Minha categoria preferida de filmes sempre foi documentário. Quando criança, na locadora, eu sempre trazia pra casa (depois de passar um tempão indeciso diante de tantas escolhas) um ou dois desenhos e um documentário em VHS, geralmente da National Geographic. Com o Netflix não poderia ser diferente.

Como continua sendo difícil escolher o que ver diante de tantas opções, decidi começar a fazer uma série mensal com minhas indicações de documentários. Pode haver spoilers, mas não acho que isso seja problema nessa categoria. Não vou fazer um sistema de notas (acho isso muito subjetivo), mas deve ficar claro que quanto mais eu escrever sobre algo, melhor.  Apresento-lhes, então, na mesma ordem em que assisti, o que vi durante esse mês de novembro:

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Queen Mimi (76 min., 2015) — A história dura, surpreendente mas também divertida de Mimi, uma moradora de rua de 88 anos que acaba encontrando uma família numa lavanderia frequentada por estrelas de Hollywood — e que aos poucos vai revelando seus segredos para o documentarista, um aspirante a cineasta que trabalha na cafeteria da vizinhança.


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The 100 years show (29 min., 2015) — Neste documentário curto, acompanhamos a longa vida e obra de Carmen Herrera, artista minimalista cubano-americana que só foi descoberta e reconhecida perto do seu centenário.


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Black Man, White Skin (78 min., 2015) — Existem albinos na África? Este documentário mostra que sim e que a vida dos homens negros de pele branca não é fácil. Em meio a imagens (um tanto terríveis para alguns) de operações de tumores dermatológicos e perseguições, acompanhamos as histórias de pessoas maravilhosas, como os médicos espanhóis que treinam seus colegas dermatologistas africanos, a farmacêutica que fabrica e distribui protetor solar gratuitamente, a jovem albina de Moçambique vítima de um tumor quase fatal e adotada por uma família da Espanha e negros de pele branca bem-sucedidos, como um modelo, um cantor e um time de futebol.


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Eternos Campeões (Age of Champions, 69 min., 2011) — As vovós imbatíveis do basquete. Os atletas octogenários do Texas. Os dois irmãos negros da natação. O tenista de 100 anos. Christopher Rufo acompanha a trajetória destes competidores da terceira idade antes, durante e depois dos Jogos Sênior de 2009 em San Francisco.


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A marcha dos pinguins (La Marche de L’Empereur, 85 min., 2005) — Não importa se estão de barriga cheia para alimentar os filhotes, com um ovo entre os pés ou conhecendo o mundo pela primeira vez: eles têm passos desajeitados. Mesmo assim, como seus ancestrais, eles cumprem uma peregrinação anual com várias marchas para encontrar seu par, dançar e criar seus filhos numa planície gélida com uma noite invernal de nove meses. Neste documentário vencedor do Oscar, são os próprios pinguins-imperadores que contam a história de suas vidas e de seu povo.


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O verdadeiro Sr. Miyagi (The Real Mr. Miyagi, 81 min., 2015) — Bruce Lee, Dolph Lundgreen, Steven Seagall, Chuck Norris. Você já deve ter visto algum filme desses fodões das artes marciais, mas provavelmente nunca ouviu falar de Fumio Demura. Este documentário conta a história desse japonês que é o responsável pela divulgação do karatê nos Estados Unidos e o inspirador do Sr. Miyagi, de Karate Kid (que, aliás, também está no Netflix).


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Happy People: a year in the taiga (94 min., 2010) — Prepare-se para ser enganado pelo título, porque você não vai encontrar pessoas felizes e sorridentes. Pudera, esse documentário retrata um ano na vida de caçadores e pescadores da comunidade Bakhtia. Nessa comunidade isolada nos cafundós da Sibéria, é preciso ser autossuficiente e as cabanas, as armadilhas, os barcos e os esquis são sempre feitos à mão com técnicas milenares. Bem, quase tudo: a motossera, o snowmobile e a vodca não podem faltar. Os cães também não.


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Floyd Norman: an animated life (94 min., 2016) — Animador. Storyboarder. Funcionário da Disney. Encrenqueiro. Este documentário biográfico conta a história de Floyd Norman que, em 1956, foi o primeiro negro a trabalhar na Disney. A Bela Adormecida, 101 Dálmatas, A Espada era a Lei são alguns dos clássicos que ele ajudou a fazer. Nos bastidores, fazia cartuns ferinos sobre o dia-a-dia de ilustradores, animadores e roteiristas (alguns viraram pequenas animações que ilustram seus causos). Descrito como o Forrest Gump da animação, ele não passou a carreira inteira parado no mesmo lugar. Ao contrário de muitos colegas, Floyd Norman não chegou a ser um figurão do estúdio e recusou-se a se aposentar aos 65 anos. Ainda é um garoto de 80 anos que adora desenhar, vai à Disney todo dia com a esposa e almoça com os amigos toda sexta-feira.


Séries documentais que dispensam apresentações: Cosmos (com Neil deGrasse Tyson), Planeta Terra e Life (ambos narrados por Sir David Attenborough) e Vu du ciel ou Earth from above (apresentada pelo fotógrafo Yann-Arthus Bertrand, mesmo criador de Humano).

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