“Nature by Numbers”
No vídeo Nature by Numbers, o artista gráfico espanhol Cristóbal Vila apresenta maravilhosamente bem a recorrência natural de padrões matemáticos como a sequência de Fibonacci e regra de ouro em conchas e estruturas geométricas em flores e insetos.
O Paradoxo do Aborto
Em 1946, Dr. Jones, um médico de Ohio, foi julgado por realizar seis abortos ilegalmente. Em um desses casos, a única evidência contra o médico era o testemunho da própria mulher que abortara, Jacquelin Harris. Só que, de acordo com diferentes leis de Ohio, (1) a gestante que recorre ao aborto era cúmplice do crime e (2) o testemunho de um cúmplice era considerado insuficiente para uma condenação. Isso significa que:
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A acusação pode argumentar que, se o doutor é culpado, ele deveria ser condenado e que se ele é inocente, a mulher não é cúmplice e seu testemunho é suficiente para condená-lo. Em todo caso, ele deveria ser condenado.
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A defesa pode argumentar que, se o doutor é inocente, ele deveria ser absolvido. Se ele é culpado, a mulher é sua cúmplice, o que torna seu testemunho inválido para a condenação. Em todo caso, ele deveria ser absolvido.
“Isso põe o júri em uma posição de veredito auto-anulante”, observa Peter Suber em The Paradox of Self-Amendment [O Paradoxo da Auto-Emenda]. “Se eles consideram Jones culpado, devem concluir que Harris foi sua cúmplice, o que torna sua evidência contra Jones insuficiente, então devem absolver Jones. Mas se eles consideram Jones inocente, eles devem (ou pelo menos podem) considerar a evidência de Harris legalmente suficiente, então devem (ou pelo menos podem) condenar Jones”.
Não é possível haver um empate. Então qual foi o resultado? Curiosamente, Jones foi condenado. Como era o acusado foi considerado presumidamente inocente. Consequentemente, Mrs. Harris não foi, presimidamente, uma cúmplice. “Isso levou à notável situação na qual o testmunho era admissível e poderia levar à condenação” — comenta Michael Clark em Paradoxes from A to Z [Paradoxos de A a Z] — “apesar do fato de que a condenação tenha minado o valor probativo do testemunho.”
Referência Legal: State v. Jones, 80 Ohio App. 269
Em uma palavra [106]
nocente (no.cen.te)
adj. que causa perdas e danos; danoso, agressivo, perigoso; o oposto de inocente. “Foi morto pelo efeito nocente de um veneno desconhecido.” Nocência, s.f. qualidade de nocente; agressividade, periculosidade. [do lat. nocere, danificar]
Nocivo e nóxio (e seus respectivos substantivos, nocividade e noxiosidade) são sinônimos aparentados de nocente. Nocivus e noxius são ambos derivados de nocere.
Círculo Cúbico

A leitura do círculo acima, em sentido horário, dá os números 04, 20, 34, 12, 50, 42, 03, 41, 53, 15, 31 e 25. No sentido oposto, temos 05, 21, 35, 13, 51, 43, 02, 40, 52, 14, 30 e 24.
A soma do primeiro conjunto é igual à do segundo — mesmo que seus números estejam elevados ao quadrado ou ao cubo. Além de tudo isso, se ordenarmos crescentemente os números do primeiro conjuto e os do segundo em ordem descendente, o resultado das somas é sempre o mesmo:

Patentes Patéticas (nº. 59)
Douglas Adams pode ter sido o primeiro a chamar a atenção para as múltiplas utilidades da toalha, mas não foi o primeiro a levar a sério esse banal pedaço de tecido felpudo, encontrável em (quase) todo banheiro. Diversos inventores tentaram aperfeiçoar esse utensílio têxtil, úmido e às vezes bolorento aplicando-lhe utilidades extra-banho.
Foi difícil escolher uma única patente, mas decidimo-nos por uma que mantém a toalha o mais intacta possível, o que permitiria seus múltiplos usos em situações interestelares. É esse o caso do Convertible Towel Costume [Traje de Toalha Conversível], elegante ideia de Charlotte B. Dike: Continue lendo…
Pelo mau uso do ‘literalmente’
Se você vive sendo literalmente execrado por abusar do uso figurativo do advérbio “literalmente”, saiba que está em boa companhia. Até o próprio Times — o famoso jornal londrino — andou judiando do advérbio nos primórdios de 1949. O resultado foram algumas cartas dos leitores literalmente hilárias publicadas ao longo do mês de abril daquele ano:
Sir,
Sua recente reportagem sobre um jogador de tênis que “literalmente dinamitou seus adversários para fora do campo” sugere que está sendo preciso ser menos sutil para vencer. Como, por exemplo, indica a palavra “literalmente” em uma metáfora, não seria inadequado o uso de dinamite em uma partida de primeria classe?
Atenciosamente,
B.W.M. Young
Sir,
Talvez o uso mais pitoresco do “literalmente” foi daquele escritor que afirmava que “durante cinco anos Mr. Gladstone esteve literalmente colado ao Banco Central.”
Cordialmente,
E.W. Fordham
Outros leitores que aproveitaram para apresentar suas próprias experiências com o literal advérbio:
Sir,
Eu apresento o seguinte, longo e adoravelmente lembrado exemplo de meus dias de “penny dreadful”: “Dick, calorosamente perseguido pelo caçador de couro cabeludo, virou-se sobre sua sela, atirou e literalmente dizimou o índio”.
Cordialmente,
Edward Evans
Penny dreadful era o equivalente vitoriano dos contos de ficção pulp, publicados em papel vagabundo e vendidos a preços baixíssimos.
Também houve relato de abuso por parte de uma agência de viagem:
Sir,
Um guia para a Grécia amplamente lido no pré-guerra costumava descrever os habitantes daquele país como tão interessados em política que poderiam ser vistos diariamente “em cafés e restaurantes literalmente devorando seus jornais”.
Atenciosamente,
F.J.B. Watson
Mr. Davidson foi um jornalista que se arrependeu e também escreveu para reconhecer, ainda que com décadas de atraso, seu mau uso do literalmente:
Sir,
Quando eu era editor-assistente do “Saturday Review” no começo dos anos 1920, durante uma ausência temporária do editor eu permiti que um revisor declarasse, naquelas páginas augustas, que seu coração estava literalmente em suas botas.
Atenciosamente,
Ivy Davidson
O lago bipolar
Por definição, um lago é um corpo de água que ocupa permanentemente uma depressão do relevo terrestre. Mas o Lago Merzbacher é uma exceção. Localizado numa das áreas mais inacessíveis das Montanhas Tian Shan, no leste do Quirguistão, não muito longe da fronteira com o Cazaquistão e a China, o Lago Merzbacher fica ao pé do glaciar Inylchek. É tão difícil chegar lá que o lago só foi descoberto em 1902, por Gotfrid Merzbacher (daí o nome), um alpinista-geógrafo alemão.

O isolado lago quirguiz não é lá muito grande: 4 km de extensão, 1 km de largura e até 70 metros de profundidade máxima, mas sua proximidade com a geleira é o que torna excepcional. A cada primavera, quando o lago congelado se torna líquido, suas águas cada vez mais quentes recebem pedaços da geleira vizinha. Um lago tomado por icebergs já seria por si só uma atração turística, mas isso não é tudo o que acontece por lá.
Dependendo da época em que você chega a Merzbacher — se é que você vai conseguir chegar lá —, pode não encontrar lago algum. Mas isso não significa que o seu GPS não funciona e que você esteja perdido ou que o verão local é inclemente a ponto de evaporar o lago inteiro. Também não é preciso culpar o aquecimento global, nem qualquer intervenção humana. O lago some por sua própria natureza.
O Lago Merzbacher é um tipo especial de lago, conhecido como lago proglacial. Isso significa que o lago é represado pela geleira. Há lagos proglaciais em todo o mundo e eles geralmente ou crescem com a retração do gelo ou simplesmente desaparecem junto com o glaciar. Exceção da exceção, o Merzbacher é um meio-termo: esvazia-se para se encher novamente logo depois.

Vão-se as águas, ficam os icebergs
O fenômeno pode parecer misterioso, mas provavelmente é assim: no verão o degelo continua e a água chega a subir até dois metros por dia. Depois de certo ponto, o lago enche tanto que a geleira inteira que o mantém flutua. Quando isso acontece, é como se fosse aberta a comporta de uma represa e o lago inteiro pode se esvaziar em apenas três dias, com suas águas correndo em direção ao Rio Inylchek. Depois que o lago esvazia, a geleira se reacomoda e bloqueia o vale glacial, reiniciando a cheia.

O velho dilema do copo d'água em proporções lacustres: meio cheio ou meio vazio?
Normalmente, esse ciclo de cheia e vazante costuma acontecer anualmente, mas já houve registro de ciclos semestrais ou de cheias que levaram dois anos até chegar ao ponto crítico. Dada a dificuldade de acessar o lago, ele foi pouco estudado até agora e a hipótese da represa de gelo móvel ainda não foi inteiramente confirmada.
Lógica Cafeinada
Pois bem, depois de uma lógica oferta de um cafezinho após um jantar com seis lógicos, o que aconteceu? Todos receberam o café? Continue lendo…
Em uma palavra [105]
armamentário (ar.ma.men.tá.rio)
s.m. armazém onde se mantém armas; local onde se armazena os armamentos; arsenal. [do latim armamentarium]
[Enigma] Lógica Cafeinada
Num restaurante, seis lógicos estão reunidos para um jantar. Após a refeição, é lógico que um garçom se aproxima da mesa e pergunta: “Vocês todos querem café?”
Lógico nº. 1: “Eu não sei.”
Lógico nº. 2: “Eu não sei.”
Lógico nº. 3: “Eu não sei.”
Lógico nº. 4: “Eu não sei.”
Lógico nº. 5: “Eu não sei.”
Lógico nº. 6: “Não.”
Quem recebe o café? Justifique sua resposta.




É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.