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Ah, uma massagem… O ideal seria ter um par de mãos apertando delicadamente o seu cangote durante aquela interminável viagem de carro, caminhão ou ônibus. Uns beijinhos na nuca também não seriam má ideia e… Bom, nem todo motorista ou passageiro pode contar com esse luxo, mas uma solução mecânica já foi patenteada há duas décadas. O Vibrating Neck Rest for the Passenger Seat of a Motor Vehicle [Apoio Vibratório de Pescoço para o Assento do Passageiro de um Veículo Automotor] pode ter um nome horrível, mas parece ser algo relaxante:

Um apoio vibratório para o pescoço particularmente adaptado para ser anexado e usado em conjunção com o banco do passageiro de um veículo motorizado, o apoio vibratório de pescoço inclui uma almofada, sendo a almofada substancialmente alongada e tendo um eixo longitudinal maior; uma unidade de vibração disposta no interior da almofada para produzir uma vibração em pelo menos uma porção da superfície da almofada; um par de tubos, um dos quais estendendo-se para fora a partir de um lado oposto da unidade de vibração, sendo o par de tubos que se estendem para fora da unidade de vibração substancialmente paralelo ao eixo maior da almofada; um par de peças de martelo, cada qual desses martelos sendo ligado à extremidade distal de um dos tubos, um aparato de amarração, para amarrar a almofada ao assento do passageiro de um veículo automotor e um mecanismo de controle para alteração de pelo menos uma característica da vibração produzida pelo aparato vibratório, sendo o mecanismo de controle movível para um ponto remoto da almofada.

A descrição feita por Ji Xiao no resumo de sua patente não é lá muito relaxante. As sete páginas — com três figuras — da patente nº. 5.374.238 [pdf] vão no mesmo ritmo broxante do resumo. Ainda assim, Xiao deve ter ganhado uma bela massagem no ego quando a patente foi aprovada em 20 de dezembro de 1994.

Natural de Las Vegas, Nevada Mr. Xiao deve ter sido inspirado pelo paradoxo da abundância no mercado de massagens de sua terra natal: não faltam massagistas em Las Vegas, mas os preços não são baratos.

Diante disso, o melhor que nosso inventor conseguiu foi juntar uma almofada, uma espécie de barra espiralada, um motorzinho vibrador, um par de pilhas e um par de tiras elásticas com velcro. A barra espiralada — presa a uma almofada, por sua vez presa ao encosto do banco do carro com as tiras de velcro — vibra sob a nuca do usuário, que pode regular a intensidade da massagem com um pequeno controle remoto. Nesse controle remoto, que tem mais ou menos o tamanho de um isqueiro, fica o par de pilhas para movimentar o tal “elemento vibratório”, o que obriga o controle a ter uma ligação com a almofada — um fio. Não é lá um controle muito remoto, mas pelo menos vai ser tão fácil perdê-lo por aí…

A simplicidade do acessório poderia tê-lo transformado num sucesso comercial instantâneo, quem sabe até num ícone dos anos 90, mas parece que a cautela excessiva do próprio inventor acabou matando a invenção. A começar pelo título de sua patente, Xiao tem todo o cuidado de restringir o uso da almofada massageadora apenas aos passageiros dos veículos automotores terrestres. Não há menção ao uso por motoristas, que seriam o principal público-alvo do invento. Passageiros e pilotos de aeronaves também seriam potenciais consumidores, mas foram igualmente ignorados por Ji Xiao.

Pode não ser tão bom quando as massagens com mãos delicadamente treinadas (e beijinhos de brinde), mas a almofadinha massageadora de Xiao seria bem mais simples e barata que os complexos sistemas de massagem que equipam bancos de carros de luxo (e somente dos carros de luxo) desde a virada do século. Seria uma alternativa, mas ela parece ter morrido nas mãos do próprio inventor.

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