A estação [de TV] de Moscou via de regra transmite programas durante quatro horas por dia: das 7 às 11 da noite nos dias de semana, das 8 às 12 no sábado e das 2 até às 6 [da tarde] no domingo. Isso pode não parecer muito, mas é a média para a Europa continental [nos anos 1950]. Os tempos de transmissão não são observados muito estritamente, e os programas podem começar ou terminar quase a qualquer hora. A estação de Moscou tem dois canais, mas um ainda é experimental [em 1957]. Não há irradiações durante o dia (exceto aos domingos), não por falta de programa mas porque quase todo mundo trabalha na União Soviética e não há telespectadores nos lares durante o dia. A tela mais ampla para uso doméstico, fabricada atualmente, é de 35 centímetros. Prática soviética, e que o mundo ocidental bem que podia imitar, é distribuir os filmes de longa-metragem para a televisão dez dias depois da primeira apresentação nos cinemas. Nos Estados Unidos, pode-se esperar por dez anos. — GUNTHER, John. A Rússia por dentro. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1959. p. 350

Ainda sobre a TV soviética, Gunther apresenta algumas estatísticas. Na época, eram apenas 13 ou 14 as estações de televisão em operação em toda a URSS – em comparação, haviam 496 nos EUA. O número de aparelhos não passava então de 1,5 milhão, mas como parte de um plano quinquenal, 7 milhões de televisores deveriam ser fabricados até 1960. Quanto à programação, 60% eram ao vivo, metade dos quais em estúdio. Em termos de gênero, 10% dos programas eram dedicados a esportes, 12% a teatros, 20% a música (às vezes apresentavam-se óperas inteiras), 40% ao cinema, 10% aos programas infantis, 4% ao noticiário e 2% tanto para ciência e educação quanto para a indústria.

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