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Quando abri a primeira dimensão deste blog, há exatos pouco mais de sete anos, com uma apresentação meio ingênua de mim mesmo, não imaginava que o Hypercubic seria tão longevo nem tão importante pra minha carreira. Nem tão volumoso: neste momento são 1337 posts. Era a primeira de muitas jornadas inesperadas.

Eu já conhecia blogs desde 2004, quando minha turma do segundo colegial teve um como projeto para as aulas de redação. Eu escrevi só um post sobre carros movidos a hidrogênio. E ficou por isso. Mesmo que eu tenha começado a escrever sobre ciência e tecnologia eu ainda tinha aquela visão estereotipada de blog como ~diário virtual~. “Eu não sou interessante,” — pensava — “não tenho sobre o que escrever.” Naquela época, eu só tinha 16 anos e era tímido pra burro (hoje eu só não tenho os 16 anos…). Não estava pronto.

O colegial terminou em 2005. Tentei entrar para um curso de Design Industrial. Não consegui. Isso foi meio arrasador pra alguém que sempre teve as melhores notas da turma e eu tive uma depressão bastante séria em 2006. Sem grana pra cursinho, aprendi a estudar sozinho. Dessa vez queria tentar fazer Química (notem que mudança de área sutil). Eu até passei mas também havia acabado de passar num concurso público para ser secretário de escola. Fiquei indeciso. Inseguro, considerando-me incapaz de conciliar trabalho e estudo, desisti do curso superior. Nem fui fazer a matrícula. De novo, eu não estava pronto.

Foi aí que surgiu o Hypercubic. Apesar do nome meio science-y, eu pensava inicialmente em escrever aqui meus textos opinativos sobre um pouco de tudo. Gostava de escrever textos argumentativos desde o colegial e cheguei até a publicar dois artigos num jornal (que depois viraram meus primeiros posts). Escrevi só nove posts em 2007, a maioria me parecem agora verdadeiros rants. Eu não estava pronto pra divulgação científica.

Foi só no fim de 2007 que eu comecei a pensar de maneira mais crítica. saganSempre gostei de ciência, mas ainda não conhecia Carl Sagan. No primeiro semestre de 2008, eu ainda estava ocupado demais com o trabalho e escrevia muito pouco. Em agosto daquele ano, tomei duas decisões importantes (embora ainda não soubesse disso): decidi cursar jornalismo e dar mais regularidade ao blog. Obviamente, eu precisava de material, e comecei traduzindo as tirinhas da série norte-americana Cectic. Com autorização do autor, é claro. Esse trabalho me fez encontrar no humor um meio de divulgar ciência. Mas eu ainda não estava pronto.

O primeiro semestre de 2009 foi complicado e, ao mesmo tempo, entusiasmante. Eu havia passado no vestibular para Jornalismo na UNESP-Bauru. E o curso seria mais uma jornada inesperada (aprendi muita coisa, fiz amigos pra vida inteira mas continuo tímido pra burro…). Foi só no segundo semestre que meu plano de transformar o Hypercubic em algo mais sério começou a funcionar. Já com algumas noções jornalísticas, eu pretendia passar a publicar curiosidades, ciência e tecnologia numa base quase diária. Parecia quase impossível no começo, dada a falta de tempo. Mas eu começava a me sentir pronto.

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Os dois anos seguintes foram de vento em popa. A essa altura eu já tinha ideia de que queria me especializar em jornalismo científico/divulgação científica. Só não sabia muito bem como fazer isso. Em 2011, dei início à série Patentes Patéticas. Mal sabia eu que ali começava a jornada inesperada que me levaria a publicar um livro. Como tudo que sempre fiz no blog, não houve muito planejamento. As Patentes Patéticas nasceram de um curiosidade genuína e de pesquisas sobre o tema. Era pra ser só um post, mas eu encontrei tanto material interessante que decidi transformar tudo numa série semanal.

No fim de 2011, aconteceram duas coisas importantes. Uma boa e outra ruim. A boa é que eu havia sido convidado para fazer parte do ScienceBlogs Brasil. O Hypercubic veio pra outra dimensão. A má é que eu havia sido reprovado em algumas matérias na faculdade. Eu me formaria com atraso. Como já contei em outros posts esse contratempo acabaria me empurrando pra jornada inesperada que foi meu livro-TCC, o Patentes Patéticas.

IMG_1771-cropAgora, cinco anos depois de entrar na faculdade, eu estou oficialmente formado e prestes a lançar um livro. Faço a mesma confissão de Brás Cubas no capítulo XX de suas Memórias Póstumas: “No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade.” Embora tenha mais tempo livre agora, me sinto mais inseguro. Sempre fui muito autocrítico. Estando formado, eu me cobro ainda mais. Ainda não me sinto pronto. Talvez eu nunca me sinta pronto. Começo a achar que não há nada de errado nisso. Ou não.

LançamentoDeixando as dúvidas e as ansiedades de lado, o lançamento do Patentes Patéticas finalmente foi marcado. É o fim dessa jornada inesperada. Vou lançar meu primeiro livro no Auditório Sérgio Mascarenhas, no Instituto de Física de São Carlos, no dia 09 de maio de 2014, às 16h30. Com presença do próprio Prof. Sérgio Mascarenhas, que fez um prefácio para o livro. Espero que alguns leitores possam comparecer pessoalmente. Quanto aos leitores que pediram exemplares via e-mail, a logística de entrega será definida nos próximos dias. Meu discurso pro lançamento ainda não está pronto (nem eu).

E quanto ao futuro? Como em 2007, não posso me arriscar a dizer onde estarei daqui a sete anos. Só sei que vou começar um mestrado em breve e quero publicar mais livros. Estou pronto pra começar novas jornadas inesperadas.

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