As formigas-correição são notáveis por seu nomadismo e seu comportamento de massa. Nas suas migrações, cada formiga segue a trilha de ferormônio deixada por outra. Pode parecer uma estratégia segura para manter a colônia na linha durante longas travessias, mas há uma vulnerabilidade séria: os moinhos de formiga.

Os moinhos de formiga se formam quando um grupo fica desorientado e passa a andar em círculos. Mesmo que pequeno, esse grupo pode ser seguido pela colônia inteira, formando um formigueiro rodopiante. Implacáveis em seguir as trilhas de ferormônio, as formigas-correição continuam em uma trajetória circular até atingir a exaustão.

Embora geralmente sejam compactos (como no vídeo acima), os moinhos de formiga também podem alcançar dimensões excepcionais. No final de Edge of the Jungle, o naturalista americano William Beebe [1877-1962]  descreve um moinho de formigas do gênero Eciton, encontrado na selva da Guina Inglesa, com estimados 1200 pés [365 metros] de circunferência:

Era uma forte coluna, com seis faixas de largura em muitos lugares, e as formigas acreditavam inteiramente que estavam a caminho de um novo lar, pois a maioria carregava ovos ou larvas enquanto muitas traziam alimento […] Durante uma hora ao meio dia, debaixo de chuva intensa, a coluna enfraqueceu e quase desapareceu, mas quando o sol retornou, as linhas se juntaram e a revolução de círculos viciosos continuou.

Beebe estimou que cada formiga dessa colônia rodante levaria cerca de 2 horas para percorrer o circuito. No resto da tarde, o “círculo insano” continuava a se mover e à meia-noite ainda se movia. Na manhã seguinte, muitas formigas, enfraquecidas, largaram suas cargas, mas continuaram seguindo a trilha circular, ainda que num ritmo mais lento.

Debaixo de sol e chuva, dia e noite, hora após hora, — concluiu Beebe — não foi encontrado nenhum Eciton com iniciativa individual o bastante para se desviar mais do que o equivalente a umas poucas formigas de distância do círculo que havia trasladado talvez umas quinze vezes: os mestres da selva tornaram-se presas de sua própria mentalidade.

Referência

BEEBE, William. Edge of de Jungle. Garden City (NY): Garden City Publishing Co., 1921. pp. 290-292. Disponível on-line no Internet Archive.

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