38thParallel

Em vez de vetar o envolvimento da ONU na Guerra da Coreia, a URSS simplesmente se retirou da votação.

Ninguém, nem mesmo os camaradas simpatizantes, nas atrasadas regiões asiáticas, se permitiria pensar que o Kremlin seja onisciente, invencível ou tenha mesmo sempre razão. Já falamos muito, neste livro, sobre os êxitos comunistas. Mas também tem havido fracassos, erros e provas de estupidez crassa, por parte dos soviéticos. Uma, causada pelo excesso de autoconfiança e por uma interpretação totalmente errônea da mentalidade norte-americana, foi o bloqueio de Berlim, que produziu em represália à Ponte Aérea. Também um erro de cálculo de Stalin levou indiretamente à fundação da OTAN – resultado por certo não previsto ou pretendido. Hoje em dia, temos a tendência a esquecer que a União Soviética foi convidada a participar do Plano Marshall, e recusou. Tivessem os russos permitido aos seus satélites aceitarem o auxílio do Plano Marshall, e participado eles mesmos do projeto, é bem possível que a Organização do Tratado do Atlântico Norte jamais fosse estabelecida. Outra curiosa asneira soviética, no plano técnico, ocorreu no princípio da Guerra da Coreia. Os russos haviam boicotado a sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que votou pela participação das mesmas na resistência contra a agressão norte-coreana. Certamente, teriam eles vetado essa decisão. Não teria havido diferença quanto ao resultado, mas poderiam ter causado muito aborrecimento e provocado muita demora. — GUNTHER, John. A Rússia por dentro. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1959. p. 529.

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