As aparências produzidas pelo efeito do galvanismo sobre o corpo humano são da mais assustadora natureza e despertam terríveis fantasias na mente do espectador: os olhos giram descontroladamente, a expressão facial é distorcida por sorrisos grotescos enquanto os membros movem-se forçosa e convulsivamente. O mais bem-sucedido esforço de ressuscitação por galvanismo foi o realizado sobre o corpo de John White, que foi executado por assassinato em Louisville. O corpo, após ser enforcado por 25 minutos, foi descido e, ainda quente e trêmulo, foi submetido ao estímulo do galvanismo. De repente, o homem levantou-se da cama numa postura sentada e em seguida postou-se de pé, abriu seus olhos e deu um chiado terrível. Seu peito trabalhava como se respirasse. Um dos cirurgiões presentes exclamou que ele estava vivo. Com a aplicação de outro choque, ele pulou subitamente, libertou-se dos cabos [que o prendiam] e correu para um canto da sala. Frequentemente, ele abria seus olhos e a respiração parecia tão regular que muitos tentaram falar com ele, mas ele não compreendia. Apesar disso, com o auxílio de um estudante de medicina, ele deu uns passos sobre o chão e sentou-se numa cadeira. Ele parecia um homem intoxicado, esmagado pelo esforço que havia feito. Foram feitos todos os esforços para normalizar-lhe a circulação, mas a congestão do cérebro eventualmente chegou, terminando sua existência. Um homem chamado Clydesdale, que também foi executado por assassinato em Glasgow, também foi submetido a um experimento similar. — WELBY, Horace. Mysteries of Life, Death and Futurity: illustrated from the best and latest authorities [Mistérios da Vida, da Morte e do Futuro: com ilustrações das melhores e mais recentes autoridades]. Londres: Kent & Co., 1861. pp. 66-67

Relatos exagerados como este sobre cadáveres galvanizados e ressuscitados não faltam na literatura oitocentista e os criminosos pareciam ser as cobaias preferidas. O primeiro caso registrado foi realizado com o corpo de George Forster (ou Foster), na prisão de Newgate, em Londres, em 1803.

Quem galvanizou Forster foi Giovanni Aldini [1762-1834], sobrinho de Luigi Galvani [1737-1798], que havia descoberto o fenômeno alguns anos antes. No entanto, conforme a descrição feita pelo Newgate Calendar, Forster passou longe de voltar à vida:

Durante a primeira aplicação do processo em sua face, as mandíbulas do falecido criminoso começaram a tremer, os músculos adjacentes contorceram-se terrivelmente e um dos olhos até se abriu. Na sequência do processo, a mão direita foi levantada e fechou-se e as canelas e coxas foram postas em movimento.

As descrições desses experimentos e outros do que hoje conhecemos como eletrofisiologia iriam inspirar Mary Shelley [1797-1851]  a escrever Frankenstein em 1818.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...