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Cthulhu Rising by somniturne (via mobground.net)

Para quem não sabe, os contos de horror cósmico de H. P. Lovecraft (1890-1937) retratam um mundo muito além da compreensão humana. Situado na tríplice fronteira do horror com a fantasia e a ficção científica, seu universo é governado por deuses com aparências capazes de perturbar qualquer mente sã. O primeiro destes contos foi “The Call of Cthulhu”, escrito em 1926 e publicado na Weird Tales de fevereiro de 1928. A Wikisource tem o texto na íntegra (em inglês, of course). O Chamado de Cthulhu é uma tradução para o português disponibilizada pelo Site Lovecraft [pdf em zip].

Mas e se, em vez de contos, Lovecraft tivesse contado a história de Cthulhu em versos? Em 2011, o americano David Jalajel fez de Lovecraft um poeta. Ou quase isso. No poema experimental Cthulhu on Lesbos [Cthulhu em Lesbos], Jalajel pega frases de The Call of Cthulhu e as arranja em cantos safados sáficos com pouca ou mesmo nenhuma consideração pela sintaxe convencional. Eis os primeiros versos, acompanhados de nossa tradução:

Most in world, is human to all its contents.
Live on placid island of midst of black seas
Voyage far. The science straining harmed us
Little; but piecing

Knowledge opens vistas of frightful either
Mad from flee from light into peace and safety
New have guessed at awesome of cosmic cycle
World and survivals

Muito do mundo, é humano para todos os seus conteúdos.
Vive numa plácida ilha no meio dos mares negros
Viaja longe. As nos ciências tensão feriram
Pouco; mas despedaçar

Conhecimento vistas abre de ou terrível
Louco de fugir da luz para a paz e segurança
Nova tem adivinhado para pavoroso ciclo cósmico
Mundo e sobreviventes

Até aí, nada de muito bizarro. Só que os vários pseudocantos lovecraftianos estendem-se por dezenas de páginas, mais ou menos nesse ritmo:

Dark to visit faithful But Great had ever
Old The carven idol was great Cthulhu,
None might say or others were like the old but
Things were by word of

Mouth. The chanted secret — was never spoken
Only whispered. chant “In his house at R’lyeh
Dead Cthulhu waits of the found be hanged, and
Rest were committed

Escuro para visitar fiel Mas Grande teve sempre
Velho O ídolo esculpido era grande Cthulhu,
Nenhum poderia dizer ou outros eram como o velho mas
Coisas eram por palavra de

Boca. O segredo cantado foi nunca proferido
Apenas sussurrado. cante “Nesta casa em R’lyeh
Morto Cthulhu aguarda de a descoberta ser enforcada e
Descanso foi cometido

Infelizmente, a obra de Jalajel não está disponível online na íntegra. Há uma boa amostra com as dez primeiras páginas aqui [pdf]. Se alguém quiser se arriscar, é melhor correr: só tem um único exemplar de Cthulhu on Lesbos disposnível na Amazon (por 12 dólares).

Por outro lado, o Lovrecraft poeta nem é tão ficcional assim: o criador de Cthulhu escreveu diversas poesias. Se você ainda prefere o Lovecraft contistas, uma coletânea de seus contos é cortesia do Project Gutenberg Australia.

Por fim, para quem não se importa com spoilers (se é que pode haver spoiler numa obra que é apenas um remix), os versos que encerram Cthulhu on Lesbos são terrivelmente enigmáticos:

Prance and slay around in by sinking black else
World by now be screaming with fright and frenzy.
Knows the end? has risen may sink, and sunk may
Rise. and in deep, and

Empine e assassine ao redor por em naufragando diverso negro
Mundo por ora seja gritando com susto e frenesi.
Sabes o fim? tem subido pode afundar, afundado pode
Subir. e no fundo, e

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