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Em 1658, o almirante francês Etienne de Flacourt (1607-1660) relatou uma curiosa lenda que descobrira entre os nativos de Madagascar. Eles contavam histórias sobre uma criatura estranha, do tamanho de um bezerro de dois anos, com uma cabeça redonda, pés de macaco, uma cauda curta, muito peluda e orelhas e face que pareciam humanas. Os madagascarenhos malgaxes a chamavam tretretretre.

Como o animal descrito nos contos dos nativos não se parecia com nada existente na fauna de Madagascar, os europeus consideraram o tretretretre como mais uma exótica crendice local. Porém, muito tempo depois, foram descobertos diversos fósseis do que seria uma explicação para o mito. 
Megaladapis m., em uma reconstituição de 1902:
um lêmure de 1,5m e 50kg
Palaeopropithecus ingens: menor, mas com uma face
 mais “humana”

Com um nome científico bem mais fácil de pronunciar, o Megaladapis madagascariensis foi descoberto em 1894. Era uma espécie de lêmure gigante que estaria extinto há milhares de anos. Mas agora os zoologistas pensam que o megalêmure teria vivido pelo menos até meados do século VI, quando os humanos ocuparam a ilha e extinguiram sua megafauna.

Outros, porém, afirmam que o Palaeopropithecus ingens, descoberto em 1899, seria a inspiração por trás da lenda. O Palaeopropithecus era um lêmure um pouco menor que o Megaladapis e com uma face mais “humana”.

Seja como for, tanto o Megaladapis quanto o Palaeopropithecus ainda existiam quando um deles ou ambos passaram ao folclore malgaxe como tretretretre. Há até quem diga que alguns poucos desses animais teriam sobrevivido até meados do século XVI ou XVII, o que faria de Flacourt testemunha (involuntária) do fim de uma espécie e do início de uma lenda.
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