periodic table

Essa mesa vai precisar de mais lugares.

Se o universo fosse uma sala de aula, a lista de chamada bem poderia ser a tabela periódica dos elementos. Como uma lista de chamada, a tabela contém nomes e números e, de tempos em tempos, precisa ser modificada quando aparece algum novato na sala. Este ano, chegaram mais quatro à turma do fundão.

Em janeiro desse ano a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) confirmou a existência de quatro novos elementos químicos, descobertos por pesquisadores japoneses, russos e norte-americanos. Como alunos recém-chegados e ainda pouco conhecidos, as novas substâncias passaram a ser tratadas pelo número de chamada (e ganharam um apelido um tanto feioso): 113 (Ununtrio ou Uut), 115 (Ununpentium ou Uup), 117 (Ununseptium Uus) e 118 (Ununoctium Uuo).

Agora que eles estão enturmados lá no fim da tabela periódica, 113, 115, 117 e 118 devem ganhar nomes mais simpáticos. Segundo a New Scientist a IUPAC divulgou hoje os nomes propostos para os mais novos elementos conhecidos. Os japoneses prpõem que o Uut seja chamado Nihonium ou Nihônio (Nh); Nihon é um dos nomes do Japão em japonês. Se for assim, não é dessa vez que veremos um J na tabela periódica.

Para o elemento 115, os russos indicaram o nome Moscovium ou Moscóvio (Mc), em homenagem à capital do país. Os norte-americanos querem chamar o 117 de Tenessine ou Tenessínio Tenéssio (Ts), derivado do estado de Tennessee. Para o batismo do 118, russos e americanos concordaram com o nome Oganesson ou Oganessônio (Og), em memória do físico russo Yuri Oganessian. Em 1999, Oganessian foi um dos descobridores do então chamado elemento 114, atualmente conhecido como Fleróvio (Fl). Junto com o Livermório (Lv), o Fleróvio foi o último elemento da tabela a receber um nome, em 2011.

Embora a indicação dos nomes seja um direito dos descobridores, a nova nomenclatura ainda não está oficialmente definida. A IUPAC tem critérios bastante rígidos para o batismo de novos elementos, que é bem mais burocrática que a nomeação de novas espécies de seres vivos, por exemplo. Durante os próximos cinco meses a IUPAC deve reunir seus comitês e abrir consultas públicas sobre os novos nomes. Um ponto de polêmica é que Oganessian ainda está vivo, mas há um precedente: o elemento 106, Seabórgio, foi batizado com o nome do físico Glenn Seaborg [1912-1999] antes dele morrer.

Até o fim do ano, portanto, a turma do fundão deve ganhar quatro novos nomes, que serão acomodados lá no fim da sétima fileira. Enquanto a diretoria decide os nomes, os inspetores de aluno, ou melhor, os químicos e físicos de todo o mundo estão à procura das carteiras da oitava fileira. Será que vamos encontrar algum calouro lá?

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