LHC joga a toalha na caça às dimensões extras
Depois de ter sido nocauteado por uma simples migalha de pão, era de se esperar que o bilionário LHC tivesse encontrado ao menos alguma sombra de evidência de dimensões desconhecidas. Agora, em dois artigos publicados na Physical Review Letters, os responsáveis pelo detector CMS do LHC admitem que o gigantesco acelerador situado na fonteira franco-suíça pode não servir como portal. Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 55)
Qual o resultado do cruzamento de uma britadeira com um pogo stick? Um pogo stick motorizado! Parece piada, mas vários inventores já pensaram nisso. Portanto, se você já pensou em ficar rico com uma máquina de pular mecanizada, é melhor desistir.
Originalmente, o pogo stick motorizado foi inventado por Richard J. Mays, de Tacoma, Washington. Ele trabalhou seriamente nisso no fim da década de 1940 e desenvolveu o Mechanical Jump Stick [Bastão de Salto Mecânico] Continue lendo…
“Escrita Automática de Romance”
A maravilhosa Lady Buxley era rica. A feia e ninfomaníaca [oversexed no orginal] Lady Buxley era solteira. John era sobrinho de Lady Buxley. Empobrecido e irritável, John era malvado. O belo e ninfomaníaco John Buxley era solteiro. John odiava Edward. John Buxley odiava o Dr. Bartholomew Hume. O brilhante Hume era malvado. Hume eram ninfomaníaco. O belo Dr. Bartholomew era solteiro. Gentil e indolente, Edward era rico. O ninfomaníaco Lord Edward era feio. Lord Edward casou-se com Lady Jane. Edward gostava de Mary Jane. Edward não era invejoso. Lord Edward detestava John. A bela e invejosa Jane gostava de Lord Edward.
Assim começa um conto de mistério policial instantâneo. Evidentemente artificial, a obra é resultado de um experimento liderado pelo Prof. Sheldon Klein na Universidade de Winsconsin em 1973.
Professor de Ciência da Computação e de Linguística, Klein fez um teste na fronteira entra as duas áreas: programou um Univac 1108 em Fortran V para escrever uma história 2.100 palavras em 19 segundos. A trama é bem aleatória (e aparentemente ninfomaníaca), mas cai num lugar-comum: o culpado é o mordomo.
Curiosamente, o professor Klein (e seu computador) ainda não recebeu nenhum prêmio IgNobel de Literatura.
Referência
Klein, S., J.F. Aeschlimann, D. F. Balsiger, S. L. Converse, C. Court, M. Foster, R. Lao, J. D. Oakely & J. D. Smith. 1973. AUTOMATIC NOVEL WRITING, UWCS Tech Report No. 186, 109 pages. [disponível em pdf; o conto gerado começa na pág. 73]
A Aposta de Feynman-Weisskopf
Quando Richard Feynman foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1965, um de seus amigos ficou preocupado com seu futuro. Victor Weisskopf, que era diretor do CERN, sabia de duas coisas: (1) Feynman detestava trabalhos administrativos e (2) esse era o destino de muitos cientistas após o auge da carreira, numa espécie de aposentadoria (voluntária ou não). Por isso, Weisskopf fez Feynman assinar, diante de testemunhas, os termos da seguinte aposta:
Mr. FEYNMAN irá pagar a soma de DEZ DÓLARES a Mr. WEISSKOPF se, a qualquer tempo durante os próximos DEZ ANOS (i.e., antes do DIA TRINTA E UM DE DEZEMBRO de MIL NOVECENTOS E SETENTA E CINCO), o referido Mr. FEYNMAN vier a ocupar uma “posição responsável.”
Para os propósitos da APOSTA supra, a expressão “posição responsável” deverá ser interpretada como significando uma posição que, por razões de sua natureza, obriga o detentor a emitir instruções a outras pessoas sobre a execução de certos atos, não obstante o fato de que o detentor não tenha qualquer entendimento daquilo que ele esteja instruindo as ditas pessoas a cumprir.
Feynman — que dizia que administração é uma “doença ocupacional” — leu e concordou com os termos da aposta. Vencido o prazo estipulado, e verificando-se que Mr. Feynman não se tornou um administrador, ele ganhou os 10 dólares de Mr. Weisskopf em 1976.
Em uma palavra [101]
orbícola (or.bí.co.la)
adj. 1. Class. que habita em um orbe; habitante do mundo; que pode habitar qualquer ponto da Terra. 2. que viaja ou erra por todo o orbe, cosmopolita. 3. neol. que vive na órbita de algum planeta ou corpo celeste. [do lat. orbe = mundo, globo + -icola, habitante]
Patentes Patéticas (nº. 54)
Há invenções (e invetores) ganham fama por serem tão geniais que parecem à frente de seu tempo. Também há casos que, apesar do avanço e da genialidade, continuam largamente ignorados. Jack Jensen, por exemplo. Quem já ouviu falar de seu Airplane Hijacking Injector [ou Injetor de Sequestrador de Avião]? Não se engane pela denominação ambígua. Trata-se de um engenhoso Continue lendo…
A moça de maiô verde
Ela matava todo mundo e vivia nos enganando. Agatha Christie poderia ser uma serial-killer, mas tornou-se a maior autora de novelas policiais do século XX e pioneira do surfe. Pioneira do surfe?? What???
É dificil imaginar aquela Dame de ares vitorianos saindo de uma kombi com uma prancha debaixo dos braços, pronta pra pegar um tubo. Ainda jovem no começo dos anos 1920, Agatha também teve a sua fase descolada. É o que conta Pete Robinson, fundador do Museum of British Surfing [Museu do Surfe Britânico], situado no condado de Devon, no sudoeste inglês. Para quem não sabe, Christie passou a infância e a adolescência em Devon, que também foi cenário de muitos de seus mistérios.
Como o sobrenome que a tornaria consagrada na literatura, Agatha Mary Clarissa Miller deve ao primeiro marido suas experiências com pranchas de surfe. Ex-aviador e veterano da I Guerra Mundial, Archibald “Archie” Christie foi convocado novamente pelo governo britânico em janeiro de 1922. Sua nova missão era promover a British Empire Exhibition [Exposição do Império Britânico] que seria realizada em Londres dois anos mais tarde. Após deixar a filha única de três anos aos cuidados da mãe e de uma irmã, Mrs. Christie partiu com o marido para o que acabaria sendo não uma viagem de negócios, mas uma verdadeira turnê surfista.
Agatha e Archie chegaram à África do Sul em fevereiro e logo foram apresentados a um esporte relativamente novo, o prone surfboarding (antigo nome do bodyboarding). Segundo a jovem Christie, “as pranchas de surfe na África do Sul eram feitas de madeira fina e leve, fáceis de carregar e logo se pega a manha para entra nas ondas.” Mas nem sempre era uma moleza, segundo a Rainha do Crime: “ocasionalmente, era doloroso, como quando você cai de nariz na areia. Mas, em geral, era um esporte simples e bastante divertido.”
Depois de passar pela Austrália e Nova Zelândia, os Christie alcançaram Honolulu em Agosto, em pleno verão havaiano. E foi em nada menos que Waikiki que, depois de umas dicas sobre como lidar com queimaduras de sol e barreiras de corais, o casal aprendeu a ficar de pé na prancha.
Entre uma onda e outra, Agatha escreveu Poirot Investiga e O Homem de Terno Marrom, que seriam publicados em 1924. Em sua autobiografia, Agatha Christie se recorda de suas peripécias no Havaí: “Eu aprendi a ponto de ficar expert — ou pelo menos expert do ponto de vista europeu — e o momento do meu completo triunfo foi no dia em que manti meu equilíbrio e fui até a praia de pé em minha prancha!” Agatha também sempre se lembrou da sua indumentária. Como o neoprene não existia na época, ela teve que apelar para a lã: “Um maravilhoso e modesto traje-de-banho de lã verde-esmeralda, que era a glória da minha vida e no qual eu me achava notavelmente bem!”
Segundo Robinson, os Christie estão entre os primeiros bretões a pegar uma onda — o único britânico que pegou uma onda antes do casal foi o próprio Príncipe Edward.
[Guardian via The Mary Sue]
As Flechadas de Franklin
Em carta ao general Charles Lee datada de fevereiro de 1776, Benjamin Franklin argumentava que o exército das colônias deveria se armar com instrumentos tipicamente americanos — arcos e flechas. Franklin os considerava “boas armas, insensatamente postas de lado”. O inventor e diplomata americano apresentou seis razões para o uso estratégico de um arsenal low-tech:
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1. “Porque um homem pode atirar tão verdadeiramente com um arco quanto com um mosquete comum.”
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2. “Ele pode lançar quatro flechas no intervalo entre carregar e descarregar uma bala.”
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3. “Seu alvo não lhe é tirado de vista por fumaça do seu próprio lado.”
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4. “Uma chuva de flechas, vista por baixo, aterroriza e perturba a atenção do inimigo.”
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5. “Uma flecha que acerte qualquer parte de um homem o põe hors de combat até que seja extraída.”
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6. “Arcos e flechas são mais fáceis de se arranjar em qualquer lugar do que mosquetes e munições.”
Franklin também recomendava a utilização do pique (uma longa lança com ponta de aço, comum na Idade Média). Mesmo que não tenham sido postas em prática, as recomendações militares de Franklin continuaram a ser debatidas muito tempo após a Revolução Americana.
Um teórico calculou que, em 22 de maio de 1794, na Batalha de Tournay, os franceses revolucionários e a coalizão antirepublicana (Áustria, Grã-Bretanha e Hanôver) trocaram 1.280.000 tiros. Com estimadas 8.500 baixas de ambos os lados, o resultado foi uma média de 150 disparos para cada baixa, “o que evidentemente aparece em favor do arco, em termos da certeza de seu tiro, de não mais de 20 [disparos] para 1 [morte].”
Em uma palavra [100]
hecatostilo (he.ca.tos.ti.lo)
s.m. Arq. pórtico ou edifício adornado com cem colunas. [do grego hekáton = cem + stylos = coluna]
Em ordem de publicação, eis as 100 colunas do edifício Em uma palavra. [As 83 primeiras estão ligadas ao blog antigo.] Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 53)
Pouca gente hoje sente saudade das locomotivas a vapor, com sua fumaça, seu barulho e sua relativa lentidão. Embora já esteja virtualmente extinta há mais de meio século, não foi por falta de inovação que a tecnologia a vapor morreu — já vimos, por exemplo, um sistema termo-hidráulico para tirar animais dos trilhos. Uma invenção mais útil, que tentava aumentar a eficiência e reduzir a poluição das Marias-Fumaça, apareceu já no fim do século XIX. Era a “Locomotiva Consumidora de Fumaça” de Frank Charles McNally:
Essa invenção relaciona-se a locomotivas que consomem seus próprios produtos de combustão (chamadas às vezes de “locomotivas sem-fumaça”), de um tipo que é equipado com um ventilador/compressor giratório para criar uma corrente de ar forçada e retornar a fumaça e as cinzas da caixa de fumaça para a caixa de fogo, em vez de permitir seu escape para o ar livre. Meu aperfeiçoamento consiste em uma inovadora construção e combinação da caixa de fogo, da caixa de fumaça ou cinzas, do ventilador, do sistema de exaustão, da chaminé e de uma válvula para regulagem da corrente através da mesma.
Como fica implícito na patente, a ideia de Mr. McNally (de Kansas City, Missouri), não era exatamente original. Na edição de 10 de outubro de 1888, o jornal Deseret News traz uma nota intitulada “Uma Locomotiva sem ruído e sem fumaça”, mas sem dar detalhes técnicos. Já a patente nº. 531.555, que foi emitida em 25 de dezembro de 1894, é bastante detalhada.
Simplificando a patente de McNally, os gases e cinzas são liberados apenas durante o aquecimento do sistema — o que, em parte, explica porque ainda há uma chaminé. Uma vez alcançada certa pressão, a chaminé é fechada (com uma sofisticada cordinha). Acionado pelo vapor da locomotiva ou por uma correia ligada a uma das rodas, o compressor passa, então, a redirecionar a fumaça para um tubo que termina numa espécie de gaveta de cinzas, onde os gases (re)combustíveis elevam-se e retornam à câmara de combustão. As partículas mais finas também sobem, mas as mais pesadas ficam nessa gaveta. Caso o compressor entre em pane, não há problemas: uma válvula força a abertura da chaminé e os gases de exaustão são lançados na atmosfera normalmente.
No entanto, uma série de problemas torna uma locomotiva sem fumaça tecnicamente impraticável. Não fica claro, por exemplo, com que frequência a gaveta de cinzas deve ser esvaziada. Seria preciso interromper viagens para isso? Talvez sim. Aparentemente, o sistema McNally é um sistema fechado (desde que a chaminé seja fechada). Para não haver acúmulo de gases e riscos de explosão seria necessário abrir a chaminé de vez em quando (é verdade que basta puxar uma cordinha para resolver isso, mas uma “Maria-sem-Fumaça” que solta fumaça certamente seria vista como propaganda enganosa pelo público). Nem todos os gases de exaustão seriam combustíveis — o gás carbônico é o exemplo mais óbvio — e portanto a economia talvez fosse pequena demais para o investimento. Além disso, o sistema McNally seria até anti-econômico. Mais peças, ainda que sejam poucas e bem simples, necessitam de mais manutenção. A opção mais poluidora sempre foi a mais barata.



É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.