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As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Que as rosas não falam, todo mundo já sabe. Mas talvez as rosas não exalem nada, Cartola. Quando você vê uma rosa, sabe que ela está lá, que existe. Porém, ao vendar seus olhos essa certeza desaparece, se você se guiar apenas pelo seu nariz. Você pode supor, com graus variáveis de certeza, que o que você sente com seu olfato é uma rosa. Pode não haver rosa nenhuma por perto. Pode ser apenas uma substância que imita o perfume da flor.

De qualquer modo, quando você sente o cheiro de uma rosa (ou de uma imitação de rosa), ela só existe dentro da sua mente. É uma mera impressão ou mesmo ilusão olfativa. O mundo visual, portanto, parece ser formado por objetos independentes e com propriedade (objetivamente) observáveis. Mas o mundo dos cheiros parece existir apenas em nossa consciência — ou, pelo menos, na consciência de algum ser vivo dotado de olfato.

Vamos supor que a primeira planta a brotar em Marte seja uma rosa. Mesmo daqui, do planeta Terra, seria visualmente possível confirmar que ela é vermelha. Mas, nesse caso, não haveria por lá nenhuma criatura — nem terrestre nem marciana, muito menos robótica — capaz de sentir-lhe o cheiro. Haveria, então, um perfume de rosa?

Do mesmo modo, se não houvesse aqui nenhuma criatura capaz de enxergar as rosas, elas ainda seriam vermelhas. Mas será que elas ainda teriam um doce perfume?

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