Descoberta a bola quadrada

borosfereno

B-40, a nanobola (quadrada) de boro. [Imagem: Wang Lab/Brown University]

Ou melhor: a nanobola quadrada. Melhor ainda: a nanobora quadrada. Trocadilhos à parte (ou não, porque esse texto vai ter um monte), há uma nova bola no campo da nanotecnologia. O time que a encontrou é formado por pesquisadores da China e dos Estados Unidos. A equipe foi a primeira a apresentar evidências experimentais de que átomos de boro podem se juntar numa cadeia tridimensional fechada — similar às chamadas buckyballs, moléculas de carbono em forma de bola de futebol. Continue lendo…

Thomas Britton, o carvoeiro erudito

 

Thomas Britton, o carvoeiro musical (gravura de autor desconhecido, 1777)

Thomas Britton, o carvoeiro musical (gravura de autor desconhecido, 1777)

Pouco se sabe da vida deste curioso personagem que apareceu em Londres na virada do séc. XVII para o séc. XVIII. O que se sabe é que nasceu em Northamptonshire e, logo que pode, mudou-se para Londres, onde estabeleceu-se como vendedor de carvão — primeiro como empregado e mais tarde como autônomo. Também não se sabe se teve alguma educação formal, mas tudo indica que foi um autodidata, especialmente dedicado ao estudo da música, de livros antigos e talvez até de química. Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 148)

aquecedor de pé frio

Não importa se é no interior de São Paulo ou na Califórnia — dois lugares com invernos nada rigorosos —, sempre tem alguém que sofre com os pés frios durante o inverno. Das diversas invenções aplicáveis a pés frios, o Heating Apparatus for Boots or Shoes [Aparato de Aquecimento para Botas ou Sapatos] é uma solução mais high-tech do que aquele aquecedor a baforadas que apresentamos nos primórdios desta patética série. Embora não seja tão sofisticado quanto o pé condicionado, esse sistema de aquecimento pedal é bastante promissor, sendo formado por: Continue lendo…

Latim por método “simples, breve e deleitoso”

Apesar de, nestes tempos degenerados, a Juventude ser mantida tantos anos apenas no acompanhamento da Língua Latina e muitos sejam desencorajados por isso, Mr. Switterda oferece um método muito simples, breve e deleitoso, que é íntegro, pleno e o mais expedito e efetivo, sem pedantismos, capaz de levar todos a uma prática da mais benéfica e laudável pela qual Gent[lemen]. e Ladies que estejam dispostos a dedicar apenas dois dias por semana, podem, em dois anos, aprender Latim, Francês e Alto Flamengo e não apenas falar [tais línguas] verdadeira e apropriadamente, mas também ser capaz de compreender um autor clássico. Antístenes, eminente Professor, ao ser questionado porque tinha tão poucos alunos, respondia Quoniam non compello, sed depello illos virga argentea. Mr. Switterda, que também ama qualitatem non quantitatem pode dizer o mesmo de muitos [professores], exceto aqueles que são scholars por si mesmos; e ama dar a suas crianças extraordinárias lições, tendo sido pago não apenas pelo que desejava, mas um, dois ou três guinéus acima do seu combinado e às vezes mais do que merecido. Ele não se dispõe a ser atrapalhado por meninos teimosos, ou aqueles com 8 ou 9 anos, a menos que estes tenham um pouco mais de maturidade; será capaz de instrui-los em casa e como tal pode ser útil ao público com as disciplinas de Teologia, Direito e Medicina ou aulas comuns. Ele ensina às Segundas, Quartas e Sextas em sua casa, em Arundel Street, vizinha de cima da Temple Passage e nos demais dias na Panton Street, próximo de Leicester Fields, num grupo que aprende copia verborum, o que é de grande utilidade para muitos gentlemen. Qualquer um paga, de acordo com suas condições, de 1 a 4 Guinéus por mês. — anúncio publicado no Postman, edição de agosto de 1700

Stanley Miller e sua caixinha de surpresas

Esquema do Experimento Miller-Urey, de 1953. [via wikipédia]

Stanley Lloyd Miller. Ao ler ou ouvir esse nome, qualquer estudante de Química ou Bioquímica deve se lembrar de um dos experimentos mais importantes do século XX. Mas antes de morrer, Miller deixou uma caixinha de surpresas que os bioquímicos do século XXI estão começando a abrir. As novas análises de velhas amostras — algumas inéditas — confirmam os resultados do célebre experimento de Miller (e Urey) de 1953 e ainda revelam outros caminhos de reação para a formação de moléculas orgânicas na Terra primitiva. Continue lendo…

Em uma palavra [199]

entupigaitar (en.tu.pi.gai.tar)
v.t.d. 1. atrapalhar, embaraçar, confundir, desnortear, desorientar. v. int. 2. atrapalhar-se, confundir-se, calar-se; constranger-se. 3. estupidificar. entupigaitado, adj. confuso, desnorteado, desorientado; constrangido; estupidificado: “Não reagiu o covarde, entupigaitado, sem saber onde meter as mãos e esconder a cara.” (Jorge Amado, Teresa Batista Cansada de Guerra, p. 61). [possivelmente formado a partir da expressão entupir gaita]

Pequenas fortunas livrescas

Volume acorrentado na Biblioteca de Cesena. [extraído da p. 48 de Clark (1894)]

Não era à toa que os livros das bibliotecas medievais costumavam ser acorrentados em suas estantes. Isso evitava a perda ou roubo de obras equivalentes a verdadeiras fortunas:

Houve épocas em que, pela posse de um manuscrito, havia quem transferisse uma propriedade, ou deixasse como caução pelo empréstimo centenas de coroas [moedas] de ouro; mesmo a venda ou empréstimo de um manuscrito era considerada de tal importância que devia ser solenemente registrada em atas públicas. Por mais absoluto que fosse, Luís XI [1423-1483, reg. 1461-83] não pode obter da biblioteca da Faculdade de Paris o manuscrito de Rasis [c. 865-925], autor árabe, para fazer uma cópia. Não sem uma centena de coroas de ouro em caução. E seu tesoureiro, encarregado dessa comissão, vendeu parte de sua prataria para fazer o depósito. Pela retirada de um volume de Avicena [c. 980-1037] um Barão ofereceu em garantia 10 marcos de prata, que foram recusados, por não valerem o risco de perder um volume de Avicena! Esses eventos ocorreram em 1471. E não podemos deixar de rir de um período anterior, quando a condessa de Anjou [possivelmente Marie de Blois, 1345-1404] comprou um livro de suas homílias favoritas por duzentas ovelhas, algumas peles e cestos e mais cestos de trigo e centeio. [...]  (D’ISRAELI, 1835)

Em suas deliciosas Curiosities of Literature, Isaac D’Israeli (1766-1848, pai do Benjamin) ainda relata dois causos de pequenas fortunas livrescas: o de um “estudante de Pávia, falido, [que] conseguiu uma pequena fortuna ao penhorar um manuscrito de um corpo de leis” e o de um “gramático, arruinado por um incêndio, [que] reconstruiu sua casa desfazendo-se de dois pequenos volumes de Cícero.”

Referências

Texto:

D'ISRAELI, Isaac. Curiosities of Literature [Curiosidades da Literatura], Vol. I. Paris: Baudry’s European Library, 1835.

Gravura:

CLARK, J. W. Libraries in the Medieval and Renaissance Periods: the Rede Lecture, delivered June 13, 1894 [Bibliotecas nos Perídos Medieval e Renascentista: a Palestra Rede, apresentada em 13 de Junho de 1894]. Cambridge: Macmillan and Bowes, 1894. Fig. 7, p. 48.

Em uma palavra [198]

epinício (e.pi.ní.cio)
s.m. 1. hino triunfal, que remonta à Grécia dos tempos Olímpicos. 2. poema em que se celebra uma vitória. [do grego epiníkion, a partir de epi = sobre, em cima + niké = vitória, triunfo]

Dos autores de epinícios, o mais famoso da História foi Píndaro (c. 522—443 AEC), que escreveu diversos hinos para os jogos Olímpicos, Píticos, Neméios e Ístmicos. Apenas 45 dos epinícios pindáricos chegaram aos nossos dias. Alguns exemplos, devidamente traduzidos, podem ser lidos aqui.

Patentes Patéticas (nº. 147)

Fig. 3

Com ou sem Copa do Mundo, com ou sem ou caos nos aeroportos, fazer viagens aéreas num país de dimensões continentais é bastante cansativo. Por mais confortáveis que sejam, as aeronaves modernas estão longe de serem um lounge. Dormir é sempre uma boa maneira de aproveitar as várias horas de voo entre uma cidade e outra — ou entre continentes e oceanos, em voos internacionais. Um travesseirinho confortável cairia bem, mas para Samuel Young um travesseiro com função de emergência seria melhor ainda: Continue lendo…

[Enigma] O cão e o sapo

Black and white Horus

Há muito que não temos um enigma, mas o de hoje é realmente intrigante. Diferente da maioria dos problemas anteriores, este não exige cálculos e talvez nem mesmo lógica. O enigma está numa carta enviada pelo leitor R. Acland-Troyte ao editor do Spectator, onde foi publicada na p. 17 da edição de 2 de fevereiro de 1895. Acland-Troyte estava justamente em busca de uma resposta para o comportamento enigmático de um cão:

SIR, — Conhecendo seu amor pelos animais e o interesse frequentemente mostrado em suas colunas por seu comportamento, eu ouso vos enviar a seguinte história que ouvi recentemente de uma testemunha ocular e pergunto se quaisquer de vossos leitores pode lançar alguma luz sobre o possível objetivo do cachorro. O cachorro em questão eram um Scotch terrier. Um dia, foi observado que ele ia a um canto do jardim a carregar em sua boca, muito gentil e ternamente, um sapo vivo. Ele prosseguia até deixar o sapo sobre uma jardineira e logo começava a abrir um buraco na terra, mantendo um olho no sapo para que ele não escapasse. Se ele se afastasse mais que alguns pés dele, ele o pegava de volta e em seguida retomava seu trabalho. Após abrir o buraco até certa profundidade, ele colocava o sapo, ainda vivo, lá no fundo, e prontamente jogava a terra cavocada de volta ao buraco, e o sapinho era enterrado vivo! O cachorro, então, saía do canto do jardim e voltava com outro sapo, que era tratado da mesma maneira. Isso ocorreu em mais de uma ocasião; de fato, sempre que encontrasse sapos, ele se ocupava enterrando-os vivos. Agora, os cães geralmente têm alguma razão no que fazem. Qual pode ser a razão do cão em enterrar sapos vivos? Não parece que ele os tenha exumado para obter uma refeição. Se, sir, vós ou vossos leitores puderem lançar qualquer luz sobre esta curiosidade, eu ficaria, em nome dos desconfortos dos sapos e do comportamento do Scotch terrier do meu amigo, agradecido. — R. Acland-Troyte

Outro leitor tentou dar uma explicação a Mr. Acland-Troyte na edição da semana seguinte do Spectator. Essa explicação não me parece muito convincente e, mesmo que cães realmente não precisem ter razões para seus atos, eu precisava de um enigma.

Dessa vez, porém, não vou fixar prazos para apresentar a resposta que tenho. Quero ver suas teorias.

Divirtam-se.

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