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Não tive um infarto na banca do TCC há exatamente uma semana. Também não enfrentei um dragão numa caverna cheia de tesouros. O que não quer dizer que os últimos passos desta jornada inesperada foram tranquilos. Mesmo com um trabalho praticamente pronto houve motivos para ansiedades.

Quando dei algumas notícias desta jornada, ainda no apagar de 2013, já sabia muito bem que tinha uma coisa muito importante pela frente: o relatório. Embora não fosse algo tão rígido quanto um artigo científico, era algo que me preocupava bastante — principalmente porque exigia uma base teórica que eu não tinha. Como expliquei no próprio relatório, as Patentes Patéticas não são fruto de nenhuma investigação para comprovar esta ou aquela tese. No máximo, a gente procura demonstrar as próprias falhas do processo de patenteamento — especialmente a falha do critério de viabilidade técnica e/ou comercial dos inventos apresentados. Embora patéticas, as patentes da série não economizam em inovação e originalidade.

Mas voltando à minha jornada, mesmo não vendo necessidade de embasamento teórico, recebi uma boa lista de referências do meu orientador-editor, o Prof. Dr. Francisco Rolfsen Belda. Mesmo assim, meu relatório avançou muito lentamente — levei as três primeiras semanas de janeiro para redigi-lo. Uma eternidade, considerando que alguns colegas escreveram seus relatórios nas últimas 24 horas do prazo.

Quando terminei, porém, achei que tudo estava pronto.

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Não estava: eu ainda não tinha escolhido a banca nem reservado uma sala para a apresentação. Pior: por falha minha na leitura de um e-mail, perdi o prazo (sexta, 24 de janeiro) para convidar a banca e fazer a reserva. Quem me fez perceber isso, por telefone, foi justamente o Belda. O problema é que ele estava no Rio de Janeiro naquela segunda. Eu entrei em pânico. Já adiantava a falência acadêmica: a reprovação total ou um semestre a mais de espera (sendo que eu devia ter me formado no fim de 2012).

Vários telefonemas depois, um pequeno alívio naquela segunda-feira tensa de 27 de janeiro: eu dividiria o horário de apresentação e uma sala com outro orientando do Belda. Ele se apresentaria primeiro, às 16h e eu em seguida, às 17h30, sendo que a sala estava reservada até as 19h do dia 10/02 (e só podia ser nesse dia porque depois o Belda entraria impreterivemente em férias). Ainda havia motivos de ansiedade porém: eu precisava imprimir as cópias do relatório e do livro para avaliação. E o mais importante, o que mais me angustiava: encontrar uma banca.

Embora eu tenha mandado um e-mail meio desesperado para uma gráfica rápida, não foi preciso me preocupar muito com isso. No dia seguinte (28/01) consegui o serviço a tempo e por um bom preço em outra gráfica – que, aliás, encontrei a caminho da gráfica para a qual havia mandado o e-mail. Até hoje não me responderam o e-mail com nada além de “sua mensagem foi recebida”.

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Quanto à banca, pensei em convidar até um professor de fora, autor que mais citei na parte teórica do relatório. Desisti porque poderia ser arriscado demais em termos de agenda. E, além disso, as Patentes Patéticas não foram exatamente um trabalho acadêmico. Jornalístico, sim, mas não acadêmico-teórico-monográfico-nas-normas-da-ABNT. Jornalismo científico com humor (coisa muito séria). Acabei me decidindo a chamar os Professores Antônio Francisco Magnoni e Ângelo Sottovia Aranha. São professores com os quais tenho alguma proximidade e que, eu esperava, estariam disponíveis. Mandei-lhes um convite por e-mail mesmo sabendo que talvez não o lessem.

Apesar da ansiedade e de duas noites de sono mal-dormidas, eu acordei bem no Dia-D, quarta, 29 de janeiro. Sabia que não tinha tempo a perder: fui pra Bauru logo cedo para entregar o relatório e buscar falar com os professores que escolhera para a banca.

Não precisei, porém, ficar caçando ninguém pelo câmpus. O Ângelo e o Dino estavam numa aula pública. Assim que foi possível, eu me aproximei e fiz o convite a cada um deles. Acho que nunca tive tanta cara-de-pau na vida. E sorte também: embora estivessem de agenda cheia para o dia da minha banca, o meu horário estava livre.

Uma vez resolvido isso, faltava avançar com a parte editorial do livro: faltava o ISBN e algumas correções de última hora no texto. O Belda decidiu inserir, após o prefácio e a apresentação, uma nota de sua autoria. Essa nota contém uma das melhores descrições que já fizeram de mim.

Por fim, decidi relaxar. Queria evitar novas ansiedades, poir isso deixei de publicar mais uma Patente Patética às vésperas da banca.

Quando o dia 10 chegou eu estava surpreendentemente calmo (agora me lembro que eu tinha uma toalha na mochila!). Sabia que tinha uma banca pela frente, mas eram bons professores, nos quais eu sempre confiei. Acima de tudo, confiei no trabalho que realizei ao lado do Belda nos últimos nove meses — era pra ser um semestre, mas veja só, foi um parto mesmo. Um parto rápido e praticamente indolor.

Dadas as limitações de tempo na agenda de todo mundo da banca (e um atraso de 20 minutos por causa do Prof. Ângelo), a minha acabou sendo bem curta. Eu resumi oralmente — de maneira bastante afobada, eu acho; se bem que apresentações orais nunca foram meu forte — tudo o que estava nas 27 páginas do relatório. E então ouvi as críticas pertinentes. Foram todas pertinentes mesmo, embora tenha havido mais correções textuais do que conceituais.

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Da esq. p/ dir. Prof. Dr. Antônio Francisco Magnoni, Prof. Dr. Ângelo Sottovia Aranha, este patético autor e Prof. Dr. Francisco Rolfsen Belda.

Fui elogiado, recomendado para o mestrado e — claro — ganhei um 10.

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Não achava que pudesse ser tão simples. Às vezes acho que foi simples demais, mas quem acompanhou esta jornada inesperada sabe que não foi simples assim.

Esses foram os últimos passos, mas ainda não é o fim desta jornada. Ainda falta, claro, o lançamento do livro. Não temos data ainda, mas como é possível que a esta altura o livro já esteja na gráfica, não deve demorar muito. Talvez um mês no máximo (vou atualizar este post quando tiver a data exata de lançamento).

***

Quem quiser, ainda pode reservar seu exemplar das Patentes Patéticas diretamente comigo. Basta mandar um e-mail para mim sob o assunto "Patentes Patéticas", com nome e endereço completos do leitor interessado. Pedidos para instituições como bibliotecas ou escolas também são aceitos.
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