Em uma palavra [216]

matacão (ma.ta.cão)
s.m. 1. Geol. grande pedra solta, arredondada, resultante da decomposição de uma rocha: “a estrada foi bloqueada pelo rolamento de um matacão”. 2. pedaço ou fatia bem grande; naco: “trouxe da festa de casamento um matacão de bolo”. 3. estilo de barba que cobre completamente a face, com exceção do queixo: vide o matacão de D. Pedro I.

Patentes Patéticas (nº. 155)

desodorizador Google

Só porque você trabalha numa multinacional das telecomunicações, não quer dizer que seja impedido de ter umas ideias patéticas de vez em quando. Na verdade, isso parece até ser incentivado, já que as empresas costumam ser valorizadas pelo número de patentes que têm. Pouco importa a utilidade ou a seriedade do invento patenteado. Esse é o caso de quatro funcionários da Motorola e uma patética patente para um Dispositivo Removedor de Odor:

Um dispositivo que inclui um sensor de atividade, uma área de comunicação e uma área de sugestão de rota. O sensor de atividade pode detectar a atividade física do usuário do dispositivo. A área de comunicação pode ter acesso a uma ou mais redes sociais via rede de telecomunicação, permitindo que o dispositivo possa se comunicar com os contatos de uma rede social. A área de sugestão de rota pode apresentar uma rota alternativa de viagem de modo que o odor previsto possa não ofender terceiros que estejam socialmente conectados ao usuário e passam pela mesma rota do usuário.

É basicamente um detector de CC com GPS e acesso à internet. Os gênios da Motorola por trás dessa maravilha tecnológica são Stephen H. Shaw, Rachid M. Alameh, William P. Albert e Jerome Vogedes. Pedida em 31 de agosto de 2012 e aprovada em 6 de março de 2014, a patente nº. US20140060150 A1 levava uma vida tranquila até essa semana, quando foi descoberta pelos meios de comunicação e amplamente divulgada como o “desodorante do Google”.

Como se sabe, o Google comprou a Motorola Mobilty em 2012 por US$ 12,5 bilhões, mais interessado em patentes do que na divisão de celulares da empresa. Tanto que dois anos depois revendeu a Motorola por 1/3 do valor. Foram-se os celulares, ficaram as patentes (ironicamente, a patente do Google é bem visível no Google Patents).

Além de ser mais um papel nos arquivos da Motorola/Google, o Dispositivo Removedor de Odor também seria um emissor de fragrâncias. Embora haja dezenas de patentes para equipamentos do tipo, isso (ou talvez uma bolada em dinheiro) não impediu que o USPTO soltasse mais uma patente que não fede nem cheira. Veja que bela argumentação:

Em alguns dispositivos de emissão automática de fragrâncias convencionais, as fragrâncias são emitidas de maneira lenta e controlada (i.e., por emissão contínua do perfume ao longo do dia para que a fragrância não se perca). Em outros dispositivos emissores de fragrância automáticos, uma fragrância pode ser emitida automaticamente em resposta a características físicas como a temperatura corporal. Embora dispositivos para emissão de fragrância convencionais possam ser efetivos na emissão de fragrâncias, eles não incluem opções adicionais para o usuário customizar e controlar o dispositivo de emissão de fragrância.

A tal fragrância não seria necessariamente um perfume, podendo ser “um neutralizador de odor, que serviria para neutralizar ou eliminar o odor corporal gerado pelo usuário”. Não bastasse isso, o equipamento — uma estrambótica ventoinha anexa à roupa do usuário — ainda tem acesso à internet com o flagrante objetivo de denunciar o suadouro pra todo mundo, talvez acompanhado das hashtags #nopain #nogain. Cheirando bem ou não, é quase uma selfie odorífica. Como há gosto pra tudo, talvez isso sirva pra formar uma rede social (mais uma) de pessoas fedidas.

Cheirar mal já não é uma experiência agradável, mas qual a necessidade de expor o próprio fedor publicamente? A patente diz que é pra evitar que o mau cheiro alcance as narinas dos amigos. Não me parece uma justificativa válida, pois isso pode ser feito de modo mais discreto e bem menos tecnológico.

Não é só a ideia de um detector de CC com GPS que soa (ou sua) mal, é a própria necessidade de que uma coisa dessas tenha que ser patenteada e conte como inovação, valorizando uma empresa que não inventou nada de novo ou útil.

O missal das erratas

Em 1561 foi impresso um livro intitulado Anatomie de la Messe [Anatomia da Missa]. É um octavo pequeno, de 172 páginas, acompanhado por uma Errata de 15 páginas! O editor, um  monge muito devoto, nos informa que uma razão muito séria o levou a esse expediente: antecipar-se aos artifícios de Satã. Segundo o autor o demônio, para arruinar o fruto de sua obra, empregou duas fraudes bastante maliciosas: a primeira, antes da impressão, foi lançar o manuscrito numa sarjeta, reduzindo-o a um estado deveras deplorável, tornando largos trechos ilegíveis; a segunda, fazendo os impressores cometer numerosos equívocos em obra tão curta. Para combater essa dupla maquinação satânica, ele foi obrigado a reexaminar minuciosamente o seu trabalho para fazer essa singular lista de erros cometidos pelos impressores sob influência do Diabo. Tudo isso é explicado numa Advertência à Errata. — D’ISRAELI, Isaac. Curiosities of Literature [Curiosidades da Literatura], Vol. I. Paris: Baudry’s European Library, 1835. p. 64

D’Israeli não nos informa a autoria ou o local de impressão da tal Anatomia da Missa. Há vários livros com o mesmo título, sendo o mais antigo um Annatomia de la Messa, de autoria de Antonio di Adamo (ou Agostino Mainardo) e publicado em 1552. O homônimo mais notável é Anatomie de la Messe, de Pierre du Moulin (1568-1658), publicado em Leiden em 1638.

Segundo o Manuel du libraire et de l’amateur de livres, vol. 6 [Manual do bibliotecário e do bibilófilo], há mesmo um in-8vo. intitulado Missae ac missalis anatomia, obra anônima publicada em Genebra em 1561. Mas não está claro se essa é uma tradução do livro de 1552. O Manuel du libraire… classifica todos esses títulos como “escritos satíricos dos protestantes contra a Igreja romana, suas cerimônias e particularmente contra o sacrifício da missa” [1]. É provável, portanto, que esse livrinho obscuro esteja intencionalmente cheio de errata, como forma de satirizar a credulidade católica.

Referência

[1] BRUNET, Jacques-Charles. Manuel du libraire et de l'amateur de livres. Tome Sixième. Paris: Firmin Didot Frères, Fils et. Cie., 1865. p. 91.

Em uma palavra [215]

passamanes (pas.sa.ma.nes)
1. s.m.pl.
enfeite, ornamento têxtil; fitas, galões, cordões ou tecidos ornados de prata, ouro e/ou seda: “a nova coleção apresenta vestidos repletos de passamanes”; 2. s.m. que ou aquele que fabrica ou vende passamanes; passamaneiro. passamanaria, s.f. 1. indústria ou comércio de passamanes. 2. conjunto decorativo de passamanes. [do francês passements]

Nanotecnologia nas calçadas do Cairo

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Cairo: piso-padrão de pentágonos irregulares.

Em sua forma natural pura, o carbono apresenta-se em duas variantes: o diamante e o grafite. Seres de carbono, conhecidos como humanos, inventaram outras estruturas carbônicas: o nanotubo, o fulereno e o grafeno. Este último é basicamente uma rede ou plano bidimensional formado por anéis hexagonais de carbono. Seria possível fazer algo semelhante com apenas cinco carbonos? Cientistas japoneses e chineses acreditam que sim. Continue lendo…

Em uma palavra [214]

medrança (me.dran.ça)
s.f.
estado daquilo que está medrando ou crescendo; crescimento, desenvolvimento, desabrochar: “a chuva trouxe de volta a medrança dos cereais”; economia terá pequena medrança este ano.

Macarronadas, molhos de tomate e estrelas de nêutron

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Um prato de macarrão costuma ser uma coisa bagunçada e relativamente densa. Embora cada fio de espaguete, cada parafuso de massa ou cada bolinha de nhoque sejam independentes, eles se juntam e se entrelaçam facilmente. No planeta Terra, o resultado disso costuma ser manchas de molho de tomate naquela roupa recém-lavada. Em estrelas de nêutrons, a combinação de massas e molhos pode ter efeitos um pouco mais catastróficos. Continue lendo…

Em uma palavra [213]

colubrino (co.lu.bri.no)
adj.
tortuoso feito cobra, de aparência semelhante à cobra: “ornamento colubrino”; sinuoso, convoluto, distorcido: “raciocínio colubrino”. colubrina, s.f. antiga peça de artilharia ou antiga espada de lâmina tortuosa. [do latim colubrinu, deriv. de colubra = cobra]

Tomando a parte do leão

"Felis leo capensis" by A. E. Brehm [Licensed under Public Domain via Wikimedia Commons]

“Felis leo capensis” by A. E. Brehm [Licensed under Public Domain via Wikimedia Commons]

O Capitão C. Kennedy relata, em sua Journey through Algeria and Tunis [Jornada através da Argélia e Tunísia]: — “Nós estávamos ansiosos por saber se havia qualquer chance de outro leão ser encontrado nas redondezas e fomos informados que sem dúvida haveria muitos. Mas tal era a natureza do terreno que, a menos que se conhecesse o local exato de suas tocas (caso em que eram geralmente mortos), poderíamos passar uma noite inteira sem ver uma única fera. As peles de todos os leões de seu domínio são enviadas ao Bei, que paga uma bela recompensa por cada uma. A carne é comida: ao contrário de nossas expectativas, nós a consideramos excelente e fizemos uma ceia capital com as costelas, guisadas com um pouco de sal e pimenta-vermelha; não era nem duro nem forte, tinha gosto de bife tenro.” — in: SWAYNE, William W. Anedoctes of Invention and Discovery: Curious Facts and Characteristic Sketches [Anedotas de Inventos e Descobertas: Fatos Curiosos e Cenas Características]. Brooklyn, Nova York; Edinburgh: Murray and Gibb, c. 1859. p. 198.

Patentes Patéticas (nº. 154)

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As férias estão acabando (ou mesmo já acabaram) e o retorno ao trabalho é de desconjuntar a postura de qualquer um. Principalmente de quem, por motivos puramente profissionais, passa o dia todo sentado diante de um computador. Soluções ergonômicas para os operários de escritório não faltam. Uma das mais geniais já está completando quinze anos e — surpreendentemente — ainda mal saiu do papel em que foi patenteada. O nome simples — Estações de Trabalho Computadorizadas — pode soar familiar mas está longe de ser um cubículo tradicional: Continue lendo…

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