pirâmide de Newton

Mausoléus são imensos monumentos póstumos geralmente dedicados a reis, príncipes e generais. Por que um cientista não mereceria igual homenagem? Isaac Newton [1643-1727], por exemplo, não seria digno de um desses monumentos funerários? Um certo Thomas Steele, de Cambridge, achava que sim. Numa carta publicada no The Times em 1825, Steele propôs um monumento nacional a Newton: a casa do físico aninhada numa grande pirâmide encimada por uma enorme esfera. A inspiração veio da Itália:

Quando estive viajando pela Itália, fiquei intensamente impressionado pela configuração única e a singular aparência da Capela Primitiva de Assis, fundada por S. Francisco.

Ao adentrar o pórtico da grande igreja franciscana, você vê diante de si esta pequena capela rural, situada diretamente sob o domo e perfeitamente isolada. Agora, Senhores, entre os muito esplêndidos aperfeiçoamentos que se fazem nesta capital, não seria nobre, e talvez mais apropriado, eregir um monumento nacional, talvez um domo azul hemisférico, ou melhor, uma porção da esfera maior que um hemisfério e que, como em Assis, seria apoiado numa base massiva sobre a casa e observatório do autor dos Principia?

A casa poderia ser ajustada de tal maneira a conter uma pequena câmara de reuniões e uma biblioteca para a Royal Society — vale lembrar que ela não dista mais do que umas duzentas jardas da Univeristy Club House.

Protegido, pelos meios que descrevi, das influências dilapidantes das chuvas e ventos, o venerável edifício onde Newton estudou, ou foi inspirado — esse “palácio do espírito” —resistiria por eras e seria um monumento britânico mais sublime que as pirâmides.

Além de publicar a carta, o Times também fez um comentário, aprovando a idéia, considerando-a um “perpétuo monumento ao bom-gosto bem como ao espírito nacional e à gratidão do povo britânico”.

Steele, porém, não era arquiteto e não deu maiores detalhes técnicos. Alguns anos mais tarde, a ideia foi republicada na Mechanics’ Magazine. Ao ser pressionado sobre os detalhes, Steele escreveu outra carta, também publicada na Mechanics’ Magazine em que explicava que

a base do meu projeto [parece] coincidir com a base da Catedral de St. Paul (claro que é uma espécie de tosca coincidência, em consequência do ângulo do transepto) enquanto que o mais elevado ponto do meu edifício parece coincidir com o topo da grande torre da catedral, cerca de 200 pés de altura.

Evidentemente a pirâmide de Newton — que não foi a primeira a ser proposta em Londres — nunca saiu do papel. O corpo de Isaac Newton continua em repouso na Abadia de Westminster.

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