tank

Militares que se borram em ação não prestam para nada. E quando alguém se borra dentro de um tanque, as consequências costumam ser piores, muito piores. Já que não dá para jogar o cagão para fora, que tal usar a merda como munição? Essa é a fétida ideia de Aleksadr Georgievich Semenov. Morador de São Petersburgo, Semenov é o inventor de um “Método de Remoção de Bioresíduos de um Compartimento ou Habitáculo Isolado em uma Instalação Militar e sua Implementação”.

Patenteado na Rússia sob nº. 2.399.858 [1] em 2009, o sistema é muito mais simples que seu nome: trata-se apenas de um sistema de eliminação de necessidades biológicas através de um canhão. É especialmente útil em um tanque, já que essa máquina de guerra não tem um banheiro (e precisa carregar seus “restos” durante dias em uma caixa que não cheira muito bem). Segundo uma tradução da patente russa feita pelo Guardian, na qual nos baseamos:

Um militar (3) coloca os resíduos (8) no volume (7), diretamente (fig. 1) ou em dois passos. Após estar completamente cheio, ou se necessário, incompleto, o volume é selado seguramente com uma tampa. A arma, carregada com o projétil especial, é mirada em uma zona segura ou sobre um alvo inimigo que mereça recebê-lo.

Isso dá um sentido completamente novo à palavra “descarga”!

Porém, ainda segundo o jornal inglês, o objetivo de Semenov não é ter mais uma arma biológica e sim uma arma-de-destruição-em-massa da moral do adversário:

Exceto pelos efeitos prejudiciais, que são secundários nesse caso, o efeito psicológico-militar é esse: a compreensão dos fatos da ‘entrega’ e distribuição em um território inimigo (…) pela equipe, bem como a oportunidade de informar outros soldados e o inimigo sobre isso. Como resultado, em adição ao propósito básico (remoção completa de resíduos), obtém-se efeitos adicionais militares-políticos e militares-psicológicos.

Mas talvez mesmo o soldado mais diarréico não veria essa ideia com bons olhos. Lançar cargas de merda pode ser um tiro pela culatra (literalmente, mas não só). Pois ao jogar sua carga fétida sobre o inimigo, um tanque revelaria logo onde estão os cagões na linha de batalha. Demonstrar uma fraqueza como essa não é uma estratégia militar muito esperta…

E nada impede que um sistema como esse seja sim considerado uma arma biológica. Especialmente se a bomba de necessidades biológicas vier de um tanque (ou forte) com militares estrategicamente adoentados.

Por último, patentear um equipamento militar — mesmo que não seja tão sujo quanto esse — é sempre uma péssima ideia. Embora protegida, uma patente sempre é pública — e os inimigos não precisam mandar espiões ou quebrar a cabeça com engenharia reversa quando podem dar uma bisbilhotada no site do escritório de patentes…

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[1] Embora eu tenha encontrado um link para a patente, não consigo acessá-la (ainda mais em russo!). Se alguém entendido em russo puder encontrá-la, por favor passe-me o link correto.

[Guardian via Neatorama]

[Sugerido pelo Luiz Bento via Facebook e pelo Tilpa, via comentário.]

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