Jean de Vaudetar apresenta seu livro de presente a Charles V da França (1372), Bible Historiale, exemplar de Jean de Vaudetar. Museum Meermanno-Westreenianum, Haia, Holanda

Jean de Vaudetar apresenta seu livro de presente a Charles V da França (1372), Bible Historiale, exemplar de Jean de Vaudetar. Museum Meermanno-Westreenianum, Haia, Holanda

Os livros que eram encontrados nos palácios dos grandes deste período [segunda metade do séc. XV] eram em sua maior parte manuscritos ricamente iluminados, encadernados da maneira mais refinada. Nos inventários do Rei Eduardo IV [1442-1483, reg. a partir de 1461] nós sabemos que Piers Baudwyn foi pago por “costurar, dourar e encapar” dois livros, ao preço de vinte xelins cada e outros quatro, por dezesseis xelins cada. Naqueles dias, vinte xelins comprariam um boi. Mas os custos dessa encadernação e decoração não param aí: foram fornecidos ao encadernador seis jardas de veludo, seis jardas de seda, borlas, rendas, folhas de ouro, tachinhas e colchetes dourados. Os preços do veludo e da seda naquela época eram altíssimos. Podemos concluir seguramente que esses reais livros eram tanto para uso quanto para ostentação. Um desses livros, adornado pelo encadernador de Eduardo IV, é Le Bible Historiaux [ricamente ilustrada e também conhecida como Bible Historiale], da qual há algumas cópias manuscritas no Museu Britânico. — TIMBS, John. School-days of eminent men [Tempos de escola de homens eminentes]. Columbus (Ohio): Follett, Foster and Company, 1860.

Hoje qualquer um pode ver a Bible Historiale praticamente de graça, no site da Biblioteca Nacional da França.

Mais adiante na obra citada, Timbs nota que, embora os preços dos livros tenham começado a cair com a invenção da imprensa, os livros ainda eram um luxo até mesmo para nobres como Sir John Paston [1442-1479], filho de uma célebre família de missivistas. Paston escreveu numa carta a sua mãe em 1474:

“Quanto aos livros que eram de Sir James (do Padre), se lhe agrada que eu os tivesse, digo que não sou capaz de comprá-los, mas de algum modo eu os daria, junto com o resto, com um bom e devoto coração e de toda minha fé oraria por sua alma… Se qualquer um deles vier a ser reclamado, de boa fé os restaurarei.”

Portanto, segundo Timbs, era comum esse hábito de emprestar livros por longos intervalos, sem devolvê-los: “velho como os dias das Rosas Vermelhas e Brancas”. Quanto a John Paston, deixou um inventário com apenas 11 livros, mas tecnicamente um não era dele: “Um livro de Troilus, que William B ——— teve durante uns dez anos, e o emprestou para a Dama Wingfield e com ela o obtive.”

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