Benjamin de Tudela no Saara (gravura do século XIX)

Benjamin de Tudela no Saara (gravura do século XIX)

As Viagens, escritas em hebraico, do Rabino Benjamin de Tudela [1130-1173], da qual temos uma curiosa tradução são, acredito, apócrifas. Ele descreve uma jornada que, se realmente a realizou, deve ter sido em seu pijama: é um perfeito sonho! Dizem que para inspirar e dar importância à sua nação, ele fingiu ter viajado por todas as sinagogas do Leste, mencionando lugares que parece jamais ter visto e descrevendo pessoas que ninguém conhece. Ele estima ter encontrado quase oitocentos mil judeus, dos quais cerca da metade seriam independentes e não súditos de quaisquer soberanos cristãos ou gentios. Essas viagens fictícias têm sido uma dor de cabeça para os sábios, particularmente entre aqueles que, no zelo de autenticá-las, seguiram as pegadas aéreas do hipogrifo do Rabino Benjamin. Ele afirma que a tumba de Ezequiel, com a biblioteca do primeiro e do segundo templos, podia ser vista em sua época em um lugar nos barrancos do rio Eufrates. [O teólogo reformista alemão] Wesselius de Groningen [1671-1745] e muitos outros literati viajaram à Mesopotâmia com o propósito de ver a tumba e examinar tais bibliotecas. Mas lá ninguém havia visto nem ouvido falar de tão fabulosos tesouros! —  D’ISRAELI, Isaac. Curiosities of Literature [Curiosidades da Literatura], Vol. I. Paris: Baudry’s European Library, 1835. pp. 111-112

Atualmente, a obra de Benjamin de Tudela é menos mal-vista pelos historiadores. Embora haja erros crassos como os citados acima, Tudela é considerado uma fonte fidedigna sobre a vida das comunidades judaicas que visitou. Considerado o Marco Polo judeu, o rabino Benjamin dá nome a duas ruas: uma em sua cidade-natal, Tudela, na Espanha; e outra em um bairro de Jerusalém. Uma edição crítica d’As Viagens, publicada em 1907, pode ser lida aqui.

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