Em uma palavra [243]

funâmbulo (fu.nâm.bu.lo)
s.m. 1.
acrobata que caminha sobre corda-bamba: “funâmbulo quebra recorde de distância entre prédios”. 2. pessoa de convicções frouxas, que muda de ideia constantemente; vira-casaca, maria-vai-com-as-outras: “candidato-funâmbulo quebra recorde de mudanças de planos de governo”. funambulismo, s.m. 1. arte de andar sobre corda-bamba; slacklining. 2. ausência de firmeza nas convicções.

Em uma palavra [242]

paleomnésia (pa.le.om.né.sia)
s.f., neolog. memória, recordação precisa de eventos situados num passado remoto. [neologismo a partir do grego paleo- = antigo + -mnesia = memória]

O sequestrador mais preguiçoso da História

Em 1974, o californiano Kenneth Lutz Jr. tinha um problema: precisava de dinheiro. Uma solução: fazer um sequestro e pedir um resgate. Outro problema: sequestrar quem? Na falta de uma ideia melhor, Kenneth Lutz Jr. decidiu sequestrar-se a si mesmo. O plano era muito simples: deixar uma nota de resgate na porta da casa dos seus pais. A execução, porém, foi tão simplória que não foi difícil descobrir o sequestrador de Kenneth Lutz Jr.

Na manhã de 14 de fevereiro de 1974, Kenneth Lutz pai encontrou uma nota na porta de casa informando-lhe do sequestro do filho e exigindo 5.000 dólares (em nota de 20) como resgate. O bilhete terminava com a instrução de que o dinheiro fosse “botado pra fora quando você for trabalhar na quarta-feira”. Não havia instruções sobre onde, exatamente, deixar o dinheiro nem como o filho seria devolvido.

imageMorador de Grand Terrace, Califórnia, Mr. Lutz não perdeu tempo e chamou a polícia. Na mesma tarde, um policial veio acompanhado de um detetive. A primeira coisa que fizeram foi dar uma geral na casa. Foi então que descobriram o cativeiro do rapaz.

O cativeiro escolhido por Lutz Jr. para se autossequestrar não poderia ser pior: ele foi encontrado  dentro de um trailler nos fundos do quintal da própria casa. A porta sequer estava trancada… O sequestrador mais preguiçoso da História prontamente confessou o próprio sequestro, negando o envolvimento de terceiros. “Eu queria o dinheiro e [o sequestro] me pareceu algo que poderia ser feito”, declarou à polícia.

Poderia ter sido feito de forma muito melhor, claro. Segundo o jornal The San Bernardino County Sun, o caso levantou suspeita do detetive desde o começo, pois não há “sequestrador que assine seu nome como sequestrador no fim de um bilhete”. A notícia publicada na edição de 15 de fevereiro daquele periódico nos informa que Lutz Jr. acabou detido por tentativa de extorsão e porte de uma pequena porção de maconha. Não sabemos por quanto tempo ele ficou atrás das grades, mas ele não deve ter demorado a perceber que planejar um golpe chapado não é uma boa ideia…

[via Hoaxes.org]

MIT descobre o universal linguístico (ou não)

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Torre de Babel (Pieter Bruegel, o velho. c. 1563)

[tradução e adaptação de: “MIT claims to have found a “language universal” that ties all languages together“, por Cathleen O’Grady, no Ars Technica]

Ao redor do mundo, as línguas assumem uma estonteante variedade de formas — a tal ponto que isso mantém um longo debate sobre se todas as línguas podem ter alguma propriedade em comum. Agora, de acordo com um paper publicado na edição dessa semana da PNAS, há um novo candidato ao fugidio título de “universal linguístico”. Todas as línguas, segundo os autores, se organizam de tal modo que conceitos relacionados ficam tão próximos quanto possível dentro de uma frase, facilitando a compreensão da noção geral que expressam. Continue lendo…

Em uma palavra [241]

galicínio (ga.li.cí.nio)
s.m.
1. canto do galo; 2. hora matutina em que o galo canta; alvorada. [do lat. galicinius]

Inseminação artificial à moda antiga

Ao contrário do que se pode imaginar, a técnica de inseminação artificial é bem mais antiga do que parece. Os primeiros casos de fertilização por meios mecânicos remontam ao fim do século XIX, mas não é improvável que alguma forma de reprodução assistida tenha aparecido anteriormente. Em Anomalies and curiosities of medicine [Anomalias e curiosidades da medicina], Pyle e Gould relatam alguns casos que antecederam em muito o nascimento de Louise Brown, em 1978:

Um criador de cães, por meio de uma seringa aplicada ao útero de uma cadela, teve sucesso em emprenhá-la. Aos que desejam informação completa sobre esse assunto, quanto ao modus operandi, etc, devem procurar Girault; este autor relata, na íntegra, diversos exemplos [de inseminação artificial]. Um caso era o de uma mulher de 25 anos e afetada pela blenorreia; desgostada pela ausência de filhos, ela fez repetidas injeções forçadas de sêmen dissolvido em água durante dois meses e acabou engravidando a si mesma, dando à luz uma criança viva. Outro caso era o de uma moça de 23 anos, portadora de um canal vaginal extra-longo, provável causa da falta de gravidez. Após fazer injeções de sêmen, ela finalmente engravidou. Girault ainda reporta o caso de um músico distinto que, por causa da hipospadia, nunca fertilizou sua esposa e recorreu às injeções de sêmen, com bons resultados. […] Percy cita o exemplo de um gentleman que havia conhecido há algum tempo, o qual tinha uma uretra que terminava pouco abaixo do frenum, como em outras pessoas, mas cuja glande era inchada bem em frente dela, tornado impossível a micção no sentido frontal. Apesar do fato de que este homem não podia exercer a função ejaculatória, ele foi pai de três crianças, duas das quais herdaram sua má-formação na genitália. [pp. 86-7]

Em seguida, a mesma fonte descreve uma técnica de inseminação artificial usada na época:

O marido, estando em perfeitas condições de saúde, é orientado a coabitar com sua esposa, usando um condom. O sêmen ejaculado é sugado por uma seringa intrauterina que tenha sido apropriadamente desinfetada e aquecida. O os uteri é exposto e esfregado com um pouco de algodão embebido em um fluido antisséptico; este algodão é introduzido no colo do útero e algumas gotas do fluido [seminal] são lentamente despejadas no útero. Em seguida a mulher é mantida deitada na cama, sobre suas costas. Esta operação é melhor executada imediatamente antes ou imediatamente após a época menstrual e se a primeira tentativa não tiver sucesso, a operação deve ser repetida durante alguns meses. [p. 87]

Referência

GOULD, George M. & PYLE, Walter L. Anomalies and curiosities of medicine [Anomalias e curiosidades da medicina]. Philadelphia: W. B. Saunders, 1898.

Em uma palavra [240]

cotão (co.tão)
s.m. 1.
penugem da casca de alguns frutos (pêssego, kiwi); 2. fiapo que se solta dos panos, farrapo; 3. bolota de material têxtil e sujeira que se forma no interior de bolsos ou móveis sem uso ou que não são limpos. [do francês coton = algodão]

Vulcano e os irmãos perdidos de Mercúrio (parte 2)

Mercury_Globe-MESSENGER

Mercúrio, tal como visto pela sonda MESSENGER. [imagem: NASA]

A ideia de que possa haver (ou ter havido) um planeta em órbita intra-mercuriana é, na verdade, mais antiga que as pesquisas sobre sistemas extrassolares. No século XIX, astrônomos profissionais como o francês François Arago e o matemático Urbain Le Verrier suspeitavam da existência de um planeta ainda mais achegado ao Sol. Chamado de Vulcano, o pequeno e tórrido planeta rochoso foi caçado com telescópios e equações por dezenas de astrônomos profissionais e amadores, mas nunca foi encontrado. Não no nosso sistema solar. Continue lendo…

Vulcano e os irmãos perdidos de Mercúrio (parte 1)

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Impressão artística de um pequeno (e hipotético) asteroide vulcaniano.

O século XIX foi pródigo na descoberta de asteróides, cometas e planetas. O primeiro grande evento astronômico dos 1800s foi a descoberta de Ceres, então considerado um planeta, logo no dia 1º. de janeiro de 1801. Décadas mais tarde, um matemático francês encontrou Netuno nos confins do Sistema Solar. Seu nome era Urbain Le Verrier e ele passou a vida acreditando ter descoberto um outro planeta, Vulcano. Continue lendo…

Em uma palavra [239]

flajolé (fla.jo.lé)
s. m. 1
. tipo de flauta formado por peça única, com quatro orifícios para os dedos e dois para os polegares; embora tenha origem medieval, foi mais usado entre os sécs. XVII e XIX, ora para imitar o canto dos pássaros, ora para tocar música dançante. 2. pequeno instrumento de sopro; flautim. [do francês flageolet]

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