Fig. 3

Com ou sem Copa do Mundo, com ou sem ou caos nos aeroportos, fazer viagens aéreas num país de dimensões continentais é bastante cansativo. Por mais confortáveis que sejam, as aeronaves modernas estão longe de serem um lounge. Dormir é sempre uma boa maneira de aproveitar as várias horas de voo entre uma cidade e outra — ou entre continentes e oceanos, em voos internacionais. Um travesseirinho confortável cairia bem, mas para Samuel Young um travesseiro com função de emergência seria melhor ainda:

Um corpo de travesseiro encerrado numa capa, com um par de cordinhas cada qual ligada a uma das extremidade opostas da capa do travesseiro. O corpo do travesseiro é dobrado ao meio pela linha média transversa e os lados confrontantes da capa são costurados para formar uma bolsa aberta em apenas um dos casos. Uma fronha com fecho zíper cobre a bolsa. O dispositivo assim formado é útil como travesseiro de cortesia para conforto dos passageiros de linhas aéreas e funciona como capacete de proteção que pode ser colocado sobre a cabeça do passageiro quando ele for alertado de um pouso de emergência iminente.

Essa Combinação de Travesseiro e Capacete de Proteção foi inventada por Samuel Young no fim dos anos 1960, época de aviões menos confortáveis e menos seguros. Natural de Danbury, Connecticut, o inventor deste capacete macio provavelmente era funcionário da Fairfield Wool, Co., uma indústria têxtil daquela cidade. Sabemos disso pois a patente de Young foi licenciada para aquela empresa. A argumentação no texto do registro da invenção é tão simples quanto a ideia e baseia-se em dois pontos:

É prática convencional para veículos de transporte coletivo, como ônibus, trens e particularmente aeronaves, a distribuição de travesseiros de cortesia para a conveniência e conforto daqueles passageiros que desejam usá-los para dormir ou simplesmente para um descanso en route mais confortável. A arte anterior tem sugestões de travesseiros que podem ser dobrados e dispostos numa capa com zíper e também já foi sugerido que uma estrutura do tipo seja útil como bolsa na qual vários artigos podem ser armazenados.

Outra necessidade que surge no campo dos transportes, particularmente o aéreo, é de meios pelos quais os passageiros possam se proteger de ferimentos em caso de uma colisão acidental. Entre as empresas aéreas é prática comum, por exemplo, dispor de cintos de segurança e informar aos passageiros sobre a melhor maneira de se protegerem no evento de uma aterrissagem forçada.

No entanto, como muita gente, Young achou que as companhias aéreas poderiam fazer mais pela segurança de seus usuários do que o briefing, aquela pequena e chata palestra de segurança que os comissários de bordo fazem no começo de cada voo. “[C]omo ninguém jamais sugeriu que os travesseiros de cortesia que as aerolinhas proveem para conforto de seus passageiros podem ser usados para contribuir para sua segurança quando tal aterrissagem torna-se iminente”, nosso inventor resolveu agir e patenteou a ideia de enfiar a cabeça num travesseiro em caso de emergência aérea.

Pouco importa que uma criança entediada durante um voo de carreira fosse capaz de ter a mesma ideia e enfiar um travesseiro na cabeça: para o USPTO, essa ideia era original o bastante para ser registrada. O resultado é a patente nº. 3.538.508 [pdf], que deu entrada em 8 de agosto de 1968 e foi aprovada em 10 de novembro de 1970.

As quatro páginas do documento citado contêm uma descrição detalhada do travesseiro-capacete, mas o ponto alto é a Fig. 4, que reproduzimos a seguir junto com a sua descrição. Só esta figura e sua descrição já seriam o bastante para fazer desta uma patente patética:

Fig. 4

Na FIG. 4, o dispositivo capacete de proteção, com a capa 50 aplicada, é visto montado sobre a cabeça de um[a] passageiro[a] 70, de modo a amortecer sua cabeça contra o impacto violento e ajudá-lo[a] a se proteger de sérias lesões na cabeça. Antes de colocar o dispositivo capacete de impacto no lugar sobre sua cabeça indicado na FIG. 4, o[a] passageiro[a] 70 removeria as cordinhas 30 e 32 da abertura da bolsa 40 e permitiria que elas se soltassem enquanto ajusta o capacete de emergência sobre sua cabeça. Depois, ele amarraria as cordinhas 30 e 32 sob o queixo para formar uma alça de retenção. Será prontamente notado que um pouso de emergência tende a envolver um impacto algo violento, o que pode facilmente lançar o capacete longe da cabeça do passageiro[a] justo no momento em que ele é mais necessário.

No entanto, “o[a] passageiro[a] 70” não precisaria entrar em pânico. Ele ou ela não acabaria desprotegido[a] pelo simples fato de que “as cordinhas 30 e 32 são essenciais para assegurar o passageiro de que isso [a falha do capacete] não acontecerá”.

Parece verídico…

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