>Patentes Patéticas (nº 05)

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Aloha! Quer surfar em terra firme, mas acha skate too mainstream? O “aparato gerador de ondas” patenteado por Rick Hilgert em 1995 é a solução dos seus problemas, brother
Uma centrífuga horizontal gigante — oito metros de diâmetro — cria “uma simulação contínua de onda do tipo oceânico que permitirá a prática de body-surfing, boogie-boarding e/ou surfboarding.” É issaí: tu literalmente entra num tubo perfeito a qualquer hora do dia e sem sair do quarto! (tubarões não inclusos)
Depois que tu enjoar do teu secret point — como aconteceu com aquela bicicleta ergonômica aí do lado —, sua mãe ainda pode usar o mesmo equipamento para ganhar uma grana lavando a roupa da vizinhança inteira… Não é um barato?

>On-Board Empire

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No início de setembro de 1924, no auge da Lei Seca norte-americana, houve rumores de que pessoas ricas estariam bebendo e se divertindo. Onde? Em um vapor de 17.000 toneladas ancorado a 15 milhas náuticas [27km] da costa de Nova York, literalmente fora dos limites da lei. “Uma orquestra de Jazz fornece a música para que milionários e melindrosas dancem em um piso encerado com o aroma da maresia em suas narinas”, escreveu Sanford Jarrell no New York Herald Tribune. Para escrever a matéria — sob a enorme manchete “New Yorkers Drink Sumptuously on 17,000-Ton Floating Cafe at Anchor Fifteen Miles off Fire Island” —, o repórter teria conseguido passar uma noite a bordo do misterioso navio.
“Eu vou acabar com esse jornalista filho-da-puta!” — Nucky Thompson, ao saber da notícia
Foi um verdadeiro furo. Outros jornais acreditaram na história, reproduziram-na e deram os devidos créditos a Jarrell e ao Herald Tribune. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a concorrência também foi buscar suas versões dos fatos. Agentes da Alfândega começaram suas investigações quando perceberam o súbito interesse dos nova-iorquinos pela Fire Island. Até o governo federal acreditou e a Marinha mandou um cúter da Guarda Costeira para caçar o suposto navio-cabaré. Surpreendentemente, ninguém conseguiu confirmar o caso. Todos ficaram a ver navios.
Inicialmente, o NYHT defendeu Jarrell contra os que duvidavam da história. Mas diante da falta de provas, o jornal acabou admitindo que a história não era verdadeira. O episódio começou com uma dica de uma fonte respeitável. Jarrell investigou a história e, como todo mundo depois dele, não encontrou nada que pudesse ser confirmado e publicado. Ele só publicou sua matéria sobre o “sin ship” como uma brincadeira, mas a história era tão boa que acabou ganhando vida própria. Apesar de convincente e extremamente provável, tudo não passava de uma farsa.
“Nada como mandar algumas garrafas de uísque para todas as redações”
Sabendo que isso bastava para acabar com a carreira de qualquer jornalista (ao menos em um país civilizado) e que seria punido, Sanford Jarrell escreveu uma carta ao editor do jornal um dia depois de o jornal admitir que estava errado. Na carta o jornalista, além de confessar seu crime, pedia demissão: “Em antecipação à pena natural pela minha contravenção, e reafirmando meu mais sincero arrependimento por todo esse caso, eu venho por meio desta pedir meu imediato desligamento como membro da equipe do Herald Tribune.”

>Sarah Bernhardt como Funérea

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Sarah Bernhardt dorme em um caixão. Não, não é onde ela está agora. Ela fazia isso antes mesmo de morrer. “Eu acho bastante natural” — disse ela, conhecida pela protagonista de A Dama das Camélias — “dormir toda noite nessa pequena cama de seda branca que será meu último leito.” Quando uma irmã de Sarah morreu, houve um caso irônico de humor negro:

Quando os homens da funerária entraram no quarto para levar o corpo dela [da irmã], eles se depararam com dois caixões. Perplexo, o mestre de cerimônias chamou um segundo rabecão. Naquele momento, eu estava na casa de minha mãe, que havia desmaiado, mas consegui voltar a tempo de impedir que os homens de preto levassem meu caixão.

>4 anos em 4-D

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Eu realmente não queria deixar passar em branco uma data tão quadrática. Quatro anos em 4-D não se repetem. No entanto, eu não tenho muito a dizer (não precisam fugir, eu não sou como o Fidel Castro quando uso essa frase). 

Sinto-me muito feliz por enfim poder saber não apenas que tenho leitores mas por poder conhecê-los. Apesar de já ter aparecido em grandes agregadores de conteúdo, como Ocioso e Uêba, não me importo muito com o número do leitores. O que me importa são os que ficam e acompanham ou os que, mesmo de passagem deixam algum comentário, qualquer que seja. No momento em que escrevo, a página do hypercubic no Facebook conta com 50 fãs e 4 me acompanham através do Google. Eu gostaria de dizer que vocês são muito importantes mesmo pra mim. São motivos para eu continuar aprofundando cada vez mais as dimensões deste espaço.

Ooops, parece que já estou me alongando… #fidelfeelings

O primeiro cabeçalho (2007-2008)

Agora, porém, um pouco de autocrítica. Originalmente, este espaço foi criado para expor minhas ideias e opiniões. Eventualmente, minha paixão por curiosidades, paradoxos, ciência e humor fino e irônico acabou se sobressaindo. Eu gostaria de poder opinar mais, mas isso nem sempre é possível. Em parte por que não gosto de textos opinativos curtos — para mim, são meros comentários — e em parte por que já há muito conteúdo desse tipo na rede. Também há muitas oddities, mas eu sempre procuro algo inédito.

Por outro lado, já há mais de um ano eu tenho conseguido manter um ritmo razoavelmente diário. Às vezes há até dois posts por dia. Tenho conseguido manter algumas séries, como Em uma palavra, Conflitos Esquecidos e, desde do começo do ano, O Peso do Nome e Patentes Patéticas (infelizmente, Cectic, a série de tirinhas sobre ceticismo que eu traduzia, acabou por que o original foi encerrado). Considerando que eu trabalho durante o dia e estudo em outra cidade durante a noite, me parece um feito do qual eu não esperava ser capaz quando abri este espaço.

O segundo cabeçalho (2009-2010)

Eu gostaria de poder presentear cada um ou, ao menos, poder sortear algum brinde para comemorar essa data. Por razões econônicas ainda não posso fazer tamanha festa. Por isso, há um ponto que gostaria de por em discussão. Este é — e sempre foi — um blog ads-free. Não apenas por que sempre me opus à publicidade meio sem-noção que o Google oferece, mas por que sempre me pareceu que com tão esporádicos leitores eu ganharia muito pouco. O que eu quero perguntar é: seria aceitável incluir alguma publicidade por aqui? Não tenho praticamente custo algum para manter este blog, nem pretendo viver exclusivamente disso. Mas a grana dos anúncios seria uma ajuda bem-vinda em alguns momentos. Eventualmente, poderia proporcionar brindes e sorteios. Sintam-se à vontade para se manifestarem.

Eu preciso por a legenda? Quarto e atual cabeçalho

Para quebrar um pouco esse clima, mas ainda sem sair do tema hipercúbico, lembrei-me de compartilhar a clássica explicação sobre a Quarta Dimensão feita por Carl Sagan na inesquecível série Cosmos:

>Gatuno de biblioteca

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Entre agosto de 2000 e maio de 2002, mas de 1100 livros antigos sumiram do monastério de Mont Saint-Odile, na França. Não havia qualquer sinal de arrombamento na biblioteca. Os monges trocaram todas as fechaduras do mosteiro e reforçaram a vigilância. Mas os livros continuaram a desaparecer — o ladrão até mesmo deixara uma rosa no lugar de um deles. #umbertoecofeelings
Já que orações e vigílias não funcionaram, o mosteiro foi forçado a se converter à tecnologia e instalou uma câmera para pegar o gatuno. Dias depois, Stanislas Gosse, um professor de engenharia de Estrasburgo, foi pego no flagra ao entrar através de um armário na biblioteca durante a noite.
Após ser capturado e levado a uma delegacia, ele confessou que havia encontrado um mapa perdido nos arquivos públicos e através dele descobriu uma entrada secreta. O professor universitário subia pelos muros do mosteiro, entrava pelo sótão, descia por uma estreita escadaria e acionava um mecanismo para abrir o fundo falso do armário. Depois disso, ele “navegava” pela biblioteca à luz de uma vela.
“Eu temo que minha paixão inflamada tenha sobrepujado minha consciência”, justificou-se o professor Gosse. “Pode aparecer egoísmo, mas eu sentia que os livros haviam sido abandonados. Eles estavam cobertos de poeira e com fezes de pombos e me pareceu que ninguém mais os consultava.” Gosse foi condenado por furto qualificado e invasão de propriedade particular. Ele pagou a fiança e foi liberado, mas teve que prestar serviços comunitários ajudando a catalogar os livros da própria biblioteca de Sain-Odile.
Dado que os livros estavam num mosteiro, tal estado de abandono não surpreende. Não havia, portanto, qualquer intenção criminal. Stanislas Gosse agiu como um herói literário — e dos românticos: “Também havia a emoção da aventura — eu tinha medo de ser encontrado.”

>Em uma palavra [50]

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Para comemorar o jubileu desta série e o aniversário deste blogue, uma edição especial dois-em-um:

cumático
adj. exatamente da cor do mar; azul-marinho; ondino. [do grego kumát, onda]

flucticolor
adj. da cor das ondas do mar. [do latim flucticolor, idem]

Nunca se arrisque a dizer que uma menina tem olhos cumáticos ou flucticolores. Por mais belos que sejam, aqueles olhinhos podem não te entender — a não ser que eles conheçam cultura clássica. Ou leiam isto aqui.

>O Peso do Nome: Einstein (parte 2)

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Separado da mãe de seus filhos não apenas por um segundo casamento, mas pelo clima cada vez mais sinistro da Alemanha entre-guerras, Albert Einstein partiu definitivamente para os Estados Unidos em 1933. Antes, porém, ele teve que resolver sua vida na Alemanha — e, atendendo a pedidos de Mileva —, na Suíça. Após recolher tudo o que precisava para partir e proferir algumas palestras nas principais universidades européias, Einstein visitou o filho e a ex-mulher em Zurique. Mesmo que não tenha sido um bom pai, deve ter sido um momento difícil na vida do maior gênio do século XX.

Albert encontrou um Eduard muito diferente daquele garotinho que tivera nos braços um dia. “Tede” era cada vez mais isolado e indiferente — não chegou a reconhecer o próprio pai. Einstein lembrou-se que, como ele, seu caçula gostava de tocar violino. Ao visitá-lo em Burghölzi, o ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1921 tocou violino para Eduard. O jovem não demonstrou qualquer reação. Albert Einstein foi embora — teve que ir — para nunca mais voltar. Ele jamais voltou a ver Eduard ou Mileva.
Em sua última visita, Einstein tentou tocar violino para
 animar o filho. Foi recebido com indiferença.
O filho mais velho de Albert e Mileva, Hans Albert, também acabaria migrando. Em 1938, Hans Albert Einstein, já casado e com filhos, fugiu da Alemanha nazista. Tornou-se professor de Engenharia Hidráulica em Los Angeles. Infelizmente, ir para os Estados Unidos não era uma opção para Eduard e sua mãe. As rígidas políticas de imigração impostas pela Grande Depressão tornavam difícil a entrada de alguém incapacitado. A própria entrada de Albert Einstein foi uma surpresa para muitos americanos — para os padrões da época, o grande físico alemão era um socialista e, portanto, suspeito.
Isolados em Zurique, a vida de Mileva e Eduard só piorou com o estouro da II Guerra Mundial. Apesar da situação cada vez mais difícil, os dois tiveram sorte em ser cidadãos de um país neutro (e cuja neutralidade foi respeitada por Hitler). Mesmo que Eduard sobrevivesse aos milhares de doentes mentais mortos pelo Reich em toda a Europa, ele e a mãe teriam poucas chances caso acabassem em um campo de concentração. Como muitos parentes do pai famoso, Eduard teria sido morto durante o Holocausto.
Eduard Einstein, já adulto. No início do tratamento, ele
ainda podia passar  alguns momentos com a mãe fora
 do hospital psiquiátrico
O fim da guerra em 1945 trouxe algum alívio, mas não muito. Mileva estava completamente falida e emocionalmente exausta. A moça que um dia sonhara em ser a nova Marie Currie terminaria seus dias dando aulas particulares de piano e matemática. Do pouco que ganhava, praticamente tudo ia para o tratamento do filho que também parecera tão promissor. Quando Mileva Maric morreu, em 1948, não tinha um centavo no bolso. Ela acabou enterrada como indigente no Cemitério Nordheim, em Zurique.
Embora não tenha voltado a visitar o filho e nem tenha ido ao enterro da ex-mulher, Albert Einstein continuou a sustentar “Tede”. Em diversas ocasiões, Einstein teria dito que tudo teria sido melhor se Eduard jamais tivesse nascido. Mas quando se casou com Mileva, Albert sabia muito bem dos riscos que corria. Uma das irmãs de Mileva, Zorka, também sofria de esquizofrenia. Durante a separação, foi Zorka quem teve que cuidar dos meninos da famíla Einstein em diversas ocasiões. Embora não o demonstrassem publicamente, o casal sempre se preocupara com a saúde mental dos filhos.
Apesar de jamais poder sair novamente e ter cada vez menos contato com o mundo exterior, o nome de Eduard Einstein lhe garantiu uma vida relativamente tranquila e um tratamento digno. Eduard morreu em consequência de um derrame em 1965, apenas dez anos depois da morte do pai. Foi enterrado em Zurique, no Hoggerberg, um cemitério diferente de onde repousava sua devotada mãe.
Um raro momento: nos anos 1920, Albert ainda se esforçava
para visitar os filhos (Hans à esq. e Eduard à dir.)
A vida — e a morte — de Eduard Einstein chamou muita atenção, dentro e fora da ciência, para a questão da esquizofrenia e de seus efeitos sobre uma família. Ainda assim, a história de Eduard continua misteriosa, já que não se sabe ao certo quando exatamente começaram a surgir os primeiros sintomas nem se, por diversos motivos, eles não foram negligenciados.
Hans Albert Einstein: desde dos anos 80 um
 prêmio de engenharia hidráulica leva seu nome.
Hans Albert, o filho mais velho e teimoso, estava casado com Frieda Knecht desde 1927 e teve três filhos: Bernard Caesar, Klaus Martin e Evelyn, que ele adotou nos Estados Unidos. Klaus Martin morreu em 1938, aos seis anos, pouco depois de chegar à América. Após ficar viúvo e casar-se novamente em 1958, Hans Albert viveu uma vida relativamente tranquila até 1973. Talvez tenha surpreendido o pai quando tornou-se um nome importante dentro da Engenharia Hidráulica.
Os dois netos de Albert Einstein também já faleceram. Bernhard Caesar, nascido em 1930, seguiu os passos do avô e tornou-se físico, embora bem mais discreto. Foi o único neto de Einstein a se casar e teve cinco filhos: Thomas, Paul, Teddy, Myra e Charles. Bernhard morreu aos 78 anos, em 2008.
Evelyn Einstein: mesmo adotada,
a neta sentiu o peso do nome.
Embora tenha sido adotada, Evelyn Einstein também teve uma vida agitada e morreu recentemente, aos 70 anos. A neta adotiva de Albert Einstein formou-se especialista em Literatura Medieval, mas teve um casamento infeliz com um professor de Antropologia da Universidade da Califórnia. Após o divórcio, a jovem perdeu o pai, ficou desempregada e chegou a passar alguns meses dormindo no próprio carro. Sua vida só melhorou nos anos 1980, quando encontrou um verdadeiro tesouro: 500 cartas pessoais de Albert Einstein nos arquivos da família. Muitas eram sobre a difícil relação entre Albert e Mileva. Evelyn sofria de doença cardíaca e diabetes e não teve filhos.

>Desafio Tipográfico

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tipografoEsse problema é incrivelmente mais simples do que parece. Basta ter paciência para testá-lo empiricamente com o bom e velho Bloco de Notas:

coluna em branco
Assim, contanto que o texto não seja justificado, sempre haverá uma coluna de espaço em branco logo após o ponto final da primeira frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase:
Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase. Apesar do pangrama do exemplo, não importa a frase.

Notem que o bloco de texto formado à direita por esse truque contém frases completas.

>O Peso do Nome: Einstein (parte 1)

>

Eduard Einstein
Eduard Einstein, a.k.a. “Tede”

Nascido em 1910, Eduard Einstein era o filho caçula de Mileva Maric com o físico — e que físico! — Albert Einstein. Apelidado de “Tede” pela mãe, Eduard parecia ter um futuro brilhante e sempre se destacou na escola. Ele se dava bem com ambos os pais (seu irmão seis anos mais velho, Hans Albert, vivia às turras com o pai). Apesar disso, a vida da família Einstein nunca foi um mar de rosas.

Casados em 1903, Mileva sonhava em formar com Albert em casal de cientistas tão bem-sucedido quanto Marie e Pierre Currie, os descobridores da radioatividade. Pouco depois do casamento, eles tiveram uma filha Lieserl. Embora os biógrafos contem que a menina tenha morrido de febre escarlatina, não há certeza sobre seu destino, já que não há qualquer atestado de óbito. Há quem afirme que a Lieserl teria sido dada para adoção, mas essa é outra história.
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Foto do casamento: Mileva sonhava formar uma dupla imbatível com Eintein na ciência. Foi frustrada pela vida familiar.
Porém, após a morte da menina, a família Einstein se recuperou rapidamente. Hans Albert nasceu em 1904. O ano seguinte, 1905 seria o annus mirabillis para Einstein, que escreveu quatro artigos que mudaram a História, derrubando, ao menos em parte, a Física Clássica. Tudo parecia se encaminhar às mil maravilhas. Embora buscasse ajudar o marido, Mileva não pode contribuir muito, pois sua carreira acadêmica foi interrompida pelo casamento e pela criação dos filhos. Em carta a uma amiga sérvia, Mileva contava que “nós terminamos alguns trabalhos importantes que vão tornar meu marido mundialmente famoso.”
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Albert com a mulher e o primeiro
filho (1907): A fama, a guerra e as constantes
 mudanças o tornaram ausente.
Graças à fama crescente, Albert vivia mudando-se com a família. Em 1911, foi para Praga. No ano seguinte, os Einstein voltaram para Zurique. Após o nascimento de “Tede” o casamento já dava sinais de desgaste. Pouco depois, quando Marie Currie recebeu novamente um Prêmio Nobel, em 1911, ela ficou arrasada a ponto de ser internada. Mileva sentia-se fracassada pessoal e profissionalmente e teve que chamar as irmãs para cuidar dos meninos enquanto se recuperava.
A situação piorou quando Albert aceitou se mudar para Berlim no começo de 1914. Sérvia e casada com um judeu, Mileva não se sentia segura e detestava a capital alemã. Um mês antes do início da I Guerra Mundial, ela fugiu com os filhos para Zurique, esperando que isso forçasse Albert a voltar. Ele não voltou; foi morar com a prima Elsa Einstein, com quem se casaria. Mileva nunca aceitou a situação. Buscando proteger os filhos, ela fez o possível para dificultar o divórcio. Mas foram justamente os filhos que sofreram mais com o longo processo, que só acabou em um acordo no fim da guerra: Mileva reconhecia o divórcio; em troca, Albert se comprometia a depositar qualquer Prêmio Nobel que ganhasse em uma poupança para os filhos.
Em 1919 a guerra, tanto na Europa quanto na família Einstein, estava acabada. Mas tanto a Europa quanto Mileva saíram devastadas. A situação melhorou quando Albert cumpriu sua palavra. Ele colocou todo o dinheiro do Prêmio Nobel de Física de 1921 em uma poupança para os filhos.
Mesmo separado, Einstein fazia o possível para visitar os filhos e não ser um pai ausente. Entretanto sua fama e sua origem judaica tornavam a viagem de trem de 10 horas entre Berlim e Zurique extremamente perigosa. Tudo graças à interminável crise econômica da Alemanha do pós-guerra, um campo fértil para o crescimento do antissemitismo do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Mesmo forçada, a ausência de Einstein deixou marcas profundas nos filhos.
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Mileva com os filhos: ela fugiu de Berlim um mês antes da Grande Guerra. Salvou a vida dos filhos,
mas não o casamento.
Hans Albert continuava um garoto teimoso e de gênio difícil; aconselhado pelo pai a se dedicar à Física Quântica, acabou estudando Engenharia Hidráulica e se casou com uma mulher mais velha. Enquanto isso, Eduard tinha a saúde frágil e o comportamento retraído. Apesar disso, “Tede” era um bom aluno; escrevia poesias e, como o pai, tocava violino. Mas seu verdadeiro sonho era estudar medicina — ele queria ser um psiquiatra freudiano. Dez anos mais tarde, Eduard concluía o colegial com um boletim repleto de notas A. O caçula de Einstein já estudava para entrar na faculdade quando, novamente, tudo mudou…
Em 1930, Eduard passou a se tornar cada vez mais melancólico e recluso, chegando até mesmo a ter pensamentos suicidas. Sua mãe procurou vários médicos antes que Albert o encaminhasse para Sigmund Freud. Mesmo o tratamento com o próprio Freud teve pouco sucesso e em 1932, Eduard foi diagnosticado com esquizofrenia. Logo em seguida, ele foi internado no Burghölzi, o hospital psiquiátrico da Universidade de Zurique. Apesar dos recursos da poupança deixada pelo ex-marido, a situação começou a apertar de novo para Mileva. Para cuidar de “Tede”, ela teve que vender duas das três casas que a família tinha. Para não perder o que sobrou, passou a última casa para o nome de Albert.
A essa altura, Einstein estava visitando os Estados Unidos com Elsa. Ele estava prestes a aceitar um cargo de professor em Princeton, mas não queria se mudar para a América. Albert prentendia passar seis meses de cada lado do Atlântico. Então, em Janeiro de 1933, foi forçado novamente a mudar seus planos. A ascenção de Adolf Hitler na Alemanha tornava quase impossível sua permanência.

>Dia do Livro: É proibido proibir

>Para que esse dia (ou noite) não passe em branco:

Alguns dos autores listados no Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica: Galileu Galilei, Copérnico, Kepler, Montaigne, Descartes, Voltaire, Jean-Jacques Russeau, Sade, Victor Hugo, Dumas, Rebelais, Balzac, Zola, Anatole France, Jean-Paul Sartre, Laurence Sterne, Comte, Graham Greene, Maquiavel, Jonathan Swift, além da Encyclopedie e do Grand Dictionaire Universel Larousse
Entretanto, Karl Marx e Adolph Hitler jamais foram censurados pelo Vaticano.

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