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Zarya num selo soviético de 40 copeques (1958)

Em uma baía do Pôrto de Leningrado oscilava lentamente um veleiro de três mastros. Despojado das velas, entre as driças correm fios metálicos de antenas. À proa do veleiro destacam-se as letras “Zaria” (“Alba” em russo). Dir-se-ia um pequeno iate, com seu madeiramento envernizado, suas cabines apaineladas e sem sem confôrto. Na realidade o “Zaria” é um navio científico, não para estudar fenômenos especìficamente marinhos; é um laboratório navegante destinado a estudar o magnetismo terrestre.
Deslocando seiscentas toneladas o “Zaria” foi construído de madeira, de latão, de aço não-magnético, com raras exceções que não puderam ser evitadas. Os motores e as poucas peças de ferro que eles comportam são instalados longe dos instrumentos de medida, e não influem sôbre o seu funcionamento. O “Zaria” é o único navio não-magnético do mundo, êle não tem senão um predecessor: o navio americano “Carnegie”, que naufragou há já mais de vinte anos. Suas reservas de combustível e de água lhe conferem uma autonomia de percurso de três mil e quinhentas milhas sem escala. Seu campo de ação engloba o Atlântico, o Índico e o Pacífico. Os trabalhos realizados pelos sábios do “Zaria” revelarão modificações que se produziram nas características do campo magnético terrestre durante os vinte e cinco últimos anos, e permitirão estabelecer mapas magnéticos precisos para uso dos navegantes. — BARNIER, Lucien. A nova ciência dos soviéticos. São Paulo: IBRASA, 1959. pp. 159-60

Construído em 1952, com 52 metros de comprimento e 9 de largura, o barco foi adaptado pela Academia de Ciências da URSS em 1953. O Zarya (essa é a grafia correta e uma tradução mais exata seria Alvorada) participou do Ano Geofísico Internacional em 1957. Visto pela última vez durante reparos em Amsterdã em 1983, seu destino é desconhecido mas não foi esquecido: um penhasco em Mercúrio leva seu nome.

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