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Thomas A. Edison Jr., a.k.a. Dash (Traço). O apelido telegráfico foi dado pelo pai.

Thomas Alva Edison Junior nunca teve paz na vida.

Nascido em 1876, ele era filho do mais famoso inventor do mundo e todo mundo esperava que ele seguisse os passos do pai. Apelidado pelo pai de “Dash” (traço; sua irmã mais velha, Marion, era “Dot”, ponto), ele teve uma primeira infância bastante idílica, embora sempre tenha passado mais tempo com a mãe, Mary. Arrasado pela morte da mãe quando tinha sete anos, Thomas Jr. e sua irmã pouco podiam fazer com o pai, um homem emocionalmente distante, para quem o laboratório era o lar. Junior passou o resto de sua infância em um internato onde, segundo relatos, ele se mostraria um mau aluno. Quando Edison-Pai se casou novamente em 1886 e a família se mudou para Glenmont, Nova Jersey, Mina (a segunda esposa), tentou formar laços afetivos com as crianças, mas Junior acabou se afastando da nova família. O fato de sua madrasta ser apenas um pouco mais velha que ele pode ter dificultado a situação, que se tornou insuportável.

Contrariando os conselhos paternos, “Dash” abandonou os estudos aos 17 anos e não se formou. Herdeiro do nome Edison, ele estava determinado a tornar-se um grande inventor e superar o pai. O velho Edison deu-lhe um trabalho em seu laboratório de West Orange. Mas o garoto mostrou-se muito inquieto e foi parar nas minas que o pai possuía em Ogden, NJ. Numa carta para a madrasta de 1897, Junior escrevia: “Eu provavelmente nunca vou ser capaz de agradá-lo e tenho medo do que não está em mim. Mas eu nunca desistirei tentando… Eu tenho muitas ideias próprias, as quais às vezes, diria até que em todas as ocasiões, eu gostaria de perguntar ou falar sobre elas com ele, mas eles nunca me deixam abrir a boca.”
Após deixar seu trabalho na mineradora — que não durou muito —, o rapaz partiu para Nova York, onde tornou-se o centro das atenções após uma matéria em um jornal, onde era apresentado como “Edison Jr, o Mago”. O artigo apresentava uma suposta lista das criações do jovem Edison e sugeria que ele “está desenvolvendo uma formidável rivalidade com seu ilustre pai em seu próprio campo.”. Porém, o autor da reportagem não deve ter feito muitas pesquisas sobre a situação de Thomas Jr. e acreditou totalmente em suas afirmações sobre invenções. Todo esse hype acabou levando “Dash” a trabalhar em uma exposição em Madison Square Garden, onde fazia propaganda de si mesmo, de suas ambiciosas ideias e dos novos aparatos elétricos: tomava chá de uma chaleira elétrica e comia biscoitos feitos em um “forno eletricamente aquecido”. Porém, após o fim da exibição, o ingênuo Thomas Jr. caiu sob a influência de inúmeros oportunistas, charlatães  e especuladores que queriam apenas tirar vantagem de seu nome famoso.
Certificado de Acionista da Edison Steel and Iron Process Company. Até o embaixador
dinamarquês investiu na empresa e, como todo mundo, perdeu dinheiro.
Uma nova empresa de metalurgia, a Edison Junior Steel and Iron Process Company [Companhia de Processamento de Ferro e Aço Edison Junior], foi rapidamente formada. Aos vinte anos, Junior era o acionista principal. O verdadeiro Thomas Edison ficou irado com a exploração em cima de seu nome e pediu que o filho parasse. Thomas Jr. respondeu que iria “continuar do jeito que estou fazendo”. Ele também acusou o pai de atrapalhar seus planos e até mesmo disse que “Se meu nome fosse Smith, eu seria um homem rico hoje.” Em 1899, o casamento secreto de Junior com a atriz Mary Touhey foi outro escândalo que abalou ainda mais a relação entre “Dash” e Edison. Não se sabe como foi a lua-de-mel, mas o casamento durou pouco. Junior parece ter feito isso apenas de birra, mas até sua ex-mulher também se aproveitou dele: ela, que morreria sete anos mais tarde, continuou usando o sobrenome Edison mesmo após o divórcio. A essa altura, Thomas Jr. estava quebrado. Todas as empresas fundadas por ele ou com investimentos dele evaporaram. Após fazer uma montanha de dívidas e soltar uma frota de cheques voadores, ele teve de fugir de Nova York para não ser preso por endividamento. O promissor menino-mago agora era motivo de piada.
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Thomas A. Edison Sr.: o Mago de Menlo Park não foi um bom pai.
Como Edison Sênior reclamaria mais tarde, “A cabeça do meu filho está agora tão bagunçada que eu não posso fazer absolutamente nada por ele. Ele está sendo usado por indivíduos mórbidos e vorazes, que estão apenas atrás dos próprios interesses! Eu nunca consegui fazê-lo ir para a escola ou trabalhar no Laboratório! Ele é, portanto, absolutamente iletrado, cientificamente ou de qualquer outro modo!” Mesmo assim, o nome Edison ainda tornava Thomas Jr. um produto desejável. A Edison Chemichal Company [Companhia Química Edison], que estava sendo processada pelo Edison Sr. por uso indevido da marca, contratou o garoto para conseguir legitimidade. Após mudar de nome para “Thomas A. Edison Junior Chemical Company”, e colocá-lo como vice-presidente, a empresa ampliou seu catálogo de ofertas dúbias com as invenções de “Dash”. O “Vitalizador Magno-elétrico” de Junior era anunciado como cura para a paralisia, o reumatismo, a ataxia locomotora e “outros males incuráveis”. Também eram vendido os “Wizard’s Ink Tablets [tabletes de tinta d’O Mago]”. As propagandas usavam ostensivamente o nome de Edison: a linha de produtos da Chemical Company saía do “jovem cérebro de Thomas Edison Junior” e cada lançamento era a “última descoberta do Edison”.
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Thomas Edison, o pai, estava perdendo as estribeiras com seu garoto-problema. Ele escreveu para o filho pedindo o fim de qualquer associação com aquela companhia. Em 1902, em troca de uma mesada, Junior cedeu e concordou em “desistir de todos os direitos futuros sobre o nome Edison para fins de obter lucro.” O velho Edison estava livre para processar as diversas empresas “Edison Junior” que infestavam o mercado. Como ele disse em uma entrevista em 1904, “Eu vou proteger meu nome mesmo que isso me custe cada dólar que eu tenho.” Os advogados processaram a Edison Junior Chemical Company pelo uso do nome Edison e da marca Wizard. No processo, os advogados de Edison Sr. justificaram a ação dizendo que a empresa estava enganando consumidores, fazendo-os crer que os produtos piratas eram do próprio Edison. O pai chegou até mesmo a fazer uma declaração juramentada, dizendo que Edison Jr. não era inventor, não tinha ocupação fixa e era “incapaz de fazer qualquer invenção de mérito.”
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