Durante o clímax do filme The Black Cat [O Gato Preto] — clássico de terror de 1934 —, Hjalmar Poelzig (Boris Karloff) reza uma “missa negra” que antecede o sacrifício da pobre e desesperada Jacqueline Wells (Julia Bishop):

 

Cum grano salis. Fortis cadere cedere non potest. Humanum est errare. Lupis pilum mutat, non mentem. Magna est veritas et praevalebit. Acta exteriora indicant interiora secreta. Aequam memento rebus in arduis servare mentem. Amissum quod nescitur non amittitur. Brutum fulmen. Cum grano salis. Fortis cadere cedere non potest. Fructu, non foliis arborem aestima. Insanus omnes furere credit ceteros. Quem paenitet peccasse paene est innocens.

Tudo isso pode parecer assustador na voz grave de Karloff. Mas qualquer um com um conhecimento mínimo de latim nota que se trata apenas uma sucessão de lugares-comuns em linguagem clássica:

Com um grão de sal. Um forte pode cair, mas não pode ceder. Errar é humano. O lobo muda o pelo, não a índole. Poderosa é a verdade e prevalecerá. Ações externas indicam segredos internos. Lembra-te de quando a estrada da vida é dura para manter sua mente calma. A perda que não se conhece não é uma perda. Relâmpago brutal. Com um grão de sal. Um forte pode cair, mas não pode ceder. Julgai a árvore pelo fruto e não pelas folhas. Todo louco pensa que todo mundo é louco. Quem se arrepende de pecar é quase inocente.

E assim, Finis coronat opus — o fim coroa a obra.

Ironicamente, durante séculos a Igreja forçou o uso do latim em suas missas como forma de manter as coisas sob seu controle direto. Mas como habitus non facit monachum (o hábito não faz o monge), não seria difícil para qualquer um com um raso conhecimento de latim fazer-se passar por padre e “rezar” missas repetindo meia-dúzia de lugares-comuns salpicados com in nomine Patris, et Filii, et Spiritūs Sancti. Amém.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...