Em uma palavra [238]

parvisciente (par.vis.ci.en.te)
adj. que pouco sabe, que tem educação precária; desinformado. parvisciência, s.f. conhecimento ou educação limitados. [do lat. parvus = pequeno + sciens = conhecer, ciência]

A biblioteca de bolso

Certa vez estava viajando numa carruagem o Professor [Richard] Porson [1759-1808], célebre por seus estudos gregos. No mesmo veículo, um calouro de Oxford entretinha duas ladies com variedades diversas, entre as quais uma citação que, segundo ele, seria de Sófocles. Uma citação grega no meio da viagem foi o bastante para despertar o professor, encolhido num canto do veículo. Esfregando os olhos, disse ele: “Meu jovem gentleman, creio que tu nos apresentaste há pouco uma citação de Sófocles a qual eu não me recordo como tal”. “Oh, sir”, respondeu o calouro, “a citação é palavra por palavra como eu a repeti e é de Sófocles mesmo. Mas eu suspeito que já faz muito tempo que o Sr. esteve no college”. O professor, meteu a mão dentro de seu imenso sobretudo e de um bolso tirou uma pequena edição de Sófocles, pedindo educadamente que o novato lhe apresentasse no livrinho a passagem em questão. Após revirar as páginas por algum tempo, o moço respondeu: “Pensando bem, agora me recordo que tal passagem encontra-se em Eurípides”.””Então, sir,” — disse o professor, enquanto alcançava em outro bolso uma edição similar de Eurípides — “poderá me fazer a bondade de encontrá-la para mim neste pequeno exemplar”. O jovem de Oxford novamente tentou cumprir o pedido, mas sem sucesso, jurando para si mesmo jamais citar grego em uma diligência. O riso das moças claramente o inforaram que ele estava em apuros. Então: “Que burro sou eu! Agora me lembro; sim, me lembro perfeitamente que essa passagem é de Ésquilo.” O implacável professor tornou ao seu bolso inexaurível e estava para passar-lhe um exemplar de Ésquilo quando o atordoado calouro gritou: “Cocheiro!, eia, cocheiro! Pare a condução; quero descer. Tenho que sair agora! Tem um camarada aqui com a Biblioteca Bodleaiana inteira no bolso!” — KEDDIE, William (ed.). Cyclopaedia of Literary and Scientific Anecdote; illustrative of characters, habits and conversation of men of letter ans science [Enciclopédia de Anedotas Científicas e Literárias: ilustrações do caráter, hábitos e conversas dos homens de letras e ciências]. Londres & Glasgow: Richard Griffin and Company, 1854. p. 126

Olha a cabeleira do GJ 436b! Será que ele é?

exoplanet-GJ-436b

GJ 436b: BITCH, I’M FABULOUS! [concepção artística: Mark Garlick/University of Warwick]

O que é, o que é? Quando se aproxima de uma estrela solta uma vasta cauda de gás e poeira? A maioria das pessoas responderia cometa. Mas para David Ehrenreich tem outra resposta: é um Netuno quente. Astrônomo do observatório da Universidade de Genebra, na Suíça, Ehrenreich disse ao Space.com que ficou “atônito só com o tamanho da nuvem de gás que escapa do planeta”. Continue lendo…

Em uma palavra [237]

fossor (fos.sor)
s.m. 1.
pessoa que cava fossas, fossos ou trincheiras; escavador. 2. na Antiguidade cristã, pessoa encarregada pela comunidade de realizar enterros; coveiro.

Em uma palavra [236]

Do mato ao milho, uma letra de diferença

milho

acima, toesinto; abaixo, milho; no meio, híbrido milho-toesinto

Quando se fala em milho, a imagem que vem à cabeça é de uma grande espiga cheia de grãos amarelos. Parece uma configuração natural, mas não é: a espiga de milho, como muitas outras plantas domesticadas é uma criação humana. Organismos geneticamente modificados são quase tão antigos quanto a agricultura. O milho tem sido uma das plantas mais estudadas e modificadas há mil(h)ênios. O mais recente estudo sobre o grão amarelo chamado de verde revela que seu longo histórico de seleção artificial resultou numa modificação genética tão precisa que envolveu a troca de apenas uma letra do DNA do ancestral do milho. Continue lendo…

“Menstruação Masculina”

Descargas periódicas de sangue no homem, constituindo a chamada “menstruação masculina” têm sido frequentemente notadas e são particularmente interessantes quando a descarga sai do pênis ou da uretra, fornecendo uma notável analogia com a função da menstruação nas mulheres. Os velhos autores citam diversas dessas ocorrências. Mehliss diz que nos dias da antiguidade certos escritores notavam que a lustração catamênica do pênis era infligida sobre os judeus como punição divina. [Erasmus] Bartholinus menciona um caso num jovem; as Efemérides relatam diversas instâncias; Zacutus Lusitanus, [Heinrich?] Salmuth, Hagedorn, Fabricius Hildanus, Vesalius, [Richard] Mead e [a] Acta Eruditorum, todos relatam casos do tipo. Forel observou a menstruação em um homem. Gloninger conta de um homem de 36 anos que, desde os 17 anos e meio, apresentava manifestações lunares de menstruação. Cada ataque era acompanhado por dores nas costas e na região hipogástrica, distúrbios febris e uma emissão sanguínea da uretra, que se assemelhava, na cor, consistência, etc., ao fluxo menstrual. King relata que, ao frequentar um curso de medicina na Universidade da Louisiana, ele teve contato com um jovem estudante que possuía os órgãos genitais masculinos normais, mas no qual acontecia periodicamente a função da menstruação. A causa era inexplicável e a infeliz vítima estava sujeita a um profundo desgosto e afligida pela melancolia. Ele menstruou por três anos da seguinte maneira: um fluido era excretado pelas glândulas sebáceas da fossa profunda por trás da corona glandis; esse fluido tinha a mesma aparência do fluxo menstrual. A quantidade era de uma a duas onças e a descarga durava de três a seis dias. Naquela época, o estudante tinha 22 anos de idade; era de temperamento linfático, pouco inclinado à luxúria e nunca fora afetado por qualquer doença venérea. O autor não nos dá nenhum relato da vida posterior desse homem e seu paradeiro, infelizmente, ficou desconhecido ou omitido. — GOULD, George M. & PYLE, Walter L. Anomalies and curiosities of medicine [Anomalias e curiosidades da medicina]. Philadelphia: W. B. Saunders, 1898. p. 27-28

Uma possível explicação para esses casos relatados é que os homens afetados seriam portadores da síndrome do duto Mülleriano persistente (PMDS, em inglês). A PMDS é uma anomalia genética (autossômica e recessiva) que caracteriza-se por uma má formação da genitália interna, com a presença de tubos falopianos, o útero ou mesmo a parte superior da vagina em indivíduos geneticamente masculinos. Ainda assim, tais órgãos costumam ser vestigiais e talvez não tenham condições de causar uma menstruação de verdade.

Outra possibilidade seria algum tipo de infecção, especialmente quando coincide com o início da puberdade. Seria o caso de infestações do trato urinário por Schistosoma haematobium, que ainda são relativamente comuns em áreas de cultivo de arroz ou outros ambientes rurais com pouca higiene.

Em uma palavra [235]

exotérico (e.xo.té.ri.co)
adj. 1.
diz-se de ensinamento filosófico ou doutrina religiosa divulgada publicamente e sem restrições a iniciados; prosélito. 2. por ext., conhecimento ou informação comum, vulgar, ordinária, notória, trivial. [do grego exoterikós = exterior, aberto; cp. com esotérico = interior, oculto; reservado apenas aos iniciados]

A ciência é exotérica enquanto a pseudociência é esotérica.

Carrinhos e carrões de fricção

Brinquedo no lab: carrinho foi o meio encontrado para testar os nanogeradores triboelétricos. [Imagem: College of Engineering/University of Wisconsin-Madison]

Vruuuumm… Vruuuummmm… O carrinho de brinquedo zune pelo ambiente, com suas grandes rodas douradas e as luzinhas piscando. Quem está com o controle nas mãos não é uma criança, mas um homem crescido de feições asiáticas e o ambiente que o jipinho explora não é um quarto ou quintal. O adulto asiático não é um colecionador, mas um cientista e a cena descrita bem deve ter acontecido num laboratório. O jipinho da foto acima é realmente um brinquedo e ao mesmo tempo é o objeto de pesquisa de Xudong Wang, professor-associado engenharia e ciência de materiais da Universidade de Winconsin-Madison, nos Estados Unidos. Continue lendo…

Em uma palavra [234]

decúria (de.cú.ria)
s.f.
1. em desuso. grupo ou conjunto de dez indivíduos; dezena: “Encontradas duas decúrias de freiras desaparecidas”. 2. Hist. Mil. subdivisão da centúria, entre os romanos; corporação militar composta por dez soldados: “A cidade foi conquistada por apenas uma decúria”. [do latim curia = décima parte]

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