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Em qualquer grande metrópole do mundo, fazer uma mudança pode ser uma provação. Mas em Nova York, a situação já foi pior ainda. Houve época em que todos os aluguéis da Big Apple expiravam às 9 da manhã do dia 1º. de maio, obrigando milhares de pessoas a se transferir simultaneamente para uma nova residência. Davy Crockett visitou NY em 1834 e testemunhou a balbúrdia:

No momento em que retornávamos da Broadway, pareceu-me que a cidade inteira estava sendo evacuada por alguma calamidade terrível. “Por que, Coronel”, perguntei, “que raios é o problema? Todo mundo parece estar deitando fora sua mobília e empacotando-a.” Ele riu, e disse que aquilo era o “dia de mudança” geral. Ninguém jamais viu nada parecido, a não ser que tenha sido na mesma cidade. Parecia uma espécie de brincadeira, como se eles estivessem se mudando apenas por diversão. Todas as ruas estavam cheias de carroças, carrinhos-de-mão e pessoas. Assim vai o mundo. Para mim seria um negócio difícil me tirar de minha cabana. Mas aqui, pelo que percebo, muitas pessoas “movem-se” todos os anos.

Sobre o inusitado hábito imobiliário dos nova-iorquinos, o jornalista Luke Grant escreveu em 1909: “Há dúvidas sobre se os proprietários fazem os aluguéis de acordo com os hábitos do povo ou se os hábitos são um resultado dos aluguéis. Mas não há dúvidas de que o costume cria transtornos para todos os envolvidos.” Apesar disso, a tradição, que remontava aos tempos coloniais, continuaria até a Segunda Guerra Mundial, quando acabou. Por falta de homens.
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