Capitulares coloridas e bem grandes. Animais fantásticos de terras distantes. Cenas da vida e obra de reis, papas e santos. Anjos, demônios, criaturas sobrenaturais de todo tipo cercam textos minuciosamente manuscritos dentro de bordas ricas e luxuosamente douradas. Obras-primas da cultura livresca, as iluminuras não nasceram prontas.

Como toda arte bem-feita, uma iluminura não revela as imperfeições e hesitações do trabalho criativo do artista. Em outras artes visuais, não é difícil encontrar rascunhos, cartas ou manuscritos que revelam os bastidores de um quadro, um retrato, um mural ou, mais recentemente, fotografias e filmes.

Quando se trata de iluminuras, porém, esses vestígios de criação são muito mais raros, por dois motivos. Primeiro, muitos dos monges iluministas faziam seu trabalho de modo anônimo — o louvor pela sua arte deveria ser dado a Deus e à Igreja. Segundo, os cadernos de rascunho, por sua própria natureza, não eram tão duráveis quanto os livros de pergaminho iluminado. Mesmo que fossem de pergaminho, esse material acabaria facilmente apagado para ser reutilizado em outra obra.

Uma exceção notável a essa falta de fontes sobre o trabalho dos monges iluministas é o Spätgotisches Musterbuch des Stephan Schriber [Rascunho Iluminado de Stephan Schriber], manuscrito que ilustra este post. Datado de 1494, o Rascunho Iluminado registra ideias, ilustrações, caligrafias e layouts ensaiados pelo frei Schriber.

Quase nada se sabe de Shcriber — é provável que este seja um pseudônimo —, exceto que ele viveu num monastério do sudoeste alemão na segunda metade do século XV. Quando o monge registrou seus ensaios, quase meio século após o surgimento da imprensa, a arte da iluminura já começava a morrer.

Preservadas na Bayerische Staatsbibliothek, em Bad Urach, na Alemanha, as quase 70 páginas em pergaminho foram digitalizadas e podem ser baixadas aqui (em PDF).

[Via Public Domain Review]

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