Em uma palavra [206]

taquifasia (ta.qui.fa.si.a)
s.f.
perturbação da fala caracterizada pela agilidade na vocalização das palavras: “o pouco tempo de TV fez o candidato apelar para a taquifasia durante a campanha”. taquifásico, adj. [do grego tachion = rápido, veloz + phasein = fala, voz]

Em uma palavra [205]

esparrela (es.par.re.la)
s.f. 1.
armadilha de caça ou laço para apanhar pássaros: “os caçadores ilegais foram presos em flagrante, com os animais na esparrela”. 2. por ext., armadilha, cilada, engano, logro: “cair na esparrela”. 3. Náut. leme provisório, feito para governar o navio em caso de inutilização do leme regular: “esparrela avariada causa naufrágio”. [de or. obscura, possivelmente relacionada com o castelhano parrilla]

Pequenas Fortunas Livrescas (vol. II)

Jean de Vaudetar apresenta seu livro de presente a Charles V da França (1372), Bible Historiale, exemplar de Jean de Vaudetar. Museum Meermanno-Westreenianum, Haia, Holanda

Jean de Vaudetar apresenta seu livro de presente a Charles V da França (1372), Bible Historiale, exemplar de Jean de Vaudetar. Museum Meermanno-Westreenianum, Haia, Holanda

Os livros que eram encontrados nos palácios dos grandes deste período [segunda metade do séc. XV] eram em sua maior parte manuscritos ricamente iluminados, encadernados da maneira mais refinada. Nos inventários do Rei Eduardo IV [1442-1483, reg. a partir de 1461] nós sabemos que Piers Baudwyn foi pago por “costurar, dourar e encapar” dois livros, ao preço de vinte xelins cada e outros quatro, por dezesseis xelins cada. Naqueles dias, vinte xelins comprariam um boi. Mas os custos dessa encadernação e decoração não param aí: foram fornecidos ao encadernador seis jardas de veludo, seis jardas de seda, borlas, rendas, folhas de ouro, tachinhas e colchetes dourados. Os preços do veludo e da seda naquela época eram altíssimos. Podemos concluir seguramente que esses reais livros eram tanto para uso quanto para ostentação. Um desses livros, adornado pelo encadernador de Eduardo IV, é Le Bible Historiaux [ricamente ilustrada e também conhecida como Bible Historiale], da qual há algumas cópias manuscritas no Museu Britânico. — TIMBS, John. School-days of eminent men [Tempos de escola de homens eminentes]. Columbus (Ohio): Follett, Foster and Company, 1860.

Hoje qualquer um pode ver a Bible Historiale praticamente de graça, no site da Biblioteca Nacional da França.

Mais adiante na obra citada, Timbs nota que, embora os preços dos livros tenham começado a cair com a invenção da imprensa, os livros ainda eram um luxo até mesmo para nobres como Sir John Paston [1442-1479], filho de uma célebre família de missivistas. Paston escreveu numa carta a sua mãe em 1474:

“Quanto aos livros que eram de Sir James (do Padre), se lhe agrada que eu os tivesse, digo que não sou capaz de comprá-los, mas de algum modo eu os daria, junto com o resto, com um bom e devoto coração e de toda minha fé oraria por sua alma… Se qualquer um deles vier a ser reclamado, de boa fé os restaurarei.”

Portanto, segundo Timbs, era comum esse hábito de emprestar livros por longos intervalos, sem devolvê-los: “velho como os dias das Rosas Vermelhas e Brancas”. Quanto a John Paston, deixou um inventário com apenas 11 livros, mas tecnicamente um não era dele: “Um livro de Troilus, que William B ——— teve durante uns dez anos, e o emprestou para a Dama Wingfield e com ela o obtive.”

Em uma palavra [204]

grimpa (grim.pa)
s.f. 1.
a parte mais alta; cume, topo, ápice: “o pássaro se escondeu na grimpa do pinheiro”. 2. por ext., cabeça, cocoruto: “levantar a grimpa”. 3. pedaço de metal móvel que indica a direção do vento num cata-vento:  “o vento grimpava na grimpa grimpada”.

Há dois verbos grimpar (com os respectivos adjetivos):

I. Grimpar, transitivo e pronominal: 1. protestar ou reagir com soberba. 2. investir, atacar. 3. respingar [deriv. de grimpa, dá grimpado = assoberbado, insubmisso; ofensivo].

II. Grimpar, transitivo e intransitivo: avariar peça mecânica por desgaste, dilatação ou fricção causadas por má lubrificação [do francês gripper, dá grimpado = travado, emperrado].

Breve História do Pó: o fim da carreira

Os doutores do pó também não levaram muito a sério os alertas dos colegas limpos. Muitos sequer admitiam que estavam em risco, ainda que fossem consumidores contumazes tanto de coca quanto de morfina. Com o fácil acesso que tinham à cocaína, não é de se estranhar que, por volta de 1901, uns 30% dos cocainômanos dos Estados Unidos fossem médicos e dentistas. O caso de William Steward Halsted (1852-1922) é exemplar. Continue lendo…

Breve História do Pó: o começo da carreira

Na longa carreira até os analgésicos baratos dos dias de hoje, os médicos toparam com a cocaína. Embora as folhas de coca (Erythroxylum coca) fossem há muito reconhecidas por suas propriedades medicinais, foi só a partir de meados do século XIX que passou a ser usada como matéria-prima para uma nova droga: um alcalóide em pó cujo processo de isolamento e purificação foi descrito em 1860 por Albert Niemann (1834-1861) em sua tese de doutorado¹. Foi Niemann quem batizou de cocaína o alcalóide incolor recém-descoberto. Quase imediatamente, a droga foi adotada por ser uma alternativa segura aos opiácios viciantes, como a morfina.

Só que não era bem assim. Continue lendo…

Mais um marciano à vista

InSight

Técnicos limpam o “chassi” antes do início da montagem da Insight. [Imagem: Lockheed Martin]

Enquanto jipe-robô-laboratório Curiosity continua subindo ladeiras e perfurando rochas do Planeta Vermelho e o veterano Opportunity se aproxima da maratônica marca de 41km rodados em Marte, o próximo marciano está nascendo na Terra.

Nesta semana, a Lockheed Martin começou a fase de montagem da sonda InSight Mars [algo como “Marte à Vista”], da NASA. Ao longo dos próximos seis meses, serão montados e instalados diversos sistemas, como os de aviônica, energia, telecomunicação, navegação e controle.

Também estão sendo construídos e testados os módulos de cruzeiro (que abriga a sonda durante a viagem) e o aero-escudo (cápsula protetora da entrada na atmosfera de Marte). Os instrumentos científicos serão finalizados pela NASA e seus colaboradores e mais adiante serão integrados à nova sonda.

Artist's Concept of InSight Lander on Mars

Vizinhança curiosa: nova sonda deve pousar um pouco ao norte da Curiosity, no equador marciano. [Imagem: JPL/NASA]

Quando a montagem terminar, em meados de 2015, deve começar a fase de testes. O lançamento está previsto para março de 2016 e a missão — que está sendo coordenada por Bruce Banerdt, do Jet Propulsion Laboratory da NASA — deve durar dois anos. A InSight (“Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport”) deve ser o sismólogo de Marte e vai investigar os processos de formação de planetas terrestres que começaram há 4 bilhões de anos.

Para isso, a InSight vai levar um sismógrafo (contribuição da Agência Espacial Francesa) e uma sonda (feita pelo Centro Aeroespacial Alemão). Essa sonda deve alcançar as camadas mais profundas do subsolo marciano perfurar de 3 a 5 metros subsolo adentro para medir o fluxo de calor interno do Planeta Vermelho. Pode parecer pouco, mas até agora os visitantes de Marte praticamente só reviraram pedras na superfície. A InSight vai ser a primeira a medir, in loco, os sinais vitais subterrâneos de Marte.

Em uma palavra [203]

nosofobia (no.so.fo.bia)
s.f.
medo mórbido de ficar doente e ser internado num hospital; tal medo pode levar a pessoa a negar tratamento ou prevenções médicas (como vacinas), buscando tratamentos ou regimes inadequados ou inefetivos (ditos alternativos); ou, ainda, levar à tentativa de curar uma doença que a pessoa não tem. nosofóbico, adj. nosófobo, s.m., adj. [deriv. do gr. nosokomion =  nosocômio, hospital + phobos = medo, fobia]

A Terra é Bela. Ainda mais em 4K

Onde estava o leitor entre os dias 15 e 19 de maio de 2011? Não preciso adivinhar: estava no Planeta Terra, muito provavelmente na metade sul do hemisfério ocidental. Quem esteve do outro lado do mundo entre aqueles dias está no vídeo a seguir. São quase quatro minutos de imagens de alta resolução da bacia do Oceano Índico, começando pelo hemisfério norte, depois o hemisfério sul e encerrando com o globo terrestre em toda a sua glória. Recomendamos rodar o vídeo em tela cheia. Continue lendo…

Dress Code Medieval

Eduardo I (à dir.) reconhecido como suserano da Escócia. Coroa-boina era tendência.

Os cavalheiros e visitantes estrangeiros que vinham a Windsor no reinado [1272-1307] de Eduardo I [a.k.a. Dudu Pernas Longas, 1239-1307] traziam consigo uma sucessão de modas variáveis, o que fazia virar as cabeças — nos jovens, de deleite; nos velhos, de desgosto. Douglas, o monge de Glastonbury, era especialmente denunciativo e satírico nesse ponto. Dizia ele da horrível variedade de costumes e estilos – “ora longos, ora largos, ora soltos, ora justos” —que aquilo era um “desvio e descaminho de todos os bons e velhos usos.” Era tudo “distorcido e amassado por todos os lados e tão amarfanhado e abotoado que eu em verdade diria que eles, em suas vestimentas e também em seus arranjos e decoros, se parecem mais atormentadores e demônios que homens.” O velho monge tinha bons fundamentos para suas reclamações. A Câmara dos Comuns também tinha — o que não tem agora — o decoro de não se tornar tão extravagante quanto seus superiores em termos de vestuário. Assim, aquela augusta assembléia respondeu à reclamação ao restringir o uso de peles e cachecóis à família real e aos nobres de renda superior a mil [marcos] per annum. Aos cavalheiros e damas de mais de quatrocentos marcos anuais, permitia-se a apresentação em tecidos com ouro e prata e certas jóias. Cavalheiros pobres, squires e donzelas eram proibidos de aparecer no costume daqueles de grau superior. Quanto aos próprios Comuns, eles não poderiam vestir nada melhor que uma roupa de lã sem adornos. E se um aprendiz ou moendeiro fosse ousado a ponto de usar um anel no dedo, estaria a risco de perdê-lo — o anel, não o dedo – com o confisco do bem proibido.

A consequência foi que, estando sob proibição de se refinar, os Comuns se viram tomados por um intenso desejo de imitar refinação. Todas as classes, então, se contentaram e passaram fazer o que muitas classes ainda fazem alegremente em nossos dias: vestir-se acima de seus meios.

— KING, Edmund Fillingham. Ten Thousand Wonderful Things: comprising the marvellous and rare, odd, curious, quaint eccentric and extraordinary in all ages and nations, in art and science. Second series. [Dez Mil Maravilhas: compreendendo o maravilhoso, o raro, o ímpar, o curioso, o extravagante, o excêntrico e o extraordinário em todas as nações e eras, na arte e na ciência. Segunda Série.] Londres: Ward & Lock, 1860. p. 298. [Ilustração: pintura de James William Edmund Doyle (1822–1892), reproduzida em seu livro A Chronicle of England: B.C. 55 – A.D. 1485, Londres: Longman, Green, Longman, Roberts & Green, 1864. p. 262.]

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