Em 5 de setembro de 1379, enquanto duas varas de porcos — uma pertencente à comuna e outra ao priorado de Saint-Marcel-le-Jeussey — se alimentavam juntas perto daquela vila, três porcas da vara comunal, excitadas e enraivecidas pelos guinchos de um dos porquinhos, correram sobre Perrinot Muet, filho do suinocultor. Antes que seu pai pudesse salvá-lo, elas o derrubaram e o feriram tão severamente que ele morreu logo em seguida. As três porcas, após o devido processo legal, foram condenadas à morte. E, como ambas as varas tivessem concorrido para a cena do crime e por seus guinchos e ações agressivas mostraram sua aprovação do assalto, estando prontas a tornar-se participes criminis, foram presas como cúmplices e sentenciadas pela corte a sofrer a mesma penalidade [das porcas condenadas]. Mas o prior, Frei Humbert de Poitiers, não estava disposto a permitir a perda de seus suínos e mandou uma humilde petição a Filipe, o Belo (então Duque da Burgúndia), clamado que ambas as varas, com exceção das três porcas diretamente envolvidas no assassinato, recebessem o mais completo perdão. O duque deu seu gracioso ouvido a essa súplica e ordenou que a punição fosse remitida e os suínos, libertados. — EVANS, Edward Payson. The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [O Processo Criminal e Punição Capital de Animais], Londres: William Heinemann, 1906. pp. 144-5.

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