caixão reutilizávelVocê já deve ter ouvido falar de caixões biodegradáveis, mas caixões reutilizáveis não seriam melhores? Harry J. Fash, inventor dessa inovação funerária, acha que sim. Ao contrário do que pode parecer, tal ideia não é exatamente “verde”. Morador de Chalfont, Pensilvânia, Mr. Fash provavelmente deve ser um agente funerário visionário. Eis o resumo de uma patente que deveria ser banal, mas é minuciosa, e tem mais de trinta figuras (!!) e trinta páginas:

Apresenta-se aqui um caixão reutilizável que inclui uma parte configurada na forma de um sólido retangular tendo preferencialmente uma tampa conectada por articulação à face traseira do caixão para um movimento pivotal entre a posição aberta e fechada; uma face frontal pivotalmente conectada ao fundo do caixão entre a posição aberta e a posição fechada; ferrolhos para reter através de travamento a dita fronte do caixão na posição fechada e fechadura para manter a dita tampa presa à dita fronte do caixão. O caixão reutilizável também apresenta preferencialmente uma bandeja para suporte de contêiner de cremação descartável e diversos trilhos ligados ao fundo do caixão para suportar o movimento de retirada da bandeja do dito fundo do caixão. Também apresenta-se aqui incorporações adicionais do caixão reutilizável bem como métodos para o manuseio, preferencialmente individual, e transferência dos restos humanos encaixotados do interior do caixão para um suporte de transporte dos ditos restos.

caixão-caçambaMr. Fash é mesmo um gênio, não? Ele deve ter sido inspirado por uma caçamba de picape coberta e cheia de caixas. Basicamente, o funcionamento é idêntico, embora haja apenas uma caixa bem grande que contém um cadáver dentro de uma urnas funerária que faz as vezes de caçamba. A preocupação em criar um sistema para “o manuseio, preferencialmente individual” não é mera simplificação de um processo: é um meio de cortar custos de funerárias, permitindo oferecer o mesmo serviço com menos funcionários.

Se alguém ainda tem alguma esperança de que Mr. Fash foi motivado por preocupações ecológicas, pode deixar a esperança morrer. Suas razões são puramente econômicas. Entre as justificativas registradas na patente 2005/0108863, de 26 de maio de 2005, Mr. Fash diz que “os custos associados com funerais são altos” e que

caixões são divididos em pelo menos dois grupos econômicos: caixões de madeira, mais baratos, e de metal, mais caros. […] Infelizmente, uma família pode querer apresentar o falecido em um caixão de metal ornamental, mesmo quando só podem pagar por um caixão de madeira mais acessível. Alternativamente, a família pode desejar cremar o falecido, mas ainda assim gostaria de ter um caixão de metal ornamentado para um velório. Assim, seria benéfico se a família do falecido pudesse alugar o caixão mais ornamentado para apresentação do falecido sem ter que adquirir esse caixão ornamentado para o subsequente enterro ou a cremação.

Ele percebeu que muitas vezes as pessoas queriam comprar caixões mais caros, mas não o faziam ou por falta de dinheiro ou por bom-senso mesmo, já que um caixão chique só seria visto durante o velório. Pensando bem, isso faz sentido: por que gastar uma pequena fortuna em algo que não será mais visto?

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