Em uma palavra [154]
vápido (vá.pi.do)
adj. em linguagem poética: vaporoso, cheio de emanações gasosas, miasmático; por extensão, inodoro, insípido, sem sabor; diz-se também de pessoa fútil ou superficial. [do lat. vapidus = fraco, estragado]
“É o Sol habitado?"
Se (diz [François] Arago) essa questão fosse simplesmente proposta para mim — É o Sol habitado? — eu responderia que nada sei sobre a matéria. Mas permita-me supor que alguém me perguntasse se o sol pode ser habitado por seres organizados de maneira análoga àqueles que povoam nosso globo, não hesitaria em responder pela afirmativa. A existência, no sol, de um núcleo central obscuro, envolvido numa atmosfera opaca muito além da qual existe a atmosfera luminosa não se opõe, com efeito, a tal concepção. Continue lendo…
Rothamsted, berço da agricultura moderna

Rothamsted Manor [Mansão], em aquarela de Caroline Lawes. c. 1880.
Se a questão da fome no mundo é algo que lhe preocupa, é bom lembrar que a Química criou condições para alimentar (quase) todos os bilhões de habitantes do planeta já no século XIX. O que pode ser chamado de primeira Revolução Verde começou com a pesquisa e o desenvolvimento de fertilizantes sintéticos num lugar chamado Rothamsted. Continue lendo…
Em uma palavra [153]
brulote (bru.lo.te)
s.m. 1. Náut. navio ou barco não-tripulado, carregado de material inflamável ou explosivos, e que era incendiado antes de ser lançado contra embarcações inimigas; navio-fogo, navio-bomba. 2. por extensão, indivíduo notório por suas opiniões incendiárias; pessoa bombástica. [do francês brûlot]
Patentes Patéticas (nº. 106)

Pessoas comuns carregam seus telefones celulares no bolso ou na bolsa. Se prefere ser clássico, você o leva naquele pequeno suporte de couro preso ao cinto. Se for mais ousado, talvez use um cinto (ou coleira) de utilidades. Mas e se você quiser ostentar e ainda ter estilo de super-herói? Não tema! Este é um trabalho para Marcus e Franco Caldana e seu Device for the quick and easy use of a small size cellular telephone [Dispositivo para uso rápido e simples de um telefone celular de tamanho pequeno], no qual Continue lendo…
Se Arrependimento Pagasse…
Durante a Guerra Civil (1861-1865), o Tesouro dos Estados Unidos recebeu um cheque no valor de 1.500 dólares, enviado anonimamente. Junto com o cheque, um bilhete explicava que o valor deveria ser recebido como reparação por uma apropriação indébita da mesma quantia, que um cidadão cometera enquanto trabalhava no Exército. Ele se declarava culpado, porém arrependido, e desejava ressarcir os cofres públicos.
Ao saber disso, o então Tesoureiro dos Estados Unidos, Francis E. Spinner (1802-1890; no cargo entre 1861-75), teve um estalo: “Suponhamos que essa seja uma contribuição para o Fundo de Consciência e coloquenos anúncios nos jornais sobre isso. Talvez ganhemos mais alguma coisa.” Há quem diga, porém, que o fundo fora estabelecido meio século antes e começara com uma doação igualmente anônima no valor de cinco dólares.
Desde então, o Tesouro Americano mantém um Fundo de Consciência, que recebe depósitos de cidadãos arrependidos de pecados cometidos com dinheiro público, de desvios de verbas a calotes de impostos. Nos primeiros 20 anos de funcionamento, o fundo recebeu 250 mil dólares dos arrependidos. Segundo a Time, por volta de 1987, mais de 5,7 milhões de dólares haviam sido recuperados dessa maneira simples, porém discreta.
Para encorajar os depósitos, o Tesouro não procura identificar nem punir os doadores. Até porque eles já estão pagando o que devem, o que é bom para ambas as partes, pois tira um peso monetário da consciência e o deposita no erário. Os valores devolvidos variam amplamente — dos nove centavos de um morador de Massachussetts pelo uso de um selo danificado em uma correspondência aos 139 mil dólares depositados em 1950 por um único indivíduo não-identificado e por razões desconhecidas.
Aliás, a maioria das doações são anônimas, mas muitas cartas que chegam são enviadas por clérigos. Isso não significa necessariamente que os padres ou pastores estão arrependidos depois de andar sonegando demais. Tais doações geralmente cumprem pedidos de reparações feitos em confissões no leito de morte.
Em uma palavra [152]
corpocracia (cor.po.cra.cia)
s.f. 1. burocracia corporativa, especialmente aquela caracterizada pelo gerenciamento ineficiente como, por ex., os serviços de telemarketing. 2. sociedade na qual os interesses de grandes corporações ditam os rumos das decisões políticas e/ou econômicas do governo; neoliberalismo extremo. corpocrata, s.c.2g. aquele que defende a corpocracia, esp. na 2ª. acepção. corpocrático, adj. [neologismo formado pela fusão de corporação com burocracia ou de corpo- (forma reduzida de corporação) + -cracia (governo)]
A ‘cabeça demoníaca’ de Mordrake
Pouco se sabe sobre Edward Mordrake e há quem o considere mera lenda urbana.
Nascido no fim do século XIX, Mr. Mordrake seria herdeiro de um nobre inglês e — é aqui que começa a lenda — teria uma segunda face no lugar da nuca. Segundo relatos, a face extra seria capaz de rir e chorar, mas não podia se alimentar nem falar (se assim foi, o rosto traseiro não teria ligação com a garganta). Ou será que não seria bem assim? Também se conta que Mr. Mordrake passou a vida implorando aos médicos que lhe retirassem o que ele chamava de “cabeça demoníaca”, a qual atazanava o “pobre Edward” durante a noite sussurrando uma língua satânica. Evidentemente, nenhum médico se arriscou a fazer a remoção cirúrgica do outro rosto de Mordrake.
Sem surpresa, o herdeiro britânico, atormentado por uma crise de dupla identidade aparentemente insuperável, cometeu suicídio aos 23 anos. O que surpreende, porém, é que apesar de sua condição extraordinária faltam dados médicos confiáveis sobre Mordrake. Em plena era dos estudos sobre o crânio (e dos freak-shows) é difícil entender porque os médicos (ou, pelo menos, os donos de circo) não se interessariam por um caso tão extraordinário. Possivelmente, dada a sua condição de nobre, Mordrake teria sido escondido como uma aberração pela família em algum porão obscuro. Por isso, desconhecemos sua data de nascimento e é difícil confirmar sua existência. Talvez mesmo seu nome seja falso. Isso, claro, se a história toda não for uma lenda urbana.
A condição da dupla-face, porém, não é inteiramente impossível. Pelo menos dez casos de Craniopagus parasiticus — isto é, o desenvolvimento da cabeça de um gêmeo parasítico com um corpo subdesenvolvido, dando a impressão de duas cabeças ou faces — foram documentados cientificamente e há outros oitenta relatos históricos sob suspeita. Lendário ou não, Edward Mordrake poderia ser um deles.
Patentes Patéticas (nº. 105)

Como já vimos anteriormente, por dezenas e dezenas de vezes, diversos inventores parecem ter sido profundamente influenciados pela ACME, a infame fabricante de acessórios catastroficamente inúteis das animações da Warner Bros. Nenhum deles, porém, teve a cara-de-pau de admitir isso em uma patente. Até agora. Essa honra duvidosa cabe a John Clark Buell e Troy Nicholas Nowell, criadores do Weed cutting golf club [Taco de golfe cortador de ervas]: Continue lendo…





É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.