Relatório Asimov sobre a Criatividade (1959)

Depois de lançar com sucesso seu primeiro satélite espacial, o Sputnik, a União Soviética parecia estar pronta a dominar o mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos estavam apenas começando a esboçar uma reação. Em 1958, foram criadas a NASA e a ARPA. No ano seguinte, a relação entre essas duas entidades ainda era confusa. Impaciente, o governo americano já havia percebido que precisava definir bem os papéis para ter suas próprias surpresas tecnológicas. Outro problema: não importava o quanto fosse investido na expansão tecnológica, ela parecia inadequada.

Arthur Obermayer trabalhava na Allied Research Associates, empresa da MIT dedicada ao estudo dos efeitos de armas nucleares em estruturas aeronáuticas. A firma estava envolvida num dos primeiros projetos da ARPA, o GLIPAR (Guide Line Identification Program for Antimissile Research) [pdf]  e precisava de muita criatividade para ajudar a projetar um sistema de defesa com mísseis balísticos. O governo americano queria que todos os envolvidos fossem estimulados a “pensar fora da caixa”. Mas como fazer isso? Continue lendo…

A Bioquímica é Bela. Ainda mais com um Nobel.

bioquímica bela

Células em prófase (esq.) e anáfase (dir.), com histonas e taxas de crescimento de microtúbulos. Gráfico mostra distribuição de taxas de crescimento de diferentes estágios da mitose, numa média a partir de um grupo de 9 a 12 células. [Crédito: Betzig Lab/HHMI]

Contrações musculares. Interações celulares. Citocinese. Intérfase. Metáfase. Anáfase. Presentes nas aulas de Biologia a partir do ensino médio, esses termos designam fenômenos riquíssimos que — como algumas reações químicas bem mais simples — estão acontecendo em cada ser vivo presente neste momento. Também há muita beleza oculta nos laboratórios de Bioquímica. E ela também está sendo descoberta e observada com novas tecnologias na microscopia, que começaram a ser desenvolvidas há 10 anos por Eric Betzig. Os resultados começam a aparecer agora e são tão promissores que já lhe valeram um Prêmio Nobel. Continue lendo…

“Anúncios Curiosos na Igreja”

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“Sleeping Congragation” (William Hogarth, 1728)

Independente da religião, sempre há um momento bastante solene no culto, missa ou ritual. Pode ser um sermão ou pregação, uma oração ou a leitura da respectiva escritura sagrada. Por vezes, porém, essa solenidade toda pode ser perdida por motivos diversos. O Rev. R. Wilkins Rees relata alguns causos de sermões que deram errado no ensaio “Curious Anouncements in the Church”, publicado em Ecclesiastical Curiosities (ANDREWS, 1899). Vamos começar com um pequeno mal-entendido: Continue lendo…

A Química é Bela. Ainda mais em 4K.

Precipitação. Gaseificação. Combustão. Acidificação. Cristalização. Há muita ação (e reação) por trás das aulas de Química, mas falta atenção. Porque essa ação toda está em detalhes tão pequenos e fugazes que são facilmente ignorados por professores e alunos. Mas não são apenas as reações que passam em branco nas salas de aula e mesmo nos laboratórios. Muita beleza existe em reações banais como a cristalização do sal ou na eletrólise da água.

O Beautiful Chemistry é um projeto que busca chamar a atenção do público exatamente para isso: como a Química é Bela. Parceria entre a Tsighua University Press e a University of Science and Technology of China, Beautiful Chemistry é uma série de vídeos curtos que capturam — em 4K Ultra HD filmados e editados por Yan Liang — as riquezas visuais das reações sem as limitações estéticas dos tubos de ensaio e laboratórios estéreis. Para enfatizar as nuanças das reações, elas são representadas em velocidades variáveis e identificadas por efeitos de tipografia cinética.

Além dos vídeos das reações, o site ainda apresenta os aparatos de dois experimentos históricos na seção Beautiful Apparatus: o de Lavoisier para o estudo da composição do ar (1790) e os de Joseph Priestley sobre gases (1774-86). Em Beautiful Structures, são apresentadas as belezas de estruturas como cristais, materiais amorfos, DNA…

[via This is Colossal, indicação da leitora Gabrielle Rosa]

Fim de um Mistério: Majorana (ou não)

Ser ou não ser, ligado ou desligado, zero ou um, partícula ou onda. O mundo está cheio de alternativas mutuamente excludentes. Mas há também muito entre esses extremos. Muita ambiguidade, indefinição: ondas que são partículas e podem estar ligadas e desligadas, sendo e/ou não sendo. Enquanto na escala cosmológica, temos os quasares (objetos quase estelares), na escala subatômica encontramos as quasipartículas. E nenhuma quasipartícula é tão quase e tão ambígua quanto o Férmion de Majorana. Nem quase tão fácil de encontrar. Continue lendo…

Andrew Crosse e seus insetos elétricos II

Andrew Crosse

Andrew Crosse (1784-1855): gentleman, poeta e Frankenstein acidental.

Tudo começou em 1836, quando Andrew Crosse foi persuadido por um amigo a participar de um encontro da British Association for the Advancement of Science [Associação Britânica para o Progresso da Ciência], em Bristol. Informalmente, Crosse descreveu algumas de suas descobertas durante um jantar em Bristol, onde foi estimulado a fazer apresentações mais formais (e práticas) de suas eletrocristalizações para as seções de química e de geologia da Associação. Continue lendo…

Andrew Crosse e seus insetos elétricos

Andrew Crosse

Andrew Crosse (1784-1855): gentleman, poeta e Frankenstein acidental

Ao escrever seu clássico Frankenstein ou o Prometeu Moderno em 1818, Mary Shelley [1797-1851] fez mais do que simplesmente inventar o gênero de ficção científica. Ao criar Victor Frankenstein e seu monstro, ela também estabeleceu um arquétipo do novo gênero: o cientista arrogante que ousa criar vida e desafia os planos de Deus agindo… bem, como um deus. Frankenstein, mais do que sinônimo de monstro, passou a representar (às vezes exageradamente) o cientista insensível, vil ou até mesmo maluco. Continue lendo…

Memória Fotográfica: Wilson A. Bentley

A Dendrite Star, Smithsonian Institution Archives, Record Unit 31, Box 12, Folder 17, Negative no. 591.

Há quem goste de frio. Há quem goste muito de frio. E há quem tem tamanha paixão pelo frio que dedica a vida ao estudo da neve e seus cristais de gelo. Wilson Alwyn Bentley enquadra-se nessa última categoria. Filho de uma professora rural com conhecimento enciclopédico que tinha um velho microscópio, W. A. Bentley nasceu em 9 de fevereiro de 1865, em Jericho, Vermont. Continue lendo…

Os segredos dos alquimistas

“De Alchemist” (Cornelis Pietersz Bega -1663)

O pretenso objetivo dos alquimistas era a transmutação de metais inferiores em ouro, que ocasionalmente era apresentado para agradar seus investidores incautos. Isso era feito de diversas maneiras. Às vezes eram usados cadinhos com fundos falsos. No fundo verdadeiro eram colocados uma amostra de ouro ou prata, protegida por goma ou cera e coberta com o pó do cadinho. Com a aplicação do calor o fundo falso desaparecia e no fim do processo, parecia que o ouro ou prata havia se formado no fundo do crisol. Outras vezes os alquimistas faziam um buraco num pedaço de carvão, recheando-o com óxido de ouro ou prata e selando-o com cera. Ou então misturavam uma solução com barras ocas, as quais continham óxido de ouro ou prata em seu interior e uma das pontas furada mas selada com cera. Assim, o tão procurado ouro ou a prata era introduzido durante a operação, da qual era considerado produto. Por vezes, eram usadas soluções de prata em ácido nítrico ou de ouro em acqua regia, ou de um amálgama de ouro e prata. Acrescentadas de maneira subreptícia, tal solução resultava numa quantidade desejável de ouro ou prata. Uma demonstração comum era mergulhar [parcialmente] pregos num líquido e tirá-los semi-convertidos em ouro. Tais pregos eram metade ouro metade ferro, sendo o ouro coberto com outro material solúvel no líquido. Outras vezes eram usadas barras metálicas, metade ouro e metade prata. O ouro era embranquecido com mercúrio e, ao ser mergulhado num líquido e aquecido, o mercúrio se dissipava e o ouro aparecia. — John Timbs, Things not Generally Known, Familiarly Explained. A book for old and young [Coisas pouco conhecidas ordinariamente, com explicações familiares. Um livro para jovens e velhos] 11a. edição. Londres: Lockwood & Co., 1867.

Citando Lord Bacon, Timbs conclui comparando “os alquimistas aos moços que cuidadosamente viram e reviram o terreno de seus ancestrais em busca de um tesouro que não existe. Ao revirar o solo, eles acabam por fertilizá-lo, ainda que o façam com outras intenções.”

Patentes Patéticas (nº. 150)

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Lyndon, Vermont, 1915. Albert B. Pratt lê notícias sobre a Grande Guerra que assola a Europa. Ao observar a ilustração de um soldado alemão e notar seu grande capacete, Pratt tem um insight: e se ali, no topo do capacete, houvesse um pequeno canhão? Ou uma pequena metralhadora? A ideia pareceu tão boa a Mr. Pratt que no dia 14 de julho ele procurou o USPTO e pediu uma patente para a tal “Arma”:

Esta invenção relaciona-se ao campo das armas e, entre outros objetivos, propõe uma arma de fogo adaptada para ser montada e disparada a partir da cabeça do atirador. Continue lendo…

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