Reunião de sindicalistas numa fábrica da URSS [circa 1980]

Reunião de sindicalistas numa fábrica da URSS [circa 1980]

Os sindicatos soviéticos têm 47 000 000 de membros. O chefe supremo dos sindicatos é V. V. Grichin. Há, ao todo, 46 sindicatos sob o Conselho Central dos Sindicatos, organizados com base nas respectivas atividades industriais, como o CIO [Congress of Industrial Organization, central sindical norte-americana]. Todavia, não se parecem nem remotamente com os sindicatos americanos. São, em verdade, quase o oposto. Não visam, fundamentalmente, como sucede com os sindicatos americanos e britânicos, o benefício do trabalhador e a elevação dos níveis salariais: sua função não é em absoluto propugnar por melhores salários, mas prestar serviços sociais e estimular a produção. Não se sabe o que sejam negociações coletivas com o empregador (isto é, o Estado) e as greves estão proibidas, como nos tempos dos czares. Não se reconhece na União Soviética o direito de greve e não tem havido greves legais nos últimos quarenta anos. — GUNTHER, John. A Rússia por dentro. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1959. p. 397.

Na página seguinte, Gunther aponta “algumas melhorias” obtidas pelos trabalhadores soviéticos após uma reforma trabalhista/previdenciária ocorrida em 1957. O salário mínimo havia sido elevado para algo entre 300-350 rublos/mês; a jornada havia sido reduzida de 48 h para 46 h/semana, com previsão de alcançar 41 h a partir de 1960. Para se aposentar na URSS, um homem precisava ter 60 anos e uma mulher, 55, ambos com 25 anos de contribuição. O valor da aposentadoria variava de 55 a 100% do total do salário, partindo do mínimo de 300 rublos. A maior inovação, porém, era a que permitia pedir demissão e mudar-se para outra cidade sem ter autorização prévia do Estado.

O chefão dos sindicatos mencionado por Gunther era na verdade Viktor Vasilyevich Grishin [1914-1992]. Depois de chefiar a central sindical soviética, Grishin foi líder do Partido Comunista em Moscou e esteve a ponto de suceder Konstantin Chernenko em 1985 como secretário-geral do Partido (e portanto líder da URSS). No entanto, Viktor Grishin era visto como muito próximo da Velha Guarda soviética e foi preterido em favor do então desconhecido Mikhail Gorbachev. Sua vida terminou de modo um tanto irônico: em 1992 ele sofreu um infarto dentro de uma agência da previdência em Moscou onde estava para tentar aumentar o valor de sua aposentadoria.

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