forno-painel

Já vimos nessa série como algumas pessoas tentaram trazer a cozinha para dentro do carro. Se um fogão aquecido pela fumaça do motor não parecia uma boa ideia, que tal um microondas no painel? Convenhamos, quem ainda usa o porta-luvas? Aliás, quem ainda usa luvas para dirigir? Basicamente, esse foi o raciocínio que levou Daniel Perlman e Jane Ilene Katims (de Arlington, Massachussets) a inventar e patentear um “Forno Microondas com Cassete de Armazenamento Removível no Painel de um Veículo Motorizado”. O resumo da patente tenta esclarecer o conceito:

Um forno microondas adaptado para uso no interior do painel de um veículo motorizado. O forno microondas possui um cassete de armazenamento removível [i.e., uma gaveta] e plataformas deslizantes para segurar e servir recipientes de bebidas e alimentos. Um veículo motorizado caracterizado por um forno microondas no qual alimentos podem ser aquecidos por um magnetron gerador de microondas alimentado direta ou indiretamente pela bateria e/ou alternador do veículo. O espaço necessário para o forno microondas é providenciado pela eliminação do maior compartimento de armazenamento do painel, i.e., o porta-luvas. A porta do forno microondas abre em posição horizontal para resultar em uma superfície segura para servir bebidas e alimentos aquecidos. Acompanha o forno microondas um cassete removível para armazenamento de itens do compartimento de luvas. O cassete de armazenamento deve ser removido como condição principal, e a porta do forno deve ser fechada como condição secundária para que o magnetron receba energia elétrica.

Simplificando, isso significa que a patente nº. 6.060.700, emitida em 9 de maio de 2000, é de um forno microondas instalado em um porta-luvas, mas que ainda permite que o porta-luvas seja usado e cuja porta pode ser usada como mesinha.

A ideia em si, de um microondas sobre rodas, não era nova. Mr. Perlman e Mrs. Katims relatam a existência de diversas patentes anteriores sobre o assunto (algumas se aplicam a barcos ou caminhões, mas a maioria lida com aperfeiçoamentos de segurança para microondas).

No entanto, o casal de inventores argumenta — de forma irritantemente repetitiva, numa patente que se estende por 10 páginas — que seu forno é mais seguro e mais prático, já que as alternativas anteriores não previam um meio para usar o forno como porta-luvas enquanto estivesse desligado.

Mas se tal invento é tão pratico assim, porque não pegou? Porque não temos carros equipados com microondas? Porque não é tão prático quanto parece. Se você quiser usar o microondas enquanto estiver preso no trânsito, por exemplo, vai ter que levar comida de microondas no carro. Ainda que você possa armazená-la no porta-luvas “intra-forno”, isso não vai adiantar muito, uma vez que comida de microondas geralmente é congelada (e um porta-luvas, especialmente no verão, já funciona como um “forno”).

Modelos mais modernos de carros até têm pequenos refrigeradores no painel. Mas se você também quiser um microondas muito provavelmente vai ter que abrir mão de um airbag, ou de um bom sistema de som ou de equipamentos de segurança. Isso sem falar no grande consumo de energia, que facilmente sobrecarregaria um sistema de 12V.

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