Wormhole. Ou time vortex para os íntimos. [arte de vibrant-oxymoron.blogspot.com]

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Viagens no tempo ainda são coisas de escritores de ficção-científica e timelords, mas vez por outra aparece um viajante do tempo perdido físico com uma teoria de viagem temporal. Albert Einstein (1879-1955), por exemplo, foi o primeiro a sugerir a possibilidade através do wormhole. O wormhole (literalmente: buraco de minhoca) seria um túnel que atravessaria o próprio espaço-tempo, tendo uma boca em um lugar e num momento e outra num outro lugar e em outro momento, ambos distantes entre si no espaço e no tempo. Entretanto, wormholes ainda não foram observados. Mesmo que um buraco-de-minhoca fosse descoberto, não faria muita diferença pois tais estruturas existem apenas por períodos curtíssimos de tempo. Um buraco-de-minhoca se fecharia antes mesmo que um fóton pudesse passar por ele.

Quando uma porta se fecha nada nos impede de de botar um calço nela, evitando que se feche. O problema é que não temos (ou não conhecemos) um calço que sirva para segurar wormholes abertos. Obviamente, não seria uma simples pedra. Em 1988, o físico Kip Thorne propôs a ideia de que um wormhole poderia ser mantido aberto por mais tempo. O calço proposto por Thorne seria a energia de Casimir, uma espécie de energia negativa [mais sobre a energia ou efeito Casimir, na Wikipedia em português ou em inglês]. Seria uma boa ideia, mas como criar energia negativa enquanto se atravessa um buraco-de-minhoca numa espaçonave? Ninguém sabe ainda, mas Lucke Butcher acaba de apresentar mais um pitaco teórico.

Em artigo submetido em 6 de maio na plataforma online arXiv, Luke Butcher, físico da Universidade de Cambridge (Inglaterra), apresenta mais uma abordagem para o problema da viagem através do buraco-de-minhoca. Partindo da mesma teoria de Kip Thorne, Butcher também propõe o uso da energia de Casimir como um calço. Só que, nesse caso, o calço seria construído com um pedaço da própria porta que se quer segurar.

A novidade da teoria de Butcher é que ele propõe a possibilidade de que um wormhole poderia ser sustentado brevemente pela energia de Casimir existente em seu interior. Ao concluir uma série de cálculos, Butcher descobriu que tudo depende do formato do buraco-de-minhoca. Se o wormhole for mais longo do que largo, seu interior teria energia de Casimir suficiente para mantê-lo aberto por um intervalo maior que o normal. Sob essa condição, o buraco ficaria aberto por pouquíssimo tempo a mais, mas seria o suficiente para mandar um fóton atravessá-lo.

Ainda não é a descoberta definitiva da viagem do tempo, e Butcher reconhece isso. Buracos-de-minhoca continuam sendo essencialmente desconhecidos (a não ser na ficção científica, como a Física dos timelords) e pode haver muitas limitações a uma viagem em escala humana — a começar pela distância do buraco-de-minhoca mais próximo; se existir, ele estaria há muitos anos luz de nós, o que inviabilizaria viagens ao menos pelos próximos séculos. Nem por isso, o calço imaginário de Butcher seria menos importante. Sua nova teoria sobre a abertura de buracos-de-minhoca deve reacender o interesse sobre o assunto e levar a novas pesquisas. De uma delas, futuramente, pode vir a explicação definitiva sobre esses túneis espaço-temporais.

Ou quem sabe não aparece algum explorador temporal (timelord?) recém-saído de um wormhole aqui perto?

Referência

rb2_large_gray25BUTCHER, Luke. Casimir Energy of a Long Wormhole Throat, arXiv:1405.1283 [gr-qc] arxiv.org/abs/1405.1283v1
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