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Ele apareceu nos bosques perto da cidade alemã de Hamelin, perto de Hanover. Todo engrenhado e sujo, ele alimentava-se apenas de ervas e frutinhas, não dizia uma palavra e, embora aparentasse ter uns dez anos ou mais, andava de quatro. Ninguém sabia quem ele era nem exatamente de onde veio, mas ele acabou sendo chamado de Peter, o Garoto Selvagem de Hanover.

Documentado como um dos primeiros casos de crianças com comportamento animalesco, Peter não tardou a chamar a atenção de outro animal natural de Hanover — George I, rei da Inglaterra (1660-1727; regnabat 1714-1727). Intrigado com o caso, o rei hanoveriano meio que adotou o Wild Boy: o menino foi levado à sua corte e tratado como mascote. Depois de chegar à Inglaterra, Peter tornou-se uma celebridade-instantânea, inspirando sátiras de Johathan Swift (1667-1745) e Daniel Defoe (1660?-1731). Diz-se que, ao ser informado das condições sui generis daquele moleque que mais parecia um animal, Lineu (1707-1778) criou uma categoria especial de humanos — Juvenis Hanoveranus — só para enquadrar Peter no seu Systema Natura.

Na corte inglesa, o menino-fera foi posto sob tutela da Princesa Caroline (1683-1737; futura rainha consorte de George II). Apesar da real educação, ele nunca aprendeu a falar — o máximo que conseguiu foi repetir algumas palavras. Mesmo assim, as pessoas que o encontravam diziam que ele parecia entender o que os outros falavam.

A “adoção” de Peter pela família real também acendeu uma polêmica científica que, de certo modo, ainda persite: o que separa humanos de animais, especialmente de animais selvagens? É nature ou nurture, natureza ou nutrição [ambiental/cultural] que nos torna humanos? O debate ainda está aberto, mas o caso de Peter parece decorrer da natureza mesmo: recentes pesquisas indicam que ele seria portador da Síndrome de Pitt-Hopkins, uma deficiência genética que só foi descoberta em 1978.

Evidentemente, o Wild Boy não foi um boy para sempre. Após a morte de George I em 1727, a família real afastou-o da corte e colocou-o sob os cuidados de um fazendeiro em Hertfordshire. No verão de 1751, Peter desapareceu. Vários anúncios foram postos em jornais mas mesmo assim ele foi preso — e quase morreu no incêndio da cadeia onde estava. Depois disso, ele passou a viver com uma coleira de couro que trazia a seguinte inscrição: “Peter, o Homem Selvagem de Hanover. Quem quer que o traga a Mr. Fenn em Berkhamsted, Hertfordshire, será recompensado.”

Peter foi longevo para sua época e faleceu aos (estimados) 72 anos em 1785. Foi enterrado no cemitério de St. Mary’s Church, perto da porta principal da igreja. Na parede sul da nave do templo, há uma plaquinha com um pequeno perfil biográfico do falecido garoto selvagem. Um retrato de Peter ainda sobrevive em Londres, onde pode ser visto na parede leste da escadaria real do Kensington Palace. Outra relíquia, sua coleira de couro está na coleção da Berkhamsted Collegiate School.

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