. Todos estarão avisados, até por isso reunimos a parte técnica, as cooperativas, entre outros. Para que a informação chegue aos produtores. É uma ajuda também aos fiscais que atuam nas regionais”, afirma Schaitza.
O engenheiro agrônomo e professor Marcos Vieira lembrou que o encontro não pode ficar apenas na conversa. “O seminário já é uma conquista, mas o que a gente espera mesmo e que seja o gatilho que detona as ações futuras. Para que todos se preocupem mais em reverter a perda de qualidade do solo”, pondera.
De acordo com o engenheiro, os problemas com a erosão são cada vez mais uma triste realidade. “Só não temos problema agora porque não está chovendo. Com a seca não temos erosão, mas é a chuva vir com esse manejo inadequado que muitos estão tendo que os problemas ficarão evidentes”, finaliza.
Para o presidente do Crea PR, José Cabrini Junior, o evento e o regulamento não são novidades no Estado. “A questão do manejo começou em Campo Mourão e foi se espalhando. Hoje o que buscamos retomar é uma tecnologia nossa, queremos uma agricultura forte”, coloca.’

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