“Mesmer”, diz [Wilhelm Gottlieb] Tennemann em seu Manual of the History of Philosophy [Manual da História da Filosofia, publicado em alemão em 1812 e em inglês em 1832], “descobriu, ou antes redescobriu, a existência de uma nova força — uma potência universalmente difusa, similar à atração e à eletricidade, permeando em e agindo sobre todos os corpos organizados e desorganizados.” Outros determinaram que certos fenômenos de alegados sonambulismos naturais e artificiais decorrem do “poder da mente a agir diretamente sobre a organização” e daí as “duas novas ciências, a Neuro-Hipnologia e a Eletro-Biologia”. O Professor Eschenmayer admite a existência de “um éter orgânico”, espalhado por todos os lugares e mais sutil que o da luz; e com isto “conecta sua metafísica e sua espiritualidade mística.” Dr. Passavant “demonstra os instintos e a importante ligação entre as ciências e os mais sublimes sentimentos de religião!” O que será dito destas coisas daqui a uns poucos séculos? Seremos alvo de risos por rirmos deles — se é que nossa era ri deles? Ou será que uma filosofia discriminante detectará a ação, em meio a massas de absurdos e mesmo fraudes, que dará indicações contundentes de verdade física? — John Timbs, Things not Generally Known, Familiarly Explained. A book for old and young [Coisas pouco conhecidas ordinariamente, com explicações familiares. Um livro para jovens e velhos], 1866.

O primeiro citado por Tennemann (1761-1819), Adam Karl August Eschenmeyer (1768-1852), foi um médico e filósofo alemão célebre por suas tendências místicas que o levaram ao magnetismo animal. O outro, o tal Dr. Passavant, foi tão esquecido que sequer tem uma entrada na Wikipedia (há um ministro luterano  americano com o mesmo sobrenome, mas ele não teve relações com o mesmerismo). O manual de história da filosofia de Tenneman está disponível on-line, em inglês (o trecho sobre mesmerismo está na p. 407 da versão digital).

Não foi necessário muito tempo para podermos rir seguramente de Mesmer e seus seguidores. O magnetismo — e suas interrelações com a eletricidade — seria  completamente compreendido no findar do século XIX. Pouco depois, a própria noção de éter luminífero foi derrubada por Einstein. Indiretamente, isto também derrubou qualquer possibilidade científica de descobrirmos uma emanação universal dos seres vivos, como o tal “éter orgânico”.

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