Botar a mão sobre cada fileira de letras do teclado e acionar uma de cada vez, à exaustão, de preferência sem olhar as teclas. Aprender a subir e descer fileiras, enquanto aperta a tecla de maiúscula, pontuações ou barra de espaço. Os cursos de datilografia eram bem chatos — e complexos. Os usuários de computador, por outro lado, aprenderam a digitar praticamente sozinhos, com estratégias próprias, na base da tentativa e erro. Qual o método de aprendizado e digitação mais eficaz? Cientistas descobriram que não faz tanta diferença.

Pesquisadores da Universidade de Aalto (Finlândia) estudaram o comportamento ao teclado de 30 usuários, com várias idades e habilidades. Eles descobriram o que muita gente já sabe: para ser rápido, não é preciso fazer um curso de datilografia nem digitar com todos os dez dedos. Os resultados da pesquisa da doutoranda Anna Feit vão ser apresentados em maio, na CHI (Conferência de Interação Humano-Computador), em San José, nos EUA. Os orientadores foram o Prof. Antti Oulasvirta e o Dr. Daryl Weir.

Para gravar a movimentação de cada dedo, eles tiveram que recorrer ao sistema de captação óptica dos movimentos, o mesmo usado na criação de efeitos especiais em filmes e animações. Assim, cada junta dos dedos e da mão dos usuários foi coberta com pequenos marcadores reflexivos, que permitiram a gravação precisa de todos os movimentos por meio de 12 câmaras infravermelhas de alta velocidade.

Além das mãos, os movimentos oculares também foram rastreados. [Imagem: Mikko Raskinen/Aalto University]

“Ficamos surpresos ao observar que pessoas que fizeram um curso de datilografia tiveram desempenho similar em termos de velocidade e precisão com quem aprendeu a digitar sozinho. Na média, apenas 6 dedos foram usados”, explica Anna Feit.

A captura de movimentos mostrou que há outros fatores importantes além do número de dedos usados. Datilógrafos mais rápidos aprenderam a manter as mãos em posição mais fixa, usando consistentemente o mesmo dedo para acionar determinada tecla.

Por outro lado, o comportamento das mãos esquerda de direita varia bastante. A esquerda tende a ser mantida numa posição mais estável enquanto a direita costuma passear de um lado para outro, cobrindo maior número de teclas (este texto está sendo digitado de maneira parecida). Esse comportamento é reflexo do uso combinado de teclas de atalho e do mouse em computadores, segundo Feit.

Catar milho pode ser tão efetivo quanto utilizar todos os dez dedos.

Há várias maneiras de mover as mãos pelo teclado e os participantes da pesquisa foram classificados de acordo com isso. Foram observados quatro grupos de uso para a mão esquerda e seis grupos de uso para a mão direita. As estratégias dos participantes variavam desde usar um ou dois dedos de cada mão a bater as teclas com um sistema datilográfico levemente modificado. Houve quem usasse Caps em vez de Shift para acionar as maiúsculas ou batesse na tecla de espaço com ambos os polegares.

Mesmo nos grupos com estratégias similares, alguns participantes eram mais lerdos e outros, mais ágeis. Parece fácil concluir que um curso de datilografia ou digitação seja desnecessário, mas não é bem assim. Segundo os pesquisadores um curso bem aplicado pode fazer a diferença pois quem não tem treinamento tende a perder tempo olhando para o teclado em vez da tela, o que afeta o desempenho em muitos casos.

[Aalto University via ScienceDaily]

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