Este é um BESM-2, computador soviético do fim dos anos 1950.

Sabe aquele papo de que no futuro (quase) todo mundo vai ser programador e que aprender programação será indispensável para garantir um emprego? Então, essa história é mais velha do que parece. Na União Soviética do final dos anos 1950 já se dizia coisa parecida:

Quais serão as profissões novas de 1997?, perguntou a revista de atualidades Znanie i cila (Saber e força), dirigindo-se aos inúmeros sábios e engenheiros soviéticos.

Existirão os “programistas”, respondeu o engenheiro S. Petrov, que esboça assim a sua visão de futuro: “Uma extrema especialização das ciências foi realizada no decorrer dos cem últimos anos. Os geólogos, os físicos, os químicos e muitos outros cientistas aperfeiçoaram métodos muito delicados de estudo. Êles criaram um vocabulário cujo único defeito é que ninguém o pode entender, com exceção dos especialistas mais avisados.

“Daqui a quarenta anos [em 1997] a situação mudará ainda. Todavia, desde já, os discípulos da nova orientação científica chamada cibernética afirmam que é possível exprimir todas as leis importantes da ciência em fórmulas unificadas que seriam compreensíveis às… máquinas. Com a ajuda das máquinas eletrônicas, podem-se resolver problemas relevantes dos diversos ramos da ciência. Mas, para isso, é necessário expor os enunciados desses problemas, de u’a maneira convencional, recorrendo a um código cifrado [um programa, como diríamos hoje], que é em seguida traduzido [processado] pela máquina. Assim, à medida que as máquinas de calcular conquistem novas posições, a lista dos homens, mestres das matemáticas e sabendo traduzir as questões para uma língua acessível a compreensão dos cérebros eletrônicos, crescerá também. Êsses homens — os programistas — tornar-se-ão os representantes de uma das profissões mais difundidas. Nós os encontraremos sem dúvida à nossa mesa de festas em 1997.” — BARNIER, Lucien. A nova ciência dos soviéticos. São Paulo: IBRASA, 1959. pp. 75-76.

Jornalista científico francês, Lucien Barnier passou uma temporada na URSS por volta de 1956-57 e publicou um livro com suas reportagens no ano seguinte. Encontrei essa pérola num sebo em Bauru e vou compartilhar outros trechos interessantes em breve.

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